Friday, January 16, 2015

RECORDAR É VIVER

A vida é feita de tempo e daquilo que fazemos com o tempo que dispomos. Sosígenes Bitencourt

(da esquerda para a direita)
Guido Galvão, Jorge Esteves, Milton Bandeira,
Augusto Caveirinha e Claudio Barnabé.

Thursday, January 15, 2015

PORQUE É CARNAVAL

Dilson Lira

Vê por aí,
os tolos passando, as mãos agitando,
a rir-se de quê?
São meros palhaços,
à vida iludindo,
de tudo fugindo,
nem sabem por quê?

Vê por aí,
em doidas espirais,
mulheres e homens se esbarram a pular,
à febre do passo,
e cada vez mais...

Vê por aí,
o dinheiro, a caudal,
se a fome, a nudez,
a doença chegar,
é gasto à vontade,
porque é Carnaval.

Tuesday, January 13, 2015

ESTUDANDO PORTUGUÊS



(O verbo "SUICIDAR-SE" é um PLEONASMO?)



O verbo "suicidar-se" vem do latim sui ("a si" = pronome reflexivo) + cida (= que mata). Isso significa que "suicidar" já é "matar a si mesmo". Dispensaria, dessa forma, a repetição causada pelo uso do pronome reflexivo "SE". Ou seja, “ele suicidou” em vez de “ele SE suicidou”.



É importante lembrar que as palavras terminadas pelo elemento latino "cida" apresentam essa ideia de "matar":

formicida - que mata formiga;

inseticida - que mata inseto;

homicida - que mata homem.



Voltando ao verbo "suicidar-se", se observarmos o uso contemporâneo deste verbo, não restará dúvida: ninguém diz "ele suicida" ou "eles suicidaram". O uso do pronome reflexivo "se" junto ao verbo está mais que consagrado em nosso idioma. É, na verdade, um PLEONASMO IRREVERSÍVEL.



Numa história que é contada pelo grande ator, compositor, escritor e poeta Mário Lago, do seu livro 16 Linhas Gravadas, entre outras histórias, encontra-se a do professor de Português que se mata ao descobrir a traição de sua amada esposa Adélia. Deixou escrito na sua mensagem de despedida: "ADÉLIA SUICIDOU-ME".

Sosígenes Bittencourt


Monday, January 12, 2015

TÚNEL DO TEMPO



(Há 26 anos – Janeiro de 1989)
*Previdência anuncia fim das filas de pagamento. O aposentado teme que não haja mais pagamento.
*O beijo entre os atores da TV Globo é real; falso é o emprego do pronome oblíquo.
*É melhor usar anticoncepcional agora do que comprar enxoval de bebê daqui a nove meses.
*Pior, quando a mulher, cansada do defeito físico do marido, atira-se num homem moralmente defeituoso.
*O alcoólatra sempre encontra um motivo para beber. Um bebeu para comemorar a decisão de ingressar no A. A.

(Há 25 anos – Janeiro de 1990)
*Não faça do seu sexo um alvo de Pensão Alimentícia, o mantenedor poderá ser você.
*A Justiça é cega, mas os homens é que não enxergam o Direito.
*A insônia dos ladrões é o grande pesadelo dos guardas-noturnos.
*Paguei tão caro por um galeto que perguntei se havia comido a galinha dos ovos de ouro.
*Filhos de diplomata deixam de agir diplomaticamente e são presos pela polícia sem a menor diplomacia.
Sosígenes Bittencourt

Saturday, January 10, 2015

CARNAVAL NO TEMPO DE EU MENINO


Quando eu era menino, as orquestras do Clube Abanadores O Leão e do Clube Vassouras O Camelo mediam força na Praça Duque de Caxias. O estandarte do Camelo havia sido confeccionado por PEDRO RAMALHO, e o estandarte do Leão por HONÓRIO TUNGÃO. Aí, a torcida do Camelo cantava:
"A bandeira do Leão foi feita de algodão
da ceroula velha de Honório Tungão."
E a torcida do Leão respondia:
"A bandeira do Camelo foi feita de retalho
da cueca velha de Pedro Ramalho."
Saudoso Carnaval!
Sosígenes Bittencourt

Thursday, January 08, 2015

O PROFETA DO TERROR




Gostar de morrer é o cartunista francês Stéphane Charbonnier, editor da revista Charlie Hebdo. Como se não bastasse andar tirando onda com a cara de Maomé, ainda inventou de prever atentado na França.

E acertou. Quer dizer, ele, que zombara do profeta Maomé, tornou-se profeta do terror. Morreu, num atentado, levando consigo mais 11 vítimas, 9 componentes da revista e 2 policiais.

Observe o que diz a charge do enxerido e trágico Stéphane Carbonnier:

“Ainda não houve ataques na França”.
Ao que responde um soldado islâmico:
"Espere! Ainda temos até o fim de janeiro para apresentar nossos votos" - referindo-se a um desejo para o Ano Novo.
Gosta, ou não gosta de morrer, o cartunista e profeta metralhado Stéphane Charbonnier?

Sosígenes Bittencourt