Tuesday, January 10, 2012

Gabriela Maldonado

Não sei o que acontece com quem canta Nessun Dorma, a ária do compositor Giacomo Puccini. Era assim com Luciano Pavarotti, é com Andrea Bocelli, foi assim com Gabriela Maldonado, a argentina que abiscoitou 200 mil reais, sagrando-se campeã da competição “Qual é o seu talento?”, do SBT. A cantora lírica parecia que ia se desprender do corpo e atirar-se rumo ao infinito. Sua alma enlevou-se, arrepiando jurados, plateia e telespectadores. Parecia que o tempo havia parado naquele instante. Aliás, “Nessun Dorma”, em italiano, quer dizer “ninguém durma”. Tem razão, não há quem consiga dormir em momento de tamanho êxtase. Depois, não há quem consiga esquecer.
Eterno abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, January 09, 2012

Quadro de Frases

Não existem fenômenos morais,

mas uma interpretação moral dos fenômenos.

Nietzsche

Saturday, January 07, 2012

Dia de "reses"

Vocês não sabem da graça. Estava na parada de ônibus, esperando o veículo para ir à praça, o mesmo banco, o mesmo jardim, quando me apareceu uma madame, até pouco mais ou menos, e saiu-se com essa:

- O senhor vai comemorar Dia de "reses", professor?

Ora, estupidificados ledores do signatário que vos redige, "reses", ao que me consta, é o plural de "rês", ou seja, o plural de todo quadrúpede que o bípede implume abate para degustar. Deve ter querido dizer Dia de Reis, e confundiu com dia de comer carne de bicho.

Avacalhado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Friday, January 06, 2012

Os Reis Magos potiguares

Estes são os 3 Reis Magos potiguares, banhados pela luz solar, no Rio Grande do Norte. Segundo o Hagiológio, que estuda a vida dos santos, são eles Belchior, Gaspar e Baltazar. Seguindo uma estrela itinerante, os orientais levaram incenso, ouro e mirra, para presentear o menino Jesus. É dia de dar capim aos quadrúpedes em troca de doces e desarmar a Árvore de Natal.
Sosígenes Bittencourt

Wednesday, January 04, 2012

Roubo de celular



O telefone chamado está fora de área ou desligado, seu idiota!

Há quem pense que cultura é o acervo artístico de um povo. Está correto. Contudo, hábitos também são dados culturais. Um hábito que já faz parte de nossa cultura é o furto. Quer ver? Quem foi que escapou de ter um celular furtado? E tanto faz parte de nossa cultura que, mesmo sabendo que o chip e o aparelho podem ser bloqueados, o sujeito pode levar tapa na cara, ir preso, ficar desmoralizado, a safadeza continua. Você não pode dar bobeira. Eu mesmo já tive celular subtraído no cabaré e na Universidade.
A pergunta é a seguinte: - O que é que um professor vai fazer numa Zona de Baixo Meretrício?
A resposta é a seguinte: - E o que é que um ladrão vai fazer numa Universidade?
Também já tive celular encantado na padaria mais chique da cidade. O pior é que, em volta, só havia mulher, um animal que ainda considero melhor do que o homem. O aroma era de perfume francês, e as madames, com as bochechas infladas de guloseimas. E ainda se diz que é menos arriscado ser furtado do que ser roubado. O roubo tem uma historinha de ameaça na base do pau de fogo e da faca peixeira.

Meu Deus me perdoe, mas é uma desgraça! Tóquio tem 35 milhões de habitantes, e a polícia vive de cara pra cima, sem ter o que fazer.
Miserável abraço!
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, January 03, 2012

No primeiro dia útil do ano

No primeiro dia útil do ano, um casal anoiteceu se beijando. Inútil lembrar-lhes o cotidiano. Esqueceram até que mudaram de ano... Sôfregos, se abraçavam, se beijando. O Brasil deve ser um dos países onde mais se beija no mundo. Falta-se ao trabalho para se beijar. Vai-se ao trabalho para se beijar. Beija-se ao pingo do sol, no deserto, à beira-mar, assim haja quem se preste para beijar. Beija-se até sem beijar, mergulhado em sonho, de tanto desejar.

No primeiro dia do ano, um casal anoiteceu se beijando. A lua ia rápida, atravessando as nuvens, o aroma era de mato, de terra, de rio, como sói acontecer no Brasil. O palco talvez sugerisse uma peça musical à la Villa-Lobos, eivada de tantos arroubos.

No primeiro dia do ano, não cabia desengano, no espaço que estreitava o casal que anoiteceu se beijando.

Amoroso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Sunday, January 01, 2012

Fragmentos

Faz 1 ano que fazia 1 ano que havia feito 1 ano.

Não há nada mais parecido com dezembro de 2011

que janeiro de 2012.

Sosígenes Bittencourt

Saturday, December 31, 2011

A esperança

No batente da garagem, há dias, há uma esperança. Apesar de imóvel, a esperança vive, a esperança não morre.
Eu fui dormir, pensando na esperança. Eu acordei, procurando a esperança.
Eu pensava que a esperança havia ido embora. Porém, a esperança permanecia ali, verde como a esperança.
Vieram algumas pessoas, falavam alto, nem se ligaram na esperança. Não sabem o que perderam em não usufruir da esperança.
A esperança é uma poesia, pousada, há dias, num batente aqui de casa. Ninguém se agonia, ninguém tem medo da esperança.
A esperança, se um dia vier a ir embora, estará aqui sua lembrança.
Sosígenes Bittencourt

Thursday, December 29, 2011

Pensando na vida

Sou do tempo em que havia tempo de acompanhar a réstia do sol e contar estrelas. Sou do tempo em que o coral dos grilos orquestrava a sonoplastia das estrelas. Minha avó Celina botava perfume e penteava os cabelos para ouvir o jogo do Sport Club do Recife pelo rádio.
Eu queria passar o final do ano em Boa Viagem. Diz que tem muita lâmpada colorida, fogos de artifício, Jingle Bells, tanta mulher bonitinha e cheirosa que o coração fica pinotando de alegria. O mar roncando surdo e o vento assanhando o cabelo. Ficar de cara pra cima, vendo os arranha-céus. Ali mora uma família. Mas, tenho medo de assaltante. Talvez, eles queiram nos matar.
Eu estava conversando lorota. Um vendedor de picolé me apareceu.
- Chupe um picolé para me ajudar, professor.
- Eu posso até lhe ajudar, não sou obrigado a chupar coisa alguma.
A outra, foi assim:
- Professor, eu quero um dinheiro para ir pra Caruaru.
- Se eu pudesse, eu iria pra Caruaru com você. Contudo, o que é que você vai fazer em Caruaru?
Todo final de ano, a gente bota pra pensar nos mortos. Às vezes, naqueles que vão nascer. Até os que nem estão no ventre. Em verdade, ficamos pensando no vir-a-ser. Quem danado sabe o que vai acontecer? Um dia, fomos espermatozóide e óvulo. Um dia, estaremos num jazigo.
A morte é uma instituição democrática, fundada pelo tempo. Ninguém tem o direito de reclamar. Todos têm o direito de receber. Nunca mais eu fui ao cemitério. Ali, ensurdecem os que viveram, amaram e odiaram como nós, que seremos ossos, sem servir de conselho. Ontem, eu vi passar um enterro. As pessoas nunca tomam a morte como exemplo. Vivem pensando na vida.

Nesses dias, chega o Carnaval. O tempo é breve. No meu tempo, a gente pintava a cara e abria a porta para ver o caboclinho. Brincava de bisnaga. Relembrar é alongar a vida. Relembrar é abrir o livro de nossa história.
Eu nem sei a quem desejar um Próspero Ano Novo. Porém, mesmo assim, não custa nada desejar que você seja feliz, mesmo que não goste desta crônica.
Conversado abraço.
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, December 27, 2011

Para refletir



Caso nossa maior necessidade fosse informação,
Deus nos teria enviado um educador.
Se nossa maior necessidade fosse tecnologia,
Deus teria nos enviado um cientista.
Se nossa necessidade fosse dinheiro,
Deus teria nos enviado um economista.
Mas, uma vez que nossa maior necessidade era o perdão,
Deus nos enviou o Salvador.
Max Lucado

Foto

Rosto de japonesa

Esta é uma foto postada num site erótico japonês. Longe de ser uma imagem pornográfica, sugere o mais inebriante erotismo. De tão sugestiva, serviria até para enfeitar uma mensagem natalina, pela expressão angelical da menina. Nela, cabem todos os pensamentos. O erotismo difere da pornografia porque permite pensar. A pornografia é a degradação do nu, o erotismo é a sugestão do prazer. Um verdadeiro espetáculo!

Erótico abraço!

Sosígenes Bittencourt

Monday, December 26, 2011

Quadro de Frases

Vivemos num mundo onde precisamos nos esconder para fazer amor,

enquanto a violência é praticada em plena luz do dia.

John Lennon

Sunday, December 25, 2011

Acreditar

Acreditar em Deus e na Imortalidade da Alma não faz mal a ninguém, é lucro certo. Fé não é acreditar em algo que você não vê, é acreditar em algo que você sabe. Eu não vejo o outro lado do mundo, mas sei que ele existe. É noite, mas creio na aurora. Sejamos otimistas, cultivemos bons pensamentos, boas ideias, para que os nossos sentimentos sejam bons. Amar o belo enche de beleza nosso coração. Sejamos sábios, buscando compreender o que somos para melhor percepção do que temos. Reciclemos o ódio e a inveja, posto que ódio e inveja são lixos mentais, sejamos garis de nossas emoções. Estudemos nossos desejos antes de buscar a concretização de nossos sonhos. Vamos juntos, a reciprocidade facilita a busca, funda a compreensão, educa para o amor. Pensemos no que pensamos, pois o sentido da vida está no que pensamos da vida.
Filosófico abraço!
Sosígenes Bittencourt

Thursday, December 22, 2011

Quadro de Frases

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam,

e a prova das coisas que se não vêem.

Hebreus 11:1

Wednesday, December 21, 2011

Hipocrisias natalinas

O patrão triplicou sua riqueza, e os empregados triplicaram suas dívidas. Apesar dos pesares, todos têm de mostrar os dentes no banquete de confraternização. Para isso, é preciso moderar na bebida, ficar vigilante quanto aos rancores. Uma palavra errada, você pode abraçar o sol desempregado. Não cometa aventuras gástricas, exagerando nos comes e bebes, ninguém o perdoará se você adoecer e faltar ao expediente. Cuidado com intimidade excessiva, enxerimento é fatal na danificação de sua imagem. Se soltarem fogos de artifício, não reclame da zoada nem da fumaça, lembre-se de que o foguetório é para a empresa, não para você. Se o presente que você comprou, cair nas mãos do inimigo secreto, não reclame do destino, isso é feio. Se pedirem para você dar uma palavrinha, não se demore nem fale “difícil”, porque empregado não sabe de nada, quem sabe de tudo é quem venceu na vida, você é um fracassado. Afinal, quem tem tudo na vida é O Cara, quem não tem nada é O Descarado.
E Feliz Natal!

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, December 20, 2011

Cuidado com Janeiro

Obviamente que eu não diria “cuidado com o Natal”, porque o nascimento de Jesus não tem nada a ver com isso. Porém, diria que é preciso segurar a emoção com o lado consumista da festividade, para em janeiro não estar com a mão na cabeça, por causa da farra financeira. Segundo alguns discursos evangélicos ou pastorais, Jesus é razão.

Não há riqueza maior no ser humano, força mais criativa do que a emoção, mas é preciso administrar seus excessos com a intermediação da razão. Napoleon Hill já o disse: “O entusiasmo é a maior força da alma.” Contudo, ‘entusiasmo’ deriva de “em + Teos”, ou seja, com Deus na alma, em estado de graça. Não adianta você cobrir-se do supérfluo, para depois carecer do essencial.

“Cuidado com Janeiro” significa “cuidado com as dívidas”. Outro dia, vi um economista dizendo que ninguém trabalha para pagar contas, trabalha para se manter. Quem recebe para pagar, não recebe, transfere. Ademais, é preciso confeccionar um colchão de segurança, para nas vacas magras ter como se socorrer. Não vá com tanta sede ao panetone, lembre-se do pão nosso de cada dia.

Prudente abraço!

Sosígenes Bittencourt

Monday, December 19, 2011

Pé de Pitanga

Debruçado sobre o muro aqui de casa, um pé de pitanga vigia a rua. Mulheres que vêm de bairros distantes passam, de braços dados, a admirá-lo.

- Êi, Maria, vê quanta pitanga!

As pitangas, suspensas no ar, parecem se balançar de vaidade, olhando para lá e para cá.

- Menina, e tem de toda cor!

Alguns pinguços também já as admiraram, lambendo os beiços, ébrios de desejo.

- Isso dá um tira-gosto arretado!

Sinto-me contente com tamanha dádiva. A eugenia uniflora, que dá em quintais, empertigada no canto do muro do meu terraço. Sei que a drupa globosa é comum na Mata Atlântica brasileira e na Ilha da Madeira em Portugal. Ao sol vesperal, parecem mimos caídos do céu, esses novelos de cálcio coloridos d'aquém e d'além mar.

Bem sei que alguns a futucam com um pau, no intuito de fazer um ponche, chupar minhas pitangas. Nem por isso vou "chorar as pitangas", me aperrear, ficar me lamuriando. Aliás, lembra-me a célebre reflexão do revolucionário francês Babeuf: Os frutos da terra pertencem a todos, e a terra, a ninguém.
Sou um homem feliz, porque, em meio à struggle for life (luta pela vida), tenho tempo de parar para observar minhas pitangas e produzir esta crônica.

Mimoso abraço!
Sosígenes Bittencourt

Sunday, December 18, 2011

A Praça da Matriz

Quem nunca elogia, fica sem credibilidade para criticar. A reforma na praça ficou, sobretudo, educativa. É uma obra que merece respeito. Afinal, foi feita para o povo, com o dinheiro do povo. Não foi feita para o prefeito nem com o seu dinheiro. Agora, cabe-lhe fazer a manutenção, e a população preservar.

Dentre outras providências, também concordo com a proibição de galeteria no local, para não emporcalhar o ambiente; limitar o número de mesas, para não juntar corriola de alcoólatras; não consentir que o Carnaval circule a praça, porque vão pisar nos jardins, atirar cotoco de cigarro para o ar, subir nos bancos, regar as plantas com mijo.

A praça está com cara de Primeiro Mundo, mas a população, de um modo geral, ainda é africanalhada. Não adianta tergiversar. Basta observar o que fizeram com a Praça da Restauração, onde a rafameia pita marijuana, toma o alheio e faz nenen a céu aberto.

Sincero abraço!

Sosígenes Bittencourt

Thursday, December 15, 2011

Quadro de Frases

Pobre gosta é de luxo, quem gosta de miséria é intelectual.

Joãosinho Trinta

Wednesday, December 14, 2011

Bebedeira em praça pública

Acho que nem os alcoólatras concordariam com a venda de bebidas alcoólicas em praça pública. A safadeza de se conceder boteco em praça foi que afugentou os idosos e as crianças desses espaços públicos sagrados. Promoveu poluição visual e sonora, o que me levou a construir uma frase em cima da célebre reflexão poética de Castro Alves. O poeta baiano disse: A praça é do povo, como o céu é do condor. Eu diria: A gandaia tomou a praça do povo, e a poluição, o céu do condor.
Na minha humilde concepção, privatizar espaço público é conceder apropriação indébita. Parece estelionato, obtenção ilícita de vantagem, em prejuízo alheio. São dois envolvidos, o politiqueiro e o paparicado.
Sabido é Júlio Lossio, o prefeito de Petrolina. Quando o Procurador Geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon, foi receber a medalha Senador Nilo Coelho, ele atravessou na frente e implorou a proibição de venda de bebidas alcoólicas nas praças públicas do município. Ora... nem os alcoólatras inveterados têm argumento para reprovar a medida. Tem bebarrão que adora sua família. Ele morre no fundo de um barraco, mas deseja que os seus parentes sejam felizes. Muitos morrem de tristeza, sufocados pelas garras do vício.
Governante sério não tem compromisso com alcoólatra, a não ser com o seu tratamento. Afinal, praça é espaço público, e espaço público é para todos. Se os bêbados invadem, os lúcidos perdem a oportunidade de usufruí-lo. Nenhum lúcido quer correr o risco de se sentar ao lado de um papudinho, acompanhado de sua mãe, esposa ou filhos.
Portanto, equivocado estará o político que pensar que sua popularidade depende de mimar vendedor de birita, corriola de cachaceiros, de promover cachorrada na via pública. Isto é imaturidade.
Confuso abraço!
Sosígenes Bittencourt