*O livro é um mestre que fala, mas não responde.
*É possível descobrir mais sobre uma pessoa numa hora de brincadeira do que num ano de conversa.
Platão
Eis o destino dos ditadores, enxotados como ratos, chamando rebelados de traidores. O morcego da Líbia já viu esse filme antes, mas cego pelo poder, parece não enxergar. Convidado a se apresentar a quem tanto oprimiu, Kadafi se esconde, ameaça, é o cúmulo da ilusão de poder. Ordena que expulsem os rebeldes de Trípoli, como se houvesse a quem ordenar. Diz que vai resistir até a morte, menos do medo da morte do que da ira de ser execrado pela viuvez, assassinado pelos órfãos de sua tirania insana. Duro, impávido, não contava com as novidades do futuro. Não contava com um céu que baixaria à terra, viria aos bolsos, ao colo, pendurar-se ao ombro. E aquilo que era fantasia virou possibilidade. Porque as gerações vindouras ganharam a internet. De repente, era possível ver, na aurora da vida, homens e mulheres assumindo o seu corpo, exprimindo seus desejos.
Não conheço melhor maneira de celebrar o aniversário do nascimento de Jorge Luis Borges, do que publicando alguns dos seus pensamentos. Borges nasceu em Buenos Aires, em 24 de agosto de 1899, e faleceu em Genebra, em 14 de junho de 1986.
Agência do Trabalho
Cuidado aí, pessoal, a partir de 2012 não tem boquinha, o Acordo Ortográfico estará valendo de verdade. Eu sei que é difícil tirar do pensamento a "idéia" de que "ideia" não tem mais acento. E é bom usar a inteligência, engatilhar a comparação, porque "geleia", "assembleia", "plateia" também não têm - copiou?
Talvez, para quem nasceu ontem, o assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, de 47 anos, abatida a tiros em frente a sua residência, em Niterói, seja absolutamente normal. Chamar-se-ia de dessubjetivação da barbárie. Já, para os do meu tempo, seja tão assombroso quanto uma película de terror.
Disse que, numa Tamarineira da vida, o doido passou um tempão com o ouvido colado na parede. Era uma seboseira desgraçada. Não queria dormir, não comia direito, fazia as necessidades fisiológicas ali, uma tristeza. Como os outros doidos não ligavam, porque também não tinham juízo, a enfermeira resolveu chamar o psiquiatra. O psiquiatra veio, afastou o doido, colocou o ouvido na parede: - O que é que você faz tanto aqui? Eu não estou ouvindo nada.
Quem viu Corínthians e Santos, à noite, não diz que aquela seleção que perdeu da Alemanha por 3 a 2 era a Seleção Brasileira. Cadê a pegadinha? A macacada, no clássico paulista, colou um no outro feito visgo de jaca. Parecia que carregava um motorzinho na barriga. Já nossa canarinha, coitada, ficou vendo a Alemanha trocar fichinha, ao ponto de levar grito de olé da torcida do nosso velho "galo apanhado". E não era para menos. Nosso escrete, capitaneado por Mano Menezes, nem marca nem se desmarca. Já que não tem seleção definida, não tem tempo pra treinar, pelo menos corre atrás, bota velocidade, dá o mínimo de trabalho ao adversário. Afinal, não é uma guerra, mas é uma competição, uma contenda onde está em jogo a história do nosso futebol, a paixão do nosso povo, o orgulho de nossa pátria. A inércia, a falta de patriotismo deu muita asa aos "arianos" que se julgam superiores e nos consideram um bando de nanicos. É mimar a alma de Hitler, ajoelhar-se ao nazismo.
Quando pergunto aos alunos: O que é mais difícil, fazer sexo, ou distinguir Sujeito e Predicado numa oração? Ele logo responde: - Distinguir o Sujeito e o Predicado.
Antes do jogo, não, mas, depois dos 4 a 0 aplicados pelo Botafogo no Vasco da Gama, Zagallo parecia um deus enviado pelo Olimpo para decretar a gloriosa vitória do alvinegro carioca.
Amanheço o dia ouvindo histórias de minha mãe. Não faz nada, não faz nada, faz 56 anos. Hoje, me contou que sonhou com um cachorro mordendo sua mão. Ela estava numa calçada, numa determinada rua, no tempo em que era menina. Porém, a bolsa que carregava era uma bolsa que está ainda agora lá no seu quarto. Ora, isso é o tecido de sua história, de sua vida, do seu tempo. Pena que esteja envolvida no stress do dia a dia de um tempo de aceleração. Aceleração que não nos permite pensar naquilo que fazemos e preservar a imagem, a lembrança daquilo que fazemos para podermos mostrar a peça de nossa existência no futuro.
Este é um outro comentário que encontrei no Yahoo que merece ser postado sobre o quadro do pintor José de Goya: O sono da razão produz monstros.
Goya: "O sono da razão produz monstros"
O espelho da casa de Gelda
Alinhado é o doido da Noruega. Preparado, simpático é o doido da Noruega. Escreve livro de 1.500 páginas, intitulado 2083, manda jogar bomba e fuzila pessoas, rogando desculpas pela necessidade de matar. Logo, na Noruega, onde não se mata uma barata. Talvez, nem haja barata. Lugar onde a felicidade é uma loucura. Aos 32 anos, morre de raiva dos muçulmanos, devendo morrer de inveja de Hitler. Por isso, de uma vez só, resolve protagonizar a morte de quase 100 pessoas, para dar início à exterminação da raça islâmica. Ele mesmo abre fogo contra oitenta e tantos inocentes, treinado em atirar, como se aprumasse a pontaria. E ainda solta pilhéria ao Brasil, chamando a pátria cabralina, anchietana, de "disfuncional". Elegante, risonho, seu nome é Anders Behring Breivik, que, segundo seu advogado, deve estar adoentado, meio sem juízo, e merecendo tratamento.
Aconteceu o previsto. Amy morreu de overdose. Eis a crônica que produzi quando esteve no Brasil.