Friday, March 10, 2017

PARA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER



I
Eu vi a insuportavelmente linda Linda Blair.
Linda era negócio pra cinema.

Quiseram torná-la feia, possuída pelo demônio,
para alguém exorcizar.
Mas, Linda teimava em ser linda,
e a plateia teimava em amar.

Foi Linda que me inspirou a oração:
Para quem aprecia e quer,
todo dia é Dia Internacional da Mulher.

II
Se desaparecessem todas as mulheres do mundo, eu mandaria dar baixa na minha Carteira Profissional. Não iria trabalhar para sustentar um solitário como eu.

III
A mulher é uma faculdade que eu não consigo terminar.
Quanto mais estudo, mais mistério a desvendar.

IV
A minha vida é suspender o véu do preconceito para enxergar o íntimo da mulher.

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, March 07, 2017

UM CERTO DOMINGO



Um certo domingo, corria o ano de 2010, eu assistia a uma reprise do Conexão Internacional, quando apareceu o jornalista e escritor carioca Carlos Heitor Cony, sendo entrevistado por Roberto D'Ávila.

Engraçado, disse simpatizar os cínicos, desde Sócrates a Machado de Assis e Jean-Paul Sartre. Disse que há uma diferença entre o escritor e o cronista. O escritor vive no fundo do mar, e o cronista, no aquário. O escritor tem de traçar seu caminho para ser notado, o cronista vive na vitrine. E acabou citando uma frase de Rabelais: "Não tenho nada, devo muito, o resto dou pros pobres."
Ainda vi, neste programa, o físico Marcelo Gleiser dizer que "A terra pode ficar perfeitamente feliz sem a gente, mas a gente não vive sem a terra."

Dá para esquecer semelhante domingo há 17 anos?
Dominical abraço!

Sosígenes Bittencourt

Monday, February 27, 2017

VIOLÊNCIA NO CARNAVAL DE VITÓRIA - PE



Não seria de estranhar violência no Carnaval de qualquer cidade que se embriaga, ouvindo música que trata a mulher como objeto sexual. Uma “lapada na rachada”, ou seja, a comparação do coito com uma carnificina. E a mulherada põe óculos escuros, mira o smartphone e se requebra para o mundo, como se estivesse num céu aberto. É o culto à “bundomania” nacional com o quadril em rotação sexual. Os decibéis são ensurdecedores para ninguém ter que parar para pensar. É proibido sofrer, e refletir sobre o que se está fazendo, pode suscitar constrangimento. Nada é feito para espantar a tristeza, mas para escondê-la.
Este discurso parece preconceituoso e de cunho moral, com ressaibos de puritanismo, mas não é. Pergunte a uma senhora que perdeu o seu filho, e ela responderá: “Eu disse tanto a meu filho que deixasse essa vida. Coração de mãe não se engana.”
No tempo de eu menino, havia um ditado que concluía: Por trás de toda desgraça do mundo, há três coisas, e, às vezes, as três juntas: dinheiro, bebida e mulher.
Eu acrescentaria que não são as três coisas em si, mas a maneira como aprendemos a lidar com elas.
Misericordioso abraço!
Sosigenes Bittencourt