Thursday, November 06, 2014
Wednesday, November 05, 2014
SEIOS EM PROSA E VERSO
Numa
laureada paródia, chamada “As flô de Puxinanã”, o poeta Zé da Luz descreve três
mulheres que conheceu, das quais desejava morrer nos braços da mulher dos dois
“cuscús”. Eis a revelação no seu linguajar folclórico e debochado.
Inscuiendo a minha cruz
prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscús!
prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscús!
Certa vez, o sociólogo Gilberto Freire referiu-se a
CAJUS, comparando-os a SEIOS de moça bonita. Aqui, em casa, há uma
minicuscuzeira que reproduz até o bico do peito na guloseima de milho.
Obviamente que o caju poderá ser chupado, numa alegórica amamentação botânica, enquanto
o cuscuz só poderá ser mastigado ou sorvido ao leite.
Sosígenes Bittencourt
Tuesday, November 04, 2014
LEITURA DA REALIDADE
É preciso fazer boa leitura da realidade. Porque o
mal que se percebe pode ser o princípio de um bem a ser percebido.
Quando o náufrago construiu sua casinha de palha para se
abrigar da tempestade, a casinha pegou fogo. Ele, apavorado, queixou-se de
Deus. Aí, Deus apresentou-lhe um navegador para salvar-lhe a vida o qual havia
avistado a fumaça lá do oceano. Quer dizer, o náufrago percebeu um mal no fogo,
porque não percebera o bem que havia na fumaça.
Sosígenes Bittencourt
Sunday, November 02, 2014
PASSA O DIA DE FINADOS
Passa o Dia
de Finados
tão rápido quanto fora a vida dos finados.
Ninguém desejaria que os finados voltassem
ao mundo para findar outra vez.
Já nos basta morrer uma vez.
Porque só os finados estão livres da morte.
Sobretudo, do medo da morte.
Seria suprema malvadeza do destino nos impor
mais de um fim, embora morra nossa infância,
nossa adolescência, nossa mocidade
e sigamos vivos, vivos até o fim derradeiro.
Passa o Dia de Finados.
E perpassam os finados que conhecemos.
Parece até que os vemos.
De preferência, sorrindo. O mesmo jeito,
a mesma voz, os trejeitos, o figurino.
Nós é que ficamos tão diferentes.
Talvez, nem soubéssemos conversar com os finados,
como antigamente.
Sosígenes Bittencourt
tão rápido quanto fora a vida dos finados.
Ninguém desejaria que os finados voltassem
ao mundo para findar outra vez.
Já nos basta morrer uma vez.
Porque só os finados estão livres da morte.
Sobretudo, do medo da morte.
Seria suprema malvadeza do destino nos impor
mais de um fim, embora morra nossa infância,
nossa adolescência, nossa mocidade
e sigamos vivos, vivos até o fim derradeiro.
Passa o Dia de Finados.
E perpassam os finados que conhecemos.
Parece até que os vemos.
De preferência, sorrindo. O mesmo jeito,
a mesma voz, os trejeitos, o figurino.
Nós é que ficamos tão diferentes.
Talvez, nem soubéssemos conversar com os finados,
como antigamente.
Sosígenes Bittencourt
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