Sunday, October 02, 2011

Fala, Vitória

A última festa

Este é o portão da garagem da casa de minha genitora, professora aposentada, aos 76 anos de vida, enfrentando os achaques da velhice e naturalmente precisando de sossego. Sábado, à tardinha, o alvoroço era enorme por conta de festa que iria acontecer no Clube dos Motoristas O Cisne, quando 3 conjuntos se apresentariam, para lucro e distração de uns e insônia dos moradores do bairro. Um caminhão que carregava apetrechos para o local do evento, pilotado por um senhor completamente embriagado, veio de ré e enfiou-se no portão, danificando também o carro de minha sobrinha estacionado ao lado. Se o meu menino, de 14 anos, não tem saído da frente, hoje estaríamos contemplando seus retratos. O patetê já está nas mãos da Promotoria da Cidadania e nas Pequenas Causas. Não obstante, a festa rolou até às 7 horas da matina, sem Pai Nosso de penitência. O pessoal saiu na maior algazarra, bradando palavrões, esfregando as virilhas, urinando nas calçadas, deixando um vendaval de lixo no ar. Tubinho de loló, camisinha de vênus, copo descartável, caco de vidro, o diabo a quatro. Bendito era o Cabaré de minha mocidade. Nunca vi ninguém dar uma tapa num gato. Outro dia, deram um pau num adolescente na frente desta mesma garagem que a empregada passou meia hora esfrengando o sague coalhado da vítima. Por isso, acabaram com festa no Golden Gol e na AABB. A pergunta é a seguinte: Será que os promotores dessas festas gostariam desses expedientes na frente de suas residências? Esperamos que essa tenha sido a derradeira anarquia aqui no bairro.

Esperançoso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Saturday, October 01, 2011

Um estudioso que dança

- Professor, onde é que o senhor arruma tanta história pra contar?

- Não sou eu que arrumo, minha filha, é a vida que me mostra e, aí, eu saio contando.

- Mas, o senhor não é um dançarino?

- Não, minha influenciada, eu não sou um dançarino que estuda, eu sou um estudioso que dança.

- Mas, quando é que o senhor estuda?

- Quando você não me vê. Mas, vou providenciar um carro alegórico para desfilar e todos me acompanharem durante as horas e os dias em que estudo.

Peripatético abraço!
Sosígenes Bittencourt

Friday, September 30, 2011

Prudência é muito mais

Há quem pense que Prudência é cautela, cuidado, e até confunda com temor. Prudência é muito mais. Às vezes, Prudência é ser violento na medida e hora adequadas. Seria, no caso, o bom uso da ira. Nenhum sentimento é bom ou mau, mas o que se faz com o sentimento. Na mitologia grega, Prudência é Métis, uma das esposas de Zeus, deus do Céu e das tempestades, deus dos deuses. Quando Métis engravidou, a deusa Gaia profetizou que ela teria um filho que destronaria o pai. Zeus, então, arretado com aquela caduquice, convidou Métis para brincar de metamorfosear, ou seja, um transformar o outro no que quisesse. Contente com a ideia, Métis se prestou para a artimanha. Sabido, Zeus transformou Métis numa mosca e a engoliu. Passados alguns dias, Zeus teve uma dor de cabeça da gota. Apavorado com a dor que só aumentava, convidou Prometeu a abrir-lhe uma fenda no cocão, delicadamente, com um machadinho. Foi daí que nasceu Atena, deusa da sabedoria, exatamente por haver sido gerada na cabeça, sede da razão e da inteligência. Copiou? Pois bem, observe o que aconteceu, certa vez, numa cidade, cujos personagens, agora, são reais.

O bêbado e a prudente

Morava numa ruazinha de uma cidade interiorana, um casal, cujo marido dava porrada na mulher todos os dias. Tomava as cachaças safadas dele e baixava a ripa na genitora dos seus filhos. A mulher urrava, os meninos choravam, uma cena de dilacerar o coração. A vizinhança não aguentava mais, sobretudo as mulheres, e resolveram insuflar na vítima a ideia de exterminar o seu carrasco, aniquilar o seu algoz. Certo dia, o doido saiu de casa ameaçando-a de morte. Avisou que iria tomar uma carraspana e voltaria para matá-la. Aí, foi o momento assaz oportuno para se prever o que aconteceria. As vizinhas entupiram um bacamarte de pólvora e deram-lhe para receber o seu prometido assassino. Quando foi lá para as tantas, à boquinha da noite, lá vem o bêbado trôpego, espumando de ódio. Porque, além de massacrar a mulher, ele ainda morria de raiva da pobre coitada. Descarregava nela seus traumas, liberava seus demônios. Quando, porém, entrou em casa e disse que chegara para cumprir a ameaça, deu de cara com a mulher sentada na cozinha, com o bacamarte encostado na ponta da mesa e voltado para o seu peito.

- Mulher, eu não disse que vinha te matar!...

- Estava enganado, você vinha morrer.

E detonou no ébrio, que seus pedaços voaram na parede. O palco ficou lambuzado de sangue e carne triturada. Do quintal, as vizinhas já gritavam: - Atira nele, Fulana! Agora, minha filha! Vai, Fulana! Ele vai te matar, abestalhada!

Bummmmmmmm! Haviam colocado pólvora demais. Elas entraram na casa, pegaram na mão da mulher e a levaram para a Delegacia.

- Vamos, minha filha, dizer que você matou esse desgraçado!

Prudente abraço!

Sosígenes Bittencourt

Thursday, September 29, 2011

Fala, Vitória

Proibido Perturbar

Vocês sabem o que é isso, ou não? É um flagrante de uma das derradeiras anarquias que aconteceram no Clube dos Motoristas O Cisne. E, pasmem, é na via pública. Imagine o horário e os decibéis deste carro-falante. A velharada não dorme, não assiste televisão nem tem o direito de sonhar. Isso, há décadas. Os inventores das festas alugam o buraco, promovem a bagunça, ensacam a grana, deixam um rastro de lixo pelo caminho e dão o pira. Agora, depois que a Promotoria de Cidadania bota moral, manda interditar o cabaré, a macacada corre atrás da Justiça pra pedir clemência. Esse pessoal é muito cara de pau. Por que não promovem essas patifarias na frente de suas casas e nos chamam para a farra? Eu sou do tempo em que cabaré era opção. Você trocava de roupa, botava perfume e ia para a Zona de Baixo Meretrício namorar. Hoje, basta um abilhudo querer abiscoitar um tutuzinho, tem cabaré na sua rua e garota safada pra danar. Cabaré, gentalha, é escolha. Tem gente que enfia a Bíblia debaixo da pata e vai rezar. Tudo é opção. Estão confundindo liberdade com esculhambação. Por isso, tem novela mostrando as virilhas para a meninada e beijos de desentupir pia à Hora do Ângelus.

Muito bem, promotores e promotoras, deixem essa toca fechada. Vocês são executores das leis, seus escravos, não são donos da lei, são aqueles que transformam a "palavra" em "ação", a "lexis" em "praxis".

Agradecido abraço!

Sosígenes Bittencourt

Wednesday, September 28, 2011

Greve de Banco

Tem umas coisinhas com que eu implico. Por exemplo: Greve de Banco, para mim, é safadeza. Não da categoria dos bancários, mas da ambição dos banqueiros. Sobretudo, hoje, quando se sabe o lucro semestral dessas casas de dinheiro.

É muita safadeza. Eles enricam às custas dos clientes e da crucificação dos funcionários. O cara trabalha feito um burro de carga, é xingado pelas filas kilométricas que tem de enfrentar e não pode cochilar, senão paga diferença de caixa. Sacou?

Depois, a clientela analógica, que precisa ir ao caixa humano, toma uma cera desgraçada, além de ter o dinheiro surrupiado de sua conta. Bota um tostãozinho lá e volta seis meses depois. Tem tanto desconto de taxa que você fica com cara de tacho. Acho que descontam até o ar que o cliente respira. É uma verdadeira esculhambação.

Tirânico abraço!

Sosígenes Bittencourt

Wednesday, September 21, 2011

Quadro de Frases



O sentimento segue aquilo que amamos. O problema, portanto, não é sentir, mas amar as coisas certas.

Olavo de Carvalho

Monday, September 19, 2011

Sem plano pras mangas

Há dois profissionais que deveriam ser bem remunerados: o professor e o médico. O professor, porque educa; o médico, porque salva. O professor forma o médico, e o médico salva o resto. O médico parece um intermediário entre Deus e a criatura. Sem médico, você pode morrer de uma cólica, de um pigarro, de uma dor de cotovelo. No entanto, quem ganha dinheiro é político e jogador de futebol. Político, porque pega no dinheiro do povo e compra o próprio povo. Jogador de futebol, porque o povo troca o pão pelo circo. Para ser político, basta querer, nem precisa ser bom da bola. Para ser jogador de futebol é preciso saber lidar com a bola, nem precisa ter juízo. Médico em greve é consequência de incompatibilidade entre trabalho qualificado e exaustivo, extrema responsabilidade e ninharia salarial. Não é brincadeira um médico ganhar o que ganha para trabalhar 24 horas por dia, e um jogador ensacar uma fortuma para correr atrás de bola duas vezes por semana. A categoria vai ficando revoltada, meu Deus. Jogador toma salva de palmas e fogos de artifício. O médico, quando salva, o paciente quer mais esquecer. Ninguém quer ir a médico, quer ir ao jogo. Por isso, os esculápios se sentem esculachados. Terminam tirando o jaleco e cruzando os braços. Desobedecem o Juramento de Hipócrates de Cós. Depois, esses Planos de Saúde arrecadam, arrecadam e sofrem de má vontade. Querem tratar médico como balconista de loja. Vá ver que tem nababo surfando sobre a grana, e o médico sem plano pras mangas.

Irremediável abraço!

Sosígenes Bittencourt

Fala, Vitória



O trio de radialistas que aparece na foto é composto por três tagarelas do rádio vitoriense. Da esquerda para a direita de quem vê, são eles: Breno Ramos, Samuca Voice e Francisco Lima. Breno atende pela metonímia 'A Pérola Negra do Rádio', Samuca é o versátil, e Francisco Lima é o disc jóquei dos recadinhos amorosos. Mas, o presente que recebi de Breno Ramos não é coisa só de rádio, é negócio pra cinema. Duas edições de sua coletânea de Sucessos do Rádio, intitulada "Saudade Antiga". Na foto, a edição nº 4. A foto deve ser da Rua do Bom Jesus, lá em Recife. Dá só uma sacada no cardápio musical que o menino de Campo Grande pescou para nós.
Hebe Camargo - Quase
Núbia Lafayette - Eu te amo
Dolores Duran - Estrada da Saudade
Emilinha Borba - Dez anos
Maysa - A noite de nós dois
Dalva de Oliveira - Vida da Minha vida
Francisco José - Nem às paredes confesso
Altemar Dutra - O troco
Miltinho - Meu nome é ninguém
Miguel Ângelo - Prova de amor
Cauby Peixoto - Inveja
Roberto Silva - Espelho da vida
Silvinho - Amor Proibido
Paulo Molin - Serenata Suburbana
Nelson Gonçalves - Doidivana
Francisco Egídio - Abandonado coração
Orlando Dias - Mentiste-me
Anísio Silva - Meu tema é você
Sosígenes Bittencourt

Saturday, September 17, 2011

O bom tratamento

O ser humano é cativo do bom tratamento.
Há diferença entre VER e OLHAR, OUVIR e ESCUTAR.
Olhar é ver com atenção. Escutar é ouvir com atenção.
Há quem conquiste, mostrando.
Há quem conquiste, olhando.
Há quem conquiste, falando.
Há quem conquiste, escutando.
A paciência é a maior das virtudes,
porque não há virtude sem paciência.
Sosígenes Bittencourt

Friday, September 16, 2011

Fragmentos (Retrospectiva)


Há 24 anos

No silêncio dos motéis, multiplicam-se as sementes do aborto.
Na cidade, todo dia, dorme um homem sadio e acorda candidato a vereador.
Os estudantes do vestibular sempre acharam Drummond “uma pedra no meio do caminho”.
A televisão não ensina a pescar, ensina a desejar o peixe.
A Demagogia é o governo do governo, pelo governo, para o governo.
Tomou um choque, agarrado na conta da luz.
(Setembro - 1987)

Há 23 anos

O presidente, por ocasião do desfile, foi aplaudido com a boca.
O Brasil deverá ser campeão olímpico em arremesso de empregado ao olho da rua.
A ideia de que fumar é prejudicial à saúde deve ser intragável para o fumante inveterado.
Não sou candidato a vereador, sou candidato a eleitor.
(Setembro - 1988)
Sosígenes Bittencourt

Preconceituoso?


Eu não sei por que as pessoas fazem questão de contar na barbearia, na manicure, na praça pública, suas intimidades sexuais. Depois, achando pouco, dão-se as mãos e saem em passeata. Porra, se você gosta de transar num tanque de mijo, isso só interessa a você e sua caça. Por que tem que sair com um penico na cabeça e um microfone na boca revelando essa bizarria? E ainda vêm me chamar de preconceituoso. Meus avós nunca desfilaram para decretar que eram heterossexuais. Eu nunca fiquei numa esquina bradando que gostava de mulher, apalpando a nádega alheia. Eu acho que estão confundindo liberdade de expressão com desrespeito, esculhambação e injúria. Sabe qual o resultado disso? Esquizofrenia coletiva. Se você for educado, conjugar o verbo no pretérito mais-que-perfeito, já estão pensando que você é menina. Se você se acocorar na calçada e der um caramelo a um guri, já estão pensando que você é pedófilo. Vamos fazer as coisas entre quatro paredes, macacada. Sexo é prazer pessoal, você pode passar por dentro do outro, cada um sente prazer com as suas virilhas. Tá ligado?

Equivocado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, September 13, 2011

Eu em Recife.

Isso sou eu, em Recife, no dia em que fui dar uma aula inaugural a uns alunos de Engenharia na Universidade Federal de Pernambuco. Fiquei ancho com a recepção. Foi a primeira vez que senti uma incontrolável vaidade intelectual. Os estudantes ficaram atentos, eu discursando sobre O Milênio do Saber. Ai de quem não souber; será portador de deficiência. A motivação foi recíproca, em mão dupla, os alunos me motivaram. Fui falar uma coisa, falei uma miríade. Parecia o homem da cobra. Senti, pelos corredores da Universidade, a circunspecção de uma procissão de lentes. No campus, a aragem do porvir. Principalmente, minha morte. Depois, fomos a um restaurante numa avenida movimentada da cidade. De frente para a calçada, vi um Recife encimentado sobre o Recife que vi quando menino. Aqui e acolá, um fragmento do Recife de Gilberto Freyre se balançando na Vivenda de Santo Antônio de Apipucos, de João Cabral de Melo Neto com sua invenção de vidas severinas, de Manuel Bandeira e sua cabeçorra vigiando a Rua da União.

O garçon: - O sanitário dos homens fica ali. Não deixe o celular na mesa. Os meninos levam.

Eu, ingênuo: - Que meninos?

O garçon: - Qualquer um.

Putz! Levar celular já faz parte de nossa cultura. Assim como não ceder a poltrona do ônibus aos idosos e, sobretudo, mulheres emprenhadas. Aí, lembrei-me do poeta Mauro Mota, para o meu consolo: "Quem morre, em Recife, engana a morte."

Saudoso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Saturday, September 10, 2011

Diálogo

Lady Astor: - Winston, se você fosse meu marido, eu iria temperar o seu café com veneno.

Winston Churchill: - Madame, se eu fosse seu marido, eu iria bebê-lo.

Fala, Vitória

GRAMATICALMENTE INCORRETO

Soube do erro crasso perpetrado através de matéria publicada em um blog da cidade. "A Independência do Brasil, é uma conquista de todos." Claro que não se usa vírgula, separando o sujeito do predicado na ordem direta.

Essa aberração é proveniente da pouca importância que se dá à Língua Portuguesa, à Cultura, ao Conhecimento, tanto por parte dos governos, como por parte do povo.
O governo, porque não privilegia a educação; o povo, porque não busca aprender.
Por isso, Garota Safada junta 5 mil pessoas na minha rua e gatos pingados vão a uma palestra.
Agora, é bom salientar que a situação dos políticos já não é a mesma depois da internet. Antigamente, o político escalava o palanque, falava, e o povo ouvia. Hoje, no momento em que o político está falando, a internet está registrando, e os internautas dando opinião em tempo real.
Separar o "sujeito" do "predicado" numa oração, estampada sobre prefeito e corpo administrativo, no Dia da Independência(?) do Brasil, é prova cabal de que o presente a que chegamos denuncia o passado que tivemos.
Relaxado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Friday, September 09, 2011

O Porco


(Recebi este texto por e-mail e resolvi postar no blog, tanto para poder acessá-lo sempre que quiser, como para disponibilizá-lo aos meus leitores. Boa leitura, boa sorte e aquele abraço! Sosígenes Bittencourt)


Aos amigos que sempre "carregaram o piano".
Quando estiverem desanimados lembrem-se do PORCO!

Um fazendeiro colecionava cavalos e só faltava uma determinada raça. Um dia ele descobriu que seu vizinho tinha este determinado cavalo. Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo. Um mês depois, o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário que disse: - Bem, seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento durante três dias. No 3º dia, eu retornarei e caso ele não esteja melhor será necessário sacrificá-lo. Neste momento, o porco escutava a conversa. No dia seguinte, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo e disse: -Força amigo, levanta daí senão será sacrificado!!!.
No segundo dia, deram o medicamento e foram
embora. O porco se aproximou novamente e disse:
- Vamos lá amigão, levanta senão você vai morrer! Vamos lá, eu te ajudo a levantar. Upa! Um, dois, três...
No terceiro dia, deram o medicamento e o veterinário disse: - Infelizmente vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.
Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse: - Cara, é agora ou nunca! Levanta logo, upa! Coragem! Vamos, vamos! Upa! Upa! Isso, devagar! Ótimo, vamos, um, dois, três, legal, legal, agora mais depressa, vai... fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa! Você venceu campeão!!!
Então, de repente, o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou: - Milagre!!! O cavalo melhorou. Isso merece uma festa! Vamos matar o porco!

Pontos de Reflexão: Isso acontece com freqüência no ambiente de trabalho. Ninguém percebe qual é o funcionário que realmente tem mérito pelo sucesso, ou que está dando o suporte para que as coisas aconteçam.
Saber VIVER sem ser RECONHECIDO é uma ARTE!
Se algum dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se: amadores construíram a Arca de Noé, e profissionais, o Titanic.
Procure ser uma pessoa de VALOR, ao invés de ser uma pessoa de SUCESSO!

Thursday, September 08, 2011

Análise Sintática do Hino Nacional


Na realidade, "do Ipiranga" faz parte do sujeito da oração, mas o núcleo é "margens", ou seja "As margens plácidas do Ipiranga".

Portanto, vamos remontar a oração, colocando-a na ordem direta:

As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.

E margens ouvem? Metaforicamente, sim.

As margens plácidas (calmas, tranquilas)

do (riacho) Ipiranga

ouviram o brado (grito) retumbante de um povo heróico (o povo brasileiro, ali representado por Dom Pedro I, que bradou: Independência ou Morte!

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, September 06, 2011

Fala, Vitória

Esculhambação no bairro do Cajá

Caramba, a coisa ficou preta , ontem, na minha rua, por ocasião de festa promovida no Clube dos Motoristas, O Cisne. Logo às vésperas da parada militar, do Dia da Independência. Trouxeram um conjunto não sei de onde, pra tocar não sei o quê, e não sei quem varou a madrugada, desrespeitando o Art. 42, da Lei de Contravenções Penais, que versa sobre a perturbação do sossego alheio. A macacada invadiu a via pública, estacionou o carro movido a estrondo, botou música que homenageia corno e prostituta, e acordou a velharada romântica, que ficou perambulando por dentro de casa, sem poder dormir. Quer dizer, por que os promotores dessas festas não fazem uma esculhambação dessa na porta da casa de suas genitoras? Afinal, foram elas que os pariram, elas que os excretaram. Vêm afanar a grana no batente dos outros, não trazem suas famílias e não têm a ombridade nem de convidar a Polícia para a festa. Depois, deixam um rastro de lixo no meio do caminho e fogem com o tutu surrupiado dos trouxas. Porque o cara que paga pra ouvir aquilo não tem um pingo de juízo e está entregando a migalha ao bandido. Êi! otário, os caras que comeram teu dinheiro odeiam esses conjuntos! Machado de Assis dizia que toda cidade tinha que ter um doido, para chamar as pessoas à razão. Sei que não funciona, mas vale a pena ser esse doido. Cabaré é opção, não pode ser imposto a ninguém. Uma coisa é você trocar de roupa, botar perfume e ir ao cabaré, outra coisa é o cabaré vir para sua porta. Eu não sou puritano nem quero ser, mas nunca fiz bagunça na porta dos outros. Sou do tempo em que não se fazia passeata para revelar preferência sexual. Daqui a pouco, vão desfilar, para revelar os prazeres mais bizarros. Vão requerer o direito de não ser molestado porque transam com galinhas. Por que não fazem passeata para defender o direito de roubar? Ora pinoia!

Esculhambado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Friday, September 02, 2011

FRAGMENTOS

Novo Grito de Independência: Educação ou Morte!
Sosígenes Bittencourt

Thursday, September 01, 2011

FRAGMENTOS

Forte não é quem bate, mas quem defende.

Rico não é quem tem, mas quem ajuda.

Inteligente não é quem humilha, mas quem ensina.

Sosígenes Bittencourt

Você é um exemplo

Um amigo das antigas me procura desesperado.
- Professor, o meu menino está bebendo.
- E o que você está pensando em fazer?
- Não sei. Não tenho autoridade.
- E por que você não tem autoridade?
- Porque eu bebo.
- Então, sirva-lhe de exemplo.
- Que exemplo?
- O mal exemplo.
- Como assim?

- Dê-lhe o conselho e mostre como você está. Pergunte se ele quer terminar como você está. Só não fique calado, para não morrer de remorso. Fale brando, mas firme quanto ao seu erro. Você não precisa ser arrogante, seu reflexo é o maior discurso que você pode dar.

Exemplar abraço!

Sosígenes Bittencourt

A poesia é essencial


“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,

apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas

e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si,

mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica,

mesmo que injusta...

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo."

Fernando Pessoa

Wednesday, August 31, 2011

Deputados absolvem Jaqueline Roriz de Calcutá

Nem envolta nas vestes de Madre Teresa, Jaqueline parece uma santa. Madre Teresa era mais serena. Jaqueline é meio atarantada, coitada. Nem se lembra de que já chamou a deputada Eurides Brito de "cara de pau", quando Eurides teve o mandato cassado, em 2009, porque recebeu dinheiro de Durval Barbosa. Atacada de amnésia, Jaque recebeu também. Engraçado é que recebeu do próprio Durval. Tem jeito?

Só que os deputados resolveram não cassar o mandato de Jaqueline, concederam-lhe absolvição. E daí? Também, pudera, amanhã eles podem cair na mesma esparrela. Então, por que condená-la? A pergunta que se impõe é a seguinte: E a gente? Quem nos absolverá? Cabe aqui relembrar Stanislaw Ponte Preta: Instaure-se a moralidade, ou nos locupletemos todos.

Desmantelado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Monday, August 29, 2011

Estudando Português

Diferença entre orações causais e explicativas
Quando vamos estudar as Orações Subordinadas e Coordenadas geralmente nos deparamos com a dúvida de como distinguir uma Oração Subordinada causal de uma Oração Coordenada explicativa. Veja os exemplos:

1º) Na frase "Não atravesse a rua, porque você pode ser atropelado": Temos uma Oração Subordinada Explicativa, que indica uma justificativa ou uma explicação do fato expresso na oração anterior. As orações são coordenadas e, por isso, independentes uma da outra. Neste caso, há uma pausa entre as orações que vêm marcadas por vírgula.
Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado.

2º) Na frase "Precisavam enterrar os mortos em outra cidade porque não havia cemitério no local.": Temos uma Oração Subordinada Causal, já que a oração subordinada (parte destacada) mostra a causa da ação expressa pelo verbo da oração principal.

Haviany

Síndrome da segunda-feira

Aprendi a gostar da segunda-feira quando comecei a respeitar o domingo. Vê-lo como dia de reflexão e repouso. E dentro do plano de refletir, obviamente, há o de esvaziar a mente, ficar um pouco sem pensar na vida, deixando fluir pelo corpo uma boa música, ver um filme leve, uma história de amor, talvez. Não Saia Rodada, mas ouvir um clássico, tomar um solo de violino, um piano. Conheço amigos que pegam a estrada e vão tomar birinaite na praia para descansar. Funciona? Outros vão ao pagode, remexer o esqueleto para relaxar o quadril.
Mas, o grande pânico da segunda-feira pertence àqueles que trabalham. Quer dizer, os que não gostam do ofício, e é a maioria. Não sei se é do conhecimento de todos, mas trabalho vem de "tripodium", um artefato de tortura medieval em forma de cruz. Só quem exerce uma atividade por vocação é que não sente que está trabalhando no sentido de estar sendo torturado, pois vocação quer dizer "chamamento", é um chamado interior, ânimo, inspiração.
Contudo, apresentemos uma saída. Baseio-me em minha experiência. Uma das atitudes que sugiro para você fazer o que gosta é aprender a gostar do que faz. E uma das tentativas para alcançar este objetivo é procurar fazer bem feito. Uma de minhas práticas mais eficazes é organizar o ambiente de trabalho, tanto do ponto de vista estético quanto do ponto de vista burocrático. Quem chega em meu ambiente de trabalho, sente a impressão de que há vários funcionários trabalhando. No entanto, produzo tudo sozinho, embora não saiba até quando.
Bom dia e aquele abraço!
Sosígenes Bittencourt

Saturday, August 27, 2011

Palavra na palestra

Convidado para uma palestra, em determinado momento me facultaram a palavra. A palestra era sobre Corrupção. O tema não é a minha paixão, mas palestra é sempre bom, é lucro certo. Uma de minhas leitoras acabou de fazer um comentário sobre a educação antigamente e hoje. E este deve ser o motivo de expor o que comentei na palestra e mais alguma coisa.

Quando eu saio colando frases célebres nas paredes para que o povo leia e reflita, eu estou no domínio de uma de minhas virtudes. Ensinar é, para mim, uma forma de conviver. Minha escola é o mundo. Ah! Sosígenes, mas isso não lhe dá nada, nem um centavo! Você não ganha nada com isso!- comentam meus vizinhos. Ora, dá licença. Eu sou um homem que tem defeitos, vícios. Eu não consigo driblar muitas vezes meus pecados, sou um pobre mortal, por que haveria de me livrar de minhas virtudes? Virtude é virtude, virtude não tem preço, não é coisa, virtude é dignidade. É prazer positivo, é o que me faz feliz.

As pessoas me aplaudem quando eu danço nas festas, eu sou o rei do bolero. As pessoas me acariciam quando eu bebo, pagam a conta, me carregam de cadeirinha de algodão. Oh! meus amigos ab imo pectore (do imo do peito), quão agradecida é minh'alma! Vocês acariciam meu narcisismo! Porém, meus encantadores encantados, eu não sou um bebarrão que estuda, eu sou um estudioso que bebe. Eu jamais troquei uma palestra por uma roda de bebedeira. Se todo dia houvesse palestra, penso que jamais iria ao baile. Nosso grande equívoco, o que nos torna uma nação desfuncional, como sentenciou o doido da Noruega, é que vivemos buscando alívio para a dor atrás do trio elétrico, afogando-se na bebida. Porque privilegiamos o futebol, somos loucos por bola e não damos bola para o magistério. Já imaginaram se fôssemos loucos por ciência, adorássemos laboratório, vivêssemos pesquisando? Não, nos livramos da aula para ir a um assustado. Substituímos o estudo por qualquer coisa que distraia. Por isso nossas escolas viraram playground, centro de distração. Como se estudar doesse, fosse uma crucificação. Eu tinha um aluno despranaviado que dava pontapé nas meninas, beliscava as crianças, estirava a língua e estalava banana. Um dia, ele saiu-se com essa: - Professor, o senhor estudou tanto que ficou doido. E eu, cá, pensando: e você estudou tão pouco que enlouqueceu também. Eu, pelo menos, sou louco da boa loucura.

Lúcido abraço!

Sosígenes Bittencourt

Friday, August 26, 2011

Quadro de Frases

*Quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz do que o injustiçado.

*O livro é um mestre que fala, mas não responde.

*É possível descobrir mais sobre uma pessoa numa hora de brincadeira do que num ano de conversa.

Platão

Thursday, August 25, 2011

Kadafi e os ratos

Eis o destino dos ditadores, enxotados como ratos, chamando rebelados de traidores. O morcego da Líbia já viu esse filme antes, mas cego pelo poder, parece não enxergar. Convidado a se apresentar a quem tanto oprimiu, Kadafi se esconde, ameaça, é o cúmulo da ilusão de poder. Ordena que expulsem os rebeldes de Trípoli, como se houvesse a quem ordenar. Diz que vai resistir até a morte, menos do medo da morte do que da ira de ser execrado pela viuvez, assassinado pelos órfãos de sua tirania insana. Duro, impávido, não contava com as novidades do futuro. Não contava com um céu que baixaria à terra, viria aos bolsos, ao colo, pendurar-se ao ombro. E aquilo que era fantasia virou possibilidade. Porque as gerações vindouras ganharam a internet. De repente, era possível ver, na aurora da vida, homens e mulheres assumindo o seu corpo, exprimindo seus desejos.

Inacabado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Wednesday, August 24, 2011

Dia de Borges

Não conheço melhor maneira de celebrar o aniversário do nascimento de Jorge Luis Borges, do que publicando alguns dos seus pensamentos. Borges nasceu em Buenos Aires, em 24 de agosto de 1899, e faleceu em Genebra, em 14 de junho de 1986.


* O casamento é um destino pobre para uma mulher.

* Todos os caminhos levam à morte. Perca-se.

* A esperança é o mais sórdido dos sentimentos.

* Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.

* Minha sepultura será o ar insondável.

* Sou um homem de letras, nada mais. Sou um fazedor de sonhos.

* O rouxinol não sabe que te consola.

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, August 23, 2011

Fala, Vitória

Agência do Trabalho
Pelo que está escrito na placa, isto deve ser uma Agência do Trabalho. Pela porta fechada e o lixo no batente, não há nenhum empregado na Agência do Trabalho. Pela claridade, deve ser de dia, num daqueles horários em que se trabalha. Pela arquitetura, são os escombros de uma Estação Ferroviária. Quer dizer, nem funciona a Agência do Trabalho, nem tem trem. O estranho é que há propaganda no rodapé da placa. Quem patrocinou o quê? Esta inquietação metafísica encetaria uma dialética para muitos cafés filosóficos. E se tudo parece ser, mas não é, o contribuinte haverá de se perguntar: Há alguém recebendo como funcionário da agência sem trabalho? Lendo gibi numa rede e abiscoitando o tutu do povo sem transpirar? Esses caras devem ser uns nababos. Porque xeleléu tem pra dedéu sob o céu. E por mais que se fotografe e denuncie essas coisas feias, ninguém se une para manifestar sua indignação. O brasileiro é assim, ao invés de lutar pelos seus direitos, fica arengando um com o outro, se engalfinhando feito menino malcriado. Parece um bando de Jeremias, se lamuriando sobre uma esteira rolante. Mesmo que uma Agência do Trabalho não funcione e uma galera de desempregados fique perambulando pelas ruas, com o corpo à disposição dos caprichos de Satanás. Vão é ao circo, distrair as vísceras, esquecer a morte. Ficam bêbados debaixo do saracoteado de qualquer Garota Safada, sem o direito de sentir-lhe os sabonetes. Por isso o doido da Noruega, que fuzilou mais de oitenta pessoas, disse que o Brasil era uma país desfuncional.
Desarticulado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, August 22, 2011

Estudando Português

Cuidado aí, pessoal, a partir de 2012 não tem boquinha, o Acordo Ortográfico estará valendo de verdade. Eu sei que é difícil tirar do pensamento a "idéia" de que "ideia" não tem mais acento. E é bom usar a inteligência, engatilhar a comparação, porque "geleia", "assembleia", "plateia" também não têm - copiou?

Mas, observe o que acontece com esta nova regra. Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos de ligação. Por exemplo: dia a dia, pé de moleque, fim de semana, camisa de força, etc. No entanto, eis as exceções, que devem ser anotadas. Passe o cursor, transfira, imprima e leve na carteira: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa. A explicação? Pergunte aos invencionistas.

Ortográfico abraço!

Sosígenes Bittencourt

Wednesday, August 17, 2011

Assombrosas deduções

Talvez, para quem nasceu ontem, o assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, de 47 anos, abatida a tiros em frente a sua residência, em Niterói, seja absolutamente normal. Chamar-se-ia de dessubjetivação da barbárie. Já, para os do meu tempo, seja tão assombroso quanto uma película de terror.
Sou do tempo em que não se matava juiz. Sou do tempo em que juiz não tinha automóvel e podia desfilar tranquilamente pela calçada. Quando apontava numa esquina, todos iam para a orla do meio-fio, para ceder-lhe a passarela. Um juiz era do tamanho de um padre. Tinha gente que lhe pedia a bênção. Naqueles idos, a norma era introjetada pelo temor. Quem urinasse fora do caco, ia pro castigo. Criança aprendia a respeitar com medo da punição. Mas, sobretudo, havia autoridade. Ou seja, a norma ditada era embasada no exemplo. Aquilo que se proibia não se praticava. Dizia-se para um adolescente: - Você não sai de casa esse final de semana, porque você me desobedeceu. O condenado botava o pijama e se reconciliava com o juiz do lar. Porque a casa não era só a de alvenaria, era também uma pré-escola, um treinamento para a vida em sociedade.
Hoje, uma juíza é ameaçada por condenados e fuzilada na porta de casa, porque fora sentenciada por um fora da lei. A assombrosa reflexão que fica é a da falta de autoridade. Falta de autoridade que pressupõe falta de exemplo e promove o desrespeito. Não falamos em relação à juíza morta, que queria aplicar a lei, referimo-nos à autoridade pública. A magistratura está sendo desrespeitada. E se ninguém respeita um juiz, o que farão conosco? Por isso, uma professora leva cadeirada na escola, uma filha junta-se ao namorado para roubar os próprios pais, um ancião estupra uma criança, e tudo mais.
Enfim, não seria assombroso chegar à conclusão de que ser juiz é uma imprudência? A juíza não lançou mão da escolta a que tinha direito e foi sacrificada. E nós, que fechamos nossas portas com ferrolho? O que acontecerá conosco se alguém de maus bofes quiser nos matar? Seria preciso que Deus estivesse na guarita. Quer dizer, se Deus não velar pela cidade, de nada adiantará a vigília da sentinela.
Escatológico abraço!
Sosígenes Bittencourt

Sunday, August 14, 2011

FRAGMENTOS

Seria ideal que todo pai merecesse um presente do seu filho.
Sosígenes Bittencourt

Friday, August 12, 2011

Fala, Vitória


e-mail ao poeta Egídio Timóteo Correia

Egídio se manifesta indignado com o desprezo das autoridades competentes, dos poderes públicos e do povo em geral, para com nossos artistas.

Realmente, Egídio, Vitória sempre torceu o nariz para os seus talentos. Isso faz muito mal às gerações, a falta de incentivo à criatividade. É a filosofia do TER sobrepujando o SER. O filósofo Imanuel Kant dizia que o mundo é feito de coisas e pessoas. As coisas têm preço e as pessoas têm dignidade. Porém, o mundo procedeu à coisificação das pessoas. E é bom salientar que quem coisifica também é coisificado. Quando você paga a uma prostituta para levá-la à alcova, ela só vale pelo corpo que lhe oferece, e você só vale pelo dinheiro que lhe dá.
Certa vez, um aluno me perguntou:
- Professor, por que a gente paga a uma rapariga?
Ao que respondi:
- Para se livrar dela, meu filho.
Dessa negociação não sobra nada. Chama-se coisificação. Em Vitória, nós sentimos uma sensação desmerecedora de que estamos sendo tratados como coisas.
Mercenário abraço!

Sosígenes Bittencourt

Não ria se puder

Disse que, numa Tamarineira da vida, o doido passou um tempão com o ouvido colado na parede. Era uma seboseira desgraçada. Não queria dormir, não comia direito, fazia as necessidades fisiológicas ali, uma tristeza. Como os outros doidos não ligavam, porque também não tinham juízo, a enfermeira resolveu chamar o psiquiatra. O psiquiatra veio, afastou o doido, colocou o ouvido na parede: - O que é que você faz tanto aqui? Eu não estou ouvindo nada.

Aí, o doido explicou: - Faz 3 dias que tá assim.

Desvairado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Thursday, August 11, 2011

Alemanha 3, Brasil 2

Quem viu Corínthians e Santos, à noite, não diz que aquela seleção que perdeu da Alemanha por 3 a 2 era a Seleção Brasileira. Cadê a pegadinha? A macacada, no clássico paulista, colou um no outro feito visgo de jaca. Parecia que carregava um motorzinho na barriga. Já nossa canarinha, coitada, ficou vendo a Alemanha trocar fichinha, ao ponto de levar grito de olé da torcida do nosso velho "galo apanhado". E não era para menos. Nosso escrete, capitaneado por Mano Menezes, nem marca nem se desmarca. Já que não tem seleção definida, não tem tempo pra treinar, pelo menos corre atrás, bota velocidade, dá o mínimo de trabalho ao adversário. Afinal, não é uma guerra, mas é uma competição, uma contenda onde está em jogo a história do nosso futebol, a paixão do nosso povo, o orgulho de nossa pátria. A inércia, a falta de patriotismo deu muita asa aos "arianos" que se julgam superiores e nos consideram um bando de nanicos. É mimar a alma de Hitler, ajoelhar-se ao nazismo.

Envergonhado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, August 09, 2011

Quadro de Frases



Espera do teu filho

o que fizeste a teu pai.

Tales de Mileto

O que é mais difícil?

Quando pergunto aos alunos: O que é mais difícil, fazer sexo, ou distinguir Sujeito e Predicado numa oração? Ele logo responde: - Distinguir o Sujeito e o Predicado.
Ledo engano. Uma regra gramatical é uma regra e acabou-se. Fazer sexo com outra pessoa requer muito mais inteligência e imaginação. Implica em refletir sobre o pecado, nas consequências do ato, em noções de higiene, prevenção contra DST, gravidez, amor e paixão, empreender sedução, etc etc etc.
A grande questão é que "sexo" dá prazer, e "estudar", não. Ora, qual a grande função dos pais e mestres, depois da Internet? Mediar esse universo de estímulos ao qual os jovens estão submetidos. Nunca, ser pai foi tão exigido; nunca, ser professor foi tão importante. Eu tenho tentado provar aos alunos que alguém pode ser feliz, sentir prazer nos estudos. Conhecer dá felicidade, estudar dá prazer. O prazer, que é o que se busca, está maquiado pela mídia, a serviço do Capitalismo de Consumo, como associado ao delírio, à ebriedade, embora queira-se combater o uso de drogas. Daí, o vazio e a sensação de inutilidade dos jovens, a perda da esperança. Esse é o quadro. E aproveito para relembrar a célebre reflexão de Einstein: "A alegria de ver e entender é o mais perfeito dom da natureza."
Sosígenes Bittencourt

Monday, August 08, 2011

Aniversariante pé quente

Antes do jogo, não, mas, depois dos 4 a 0 aplicados pelo Botafogo no Vasco da Gama, Zagallo parecia um deus enviado pelo Olimpo para decretar a gloriosa vitória do alvinegro carioca.
Dizendo que sexo aos 80 anos é normal, foi quem mais participou de triunfos em Copas do Mundo na enciclopédia do futebol. Duas vezes campeão como jogador, em 1958 e 1962, uma como treinador, em 1970, ainda auxiliou a de 1994. E tem mais. Outro dia, estava na Disney, vendo bailado de golfinhos, dizendo que se sente com 8 anos de idade. É um driblador nato. Merecidamente, vai virar estátua no Engenhão. O privilégeio será poder contemplar o seu busto, ainda vivo. Quer dizer, apesar de gostar do Botafogo, não se sente uma "estrela solitária" aos 80 anos de idade. Quem se sentiria?
Glorioso abraço!
Sosígenes Bittencourt

Friday, August 05, 2011

Histórias pra contar

Amanheço o dia ouvindo histórias de minha mãe. Não faz nada, não faz nada, faz 56 anos. Hoje, me contou que sonhou com um cachorro mordendo sua mão. Ela estava numa calçada, numa determinada rua, no tempo em que era menina. Porém, a bolsa que carregava era uma bolsa que está ainda agora lá no seu quarto. Ora, isso é o tecido de sua história, de sua vida, do seu tempo. Pena que esteja envolvida no stress do dia a dia de um tempo de aceleração. Aceleração que não nos permite pensar naquilo que fazemos e preservar a imagem, a lembrança daquilo que fazemos para podermos mostrar a peça de nossa existência no futuro.

Lembro-me de uma história que ela conta do tempo em que era criança. Minha mãe morou numa rua onde passava enterro. Não passava enterro todo dia, porque não havia tanto mortal que desse para produzir um defunto a cada 24 horas. Mas, sentadinha na calçada, ou debruçada na janela, tirava o dedinho da boca e dizia, inocentemente, em tom de lamúria: - Passa o enterro de todo mundo, só não passa o de mãe. Essa lembrança deve ter o quê? Uns para lá de 70 anos.

A psicanalista Rita Maria Kehl diz, em uma palestra sobre "Aceleração e Depressão", que nós vivemos num mundo onde a resposta instantânea à multiplicidade de estímulos está nos tirando a possibilidade de enredar a teia de nossa existência, confeccioná-la. Estamos ficando sem passado e perdendo, por isso, uma perspectiva de futuro. Estamos sem consistência, o que nos afunda num vazio imenso, que gera desânimo, falta de alegria, desinteresse e depressão. Isso é de morte!

Desanimado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, August 02, 2011

O sono da razão - II

Este é um outro comentário que encontrei no Yahoo que merece ser postado sobre o quadro do pintor José de Goya: O sono da razão produz monstros.
Scarlet: "Porque se você estivesse no sono da paixão, que é o contrário da razão, teria uma imagem linda das pessoas. Mas quando você se insere no sono da razão, você vai ver as pessoas como elas realmente são, isto é, com defeitos e qualidades. Quando você observa as pessoas movido pela razão, e vê defeitos gravíssimos nelas, você começa a pensar que tal pessoa é um verdadeiro monstro por fazer certas coisas que você repugna. É isto o que significa este pensamento.


E, aqui, eu aproveito para postar alguns dados biográficos do autor.
Francisco José de Goya y Lucientes (1746 — 1828), foi um pintor e gravador espanhol. Conhecido como "Goya, o Turbulento" e considerado às vezes como "o Shakespeare do pincel", suas produções artísticas incluem uma ampla variedade representativa de retratos, paisagens, cenas mitológicas, tragédia, comédia, sátira, farsa, homens, deuses e demônios, feiticeiros, e um pouco do obsceno.
Monstruoso abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, August 01, 2011

O sono da razão - I

Goya: "O sono da razão produz monstros"
Sejamos humildes. Eu não poderia deixar de registrar, no meu blog, essa interpretação de Sérgio Paulo Rouanet do quadro do pintor Francisco de Goya. Boa leitura!

“A coruja tirânica que quer impor sua vontade ao artista é a razão narcísica do hiper-racionalismo. Os morcegos são as larvas e os fantasmas do irracionalismo. Dois animais deficitários, truncados. O morcego tem uma audição aguda, mas é cego. A coruja enxerga de noite, mas não de dia. Falta um terceiro animal na zoologia de Goya, mais completo. Não, não falta. Ele está no canto direito, enorme, olhando fixamente o espectador. É um gato. O gato ouve tudo e tem uma visão diurna e noturna. Sabe dormir e sabe estar acordado. E sabe relacionar-se com o Outro, sem arrogância, ao contrário do seu primo selvagem, o tigre, e sem servilismo, ao contrário do seu inimigo doméstico, o cão. É a perfeita alegoria da razão dialógica, da razão que despertou do seu sonho, é atenta a todos os sons e todas as imagens, tanto do mundo de vigília como do mundo onírico, e conversa democraticamente com todas as figuras do Outro, sem insolência e sem humildade.”

Filosófico abraço!

Sosígenes Bittencourt