Wednesday, February 01, 2017

PRIMEIRO ATO



Manhã cedinho, ponho-me a lidar com as palavras.
Leio desde quando não sabia ler e escrevo desde quando não sabia escrever.
Ver é natural, ler é intelectual.
Penso, logo escrevo. Escrevo, logo sou lido. Sou lido, logo existo.
Ensinar, para mim, é uma forma de conviver, minha escola é o mundo.
Eu não faço poesia de propósito, faço poesia quando a beleza passa.
Eu não sou egoísta, por isso conto a poesia pra todo mundo.
Sosígenes Bittencourt

MORTE DE RAMINHO, FOTÓGRAFO



Consolemo-nos, à passagem do nosso querido amigo Raminho, com os versos do filósofo grego, do período helenístico, Epicuro de Samos (341-270 a. C.):

A morte não é nada para nós,
pois, quando existimos,
não existe a morte, e,
quando existe a morte,
não existimos mais.


Raminho, agora és detentor
de um segredo só a ti revelado.
Raminho, tu eras como nós somos
e nós seremos como tu és.


Até breve, amigo!

Requiescat in pace!
Sosígenes Bittencourt

Thursday, January 26, 2017

A MÚSICA E MINHAS EMOÇÕES

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) deduzira: Sem a música, a vida seria um erro.
Depois, chamam-me de hiperbólico quando descrevo minhas emoções musicais. Quando a dosagem é exagerada, é natural que o efeito seja um exagero.
O filósofo francês Voltaire (1694-1778) já apregoava: Tudo que entra pelo ouvido vai direto ao coração.
Não foi, em vão, que a mitologia personificou a música na deusa Euterpe, cuja etimologia resume-se em "a doadora de prazer". E eu não quero me curar de nada que me dá prazer.
Sosígenes Bittencourt

Monday, January 16, 2017

CRISE PRISIONAL E MEDO



Se você perguntasse que sentimento deveria nos provocar a realidade dos presídios brasileiros, eu diria “medo”. Óbvio. Ora, se os presos não têm segurança nos presídios, que segurança temos nas ruas, ou mesmo dentro de nossas residências.  O único lugar onde não deveria haver crime era onde os criminosos pagam pena por crime. A lógica é implacável. Do ponto de vista jurídico e estatal, trata-se de uma aberração. Agora, imagine se todos os meliantes estivessem nos presídios? No Brasil, há uma mesma quantidade de criminosos perambulando pelas ruas, indo a missa, comemorando aniversário e trocando soco em teatro de futebol.
Por outro lado, superpopulação carcerária também é agravada pela falta de assistência jurídica aos detentos. Há detentos que cumpriram pena e estão engaiolados, fumante de maconha preso como traficante e ladrão de galinha sem ser julgado. Depois, reclama-se da expansão dos Comandos do Crime, que se alastra, com a cooptação de novos soldados para os seus exércitos, cuja conversão pode ser sacramentada dentro dos próprios presídios. Ou você se filia a um deles, ou não terá segurança, se é que filiar-se lhe assegura a preservação da vida.
Todas as medidas que devem ser tomadas são conhecidas, mas há meio século deveriam ter sido tomadas. Porém, preocupação com preso só quem sente é a mãe do condenado. Político não quer saber de preso matando preso, preso matando policial nem policial eliminando criminoso, investir no combate a esta guerra intestina não lhe rende dividendo eleito. Aliás, se o fizer de mau jeito pode até custar-lhe a vida.
Enfim, é proibido traficar droga no Brasil? É proibido roubar no Brasil? No papel é, mas nas mentes, não. Pois, trafica-se droga e rouba-se nos presídios. Às vezes, no Congresso Nacional.  
Sosígenes Bittencourt