Wednesday, November 05, 2014

SEIOS EM PROSA E VERSO



Numa laureada paródia, chamada “As flô de Puxinanã”, o poeta Zé da Luz descreve três mulheres que conheceu, das quais desejava morrer nos braços da mulher dos dois “cuscús”. Eis a revelação no seu linguajar folclórico e debochado.
Inscuiendo a minha cruz
prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscús!
Certa vez, o sociólogo Gilberto Freire referiu-se a CAJUS, comparando-os a SEIOS de moça bonita. Aqui, em casa, há uma minicuscuzeira que reproduz até o bico do peito na guloseima de milho. Obviamente que o caju poderá ser chupado, numa alegórica amamentação botânica, enquanto o cuscuz só poderá ser mastigado ou sorvido ao leite.
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, November 04, 2014

LEITURA DA REALIDADE



É preciso fazer boa leitura da realidade. Porque o mal que se percebe pode ser o princípio de um bem a ser percebido.
Quando o náufrago construiu sua casinha de palha para se abrigar da tempestade, a casinha pegou fogo. Ele, apavorado, queixou-se de Deus. Aí, Deus apresentou-lhe um navegador para salvar-lhe a vida o qual havia avistado a fumaça lá do oceano. Quer dizer, o náufrago percebeu um mal no fogo, porque não percebera o bem que havia na fumaça.
Sosígenes Bittencourt

Sunday, November 02, 2014

PASSA O DIA DE FINADOS

Passa o Dia de Finados
tão rápido quanto fora a vida dos finados.


Ninguém desejaria que os finados voltassem
ao mundo para findar outra vez.
Já nos basta morrer uma vez.
Porque só os finados estão livres da morte.
Sobretudo, do medo da morte.


Seria suprema malvadeza do destino nos impor
mais de um fim, embora morra nossa infância,
nossa adolescência, nossa mocidade
e sigamos vivos, vivos até o fim derradeiro.


Passa o Dia de Finados.
E perpassam os finados que conhecemos.
Parece até que os vemos.
De preferência, sorrindo. O mesmo jeito,
a mesma voz, os trejeitos, o figurino.
Nós é que ficamos tão diferentes. 

Talvez, nem soubéssemos conversar com os finados,
como antigamente.

Sosígenes Bittencourt

Friday, October 31, 2014

NÃO RIA SE PUDER



- Painho, deixa eu ir para a festa do Halloween!
- Pra ver o que no Halloween, meu filho?
- Pra ver as bruxas, painho!
- Não precisa, meu filho.
- Por que, painho?
- Você já dorme com a sua mãe todas as noites, meu filho.
Sosígenes Bittencourt