Friday, January 27, 2012

Apoio Cultural

*Farmácia Santo Antão *Faintvisa *Antônio de Lemos *Piernet *Ronaldo Seguros *Grupo Veneza *Casa Funerária Oliveira *Vereador Novo da Banca *Marçal Seguros *Espaço Básico *Supermercado Vitória *Vereador André de Bau *Tec Info *Autoescola Nova Dinâmica *Gamela de Ouro *Dígitu's *Palácio dos Alimentos *Edilson Protético

Comentando no Facebook

*Se o seu caso é SEXO, não há nexo com o CASAMENTO. Casamento tem nexo com SENTIMENTO. Na relação amorosa, o protagonista é a AMIZADE, o sexo é personagem.
*O casamento não se resume a 3 relações sexuais semanais, tem os pratos pra lavar.
*A fronteira do proibido pode ser a beira do abismo.
*O Feminismo é um expediente suicida. Coisifica o homem e desprotege a família, desumaniza a vida.
*O Face só tem vantagem. É embriagador sem ser álcool, além de ser um BOOK.
Bêbado esfaqueado no chão. Alguém pergunta: - De onde é este rapaz? Alguém responde: - De MAUÉS. Alguém conclui: - Terra, como tu ÉS MAU, MAUÉS.

Sosígenes Bittencourt

Fragmentos

Não me sai do pensamento

a IDEIA de que IDEIA não tem mais acento.

Sosígenes Bittencourt

Wednesday, January 25, 2012

Comentando no Facebook

*O conselho é oriental. Nós deveríamos comer a metade, andar o dobro e rir o triplo. Quando me chamam, eventualmente, de palhaço, respondo: Quem faz os outros rirem não palhaço, é psicoterapeuta.
*O BELO está em crise, vivemos a exaltação do FEIO.
*Morrer de desastre, perseguido pela polícia, em Gravatá, é o cúmulo da infelicidade. Gravatá é um dos derradeiros paraísos pernambucanos.
*O que mais cresceu, em Vitória, nas últimas décadas, foi o número de assalto.
*Isso me faz lembrar uma quadrinha que o falecido barbeiro Moisés fez com o destino do sertanejo.
O sertanejo, ao nascer,
Tem seu destino traçado,
Se, de sede, não morrer,
Por certo morre afogado.

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, January 24, 2012

Fragmentos

Por isso, aconselho: não assista a filme de TERROR, veja CARDINOT.

Visita a Gravatá



No último dia do ano, fui fazer uma visitinha a Gravatá, incentivado por Aninha Marques, atualmente fazendo locução na Rádio Metropolitana em Vitória de Santo Antão. Obrigado!
O centro da cidade estava movimentado, mas sem barulho, sem papel pelo chão, feira de mangalho, e outras poluições ambientais. No céu, parecia estar ligado um gigantesco condicionador de ar, promovendo abraços refrigerantes em cada esquina. Um cheiro de quintais, de jardins, de flores, frutas e folhas, revesando com um gustativo aroma de carne na brasa, frituras, doces, saladas, sucos, fustigando a língua, assanhando o estômago e provocando a imaginação.
Sentamo-nos por trás da igreja, naquela Varanda histórica, para degustar umas cevadas.

Num instante anoiteceu. As luzes acenderam, e a cidade foi ficando iluminada, dando vontade de botar cadeira na calçada, para ver o povo passar, inalar o perfume das meninas. Mulheres que têm um jeito, uma pele e um rosto que só tem naquele lugar. Daí, eu chamar Aninha Marques de "um souvenir gravataense nas manhãs vitorienses". Arrisco até a repetir que, quando envelhecer, vou morrer em Gravatá. Quero morrer sem alvoroço, para sentir calmamente a emoção derradeira da travessia final.
Depois, tomei o ônibus na rodoviária. Rodoviária é morada de saudade, inspira todo homem. E retornei para Vitória, mimado pelo balanço da viagem, entre dormindo e acordado, sem distinguir direito o que era sonho e o que era realidade. Tanto que saltei em Pombos.
- Professor, isso aí é Pombos.
- Desculpe, condutor, eu sou de Vitória - e reingressei no veículo, que mais parecia um edifício desfilando pela rodagem. (Dezembro de 2009)
Sosígenes Bittencourt

Sunday, January 22, 2012

Eu e Aninha Marques

É tudo que se pode desejar numa noite fria em Gravatá.

Sosígenes Bittencourt

Amor e Sexo

Há uma enorme confusão que se faz entre AMOR e SEXO. SEXO se pratica, AMOR se sente. SEXO é pessoal, AMOR é interpessoal. Ninguém faz AMOR, o que se faz é SEXO. Você pode praticar SEXO sozinho, mas não pode AMAR sozinho, ninguém ama ninguém, ama alguém. Você pode AMAR alguém que esteja em Londres, mas não pode praticar SEXO com alguém que esteja em Londres. Sosígenes Bittencourt

Saturday, January 21, 2012

Virilidade e Silicone

Remédio para virilidade é mulher sem silicone. Não há nada pior para virilidade do que apalpar silicone.
Sosígenes Bittencourt

Fragmentos

Luíza já voltou do Canadá, e o resto pode se danar.

Sosígenes Bittencourt

Friday, January 20, 2012

Quadrigêmeos de molambo

Gostar de aparecer é a falsa embuchada, de Taubaté, professora Maria Verônica Aparecida. Concede entrevista, submete-se a ultrassonografia, desfila que nem uma calua, recebe doação e reconcilia-se com a família do babaca de estimação. Seu marido chama-se Kléber Vieira, que chora quando deveria estar pulando de alegria. A essas alturas, melhor encarar uma barriga de molambo do que um filho de semelhante cara de pau.
De tão inocente, Verônica nem desconfiava de que poderia ser condenada por estelionato. O seu destino poderá ser numa cela, ao lado da falsa deficiente capixaba, para deixar de imitar os outros.
Mas, o que Verônica ensinava aos seus pupilos? Imagine se dá de cara com aquele aluno que ateou fogo no cabelo da professora em São José dos Campos, ou aqueloutro que plantou a mão numa educadora em Suzano?
Como Maria Verônica Aparecida é extravagante! Dissesse que estava com um menino na barriga, mas, quadrigêmeos, é querer aparecer demais. Bem que merecia umas palmadas de uma criança.

Esmolambado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Wednesday, January 18, 2012

Big Bobagem Brasil

Sinceramente, cara, mas eu nunca vi uma modalidade de moça tão decente quanto Monique, essa menina que foi estuprada, quando estava nua e embriagada no Big Bobagem Brasil.
Que menina! Ela tomou uma carraspana com um tal de Daniel, em seguida, impulsionada pela emoção, correu para debaixo do edredom, tirou a roupa, amolegou os órgãos genitais do monstro, deixou que ele a bolinasse, caiu nos braços de Morfeu, que nem a Bela Adormecida, e o acusa de estupro. Que violência! Por que Daniel fez isso, minha Nossa Senhora?
Que menina! Não dá pra ficar impressionado com tanto pudor? Que vergonha essa criatura deve ter passado. Daniel é um horror, um aproveitador. Por isso, foi expulso do mais educativo programa de televisão do Brasil, o Big Bobagem Brasil. E deve pegar de 8 a 15 anos de xilindró para aprender que não é legal manter relação sexual com quem está dormindo. Depois, tem as crianças. Elas precisam aprender regras de boas maneiras. Senão, a gurizada vai sair por aí, procurando mulher bêbada para tirar uma casquinha, praticar perversidade.
Que lição deu Monique! Que menina aloprada! Se, todo dia, um Daniel enxerido peitasse com uma Monique dessas, não haveria tanta imoralidade, neste país, nem 50 mil assassinatos por ano.
Fosse eu alguma autoridade, botava os dois para dormir juntos outra vez. Se ele tocasse num fio de cabelo dela, eu o condenaria a cem anos de reclusão. Porém, se ela se esfregasse nele, de novo, eu o devolveria ao Big Bobagem Brasil.
Abestalhado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, January 17, 2012

Santo e Fogos de Artifício



Eu costumo dizer que, se eu fosse arriado por dinheiro, teria sido fogueteiro. Por quê? Porque, na minha cidade, soltam fogos de artifício até pra dor de cotovelo. No momento, por exemplo, estão acordando a população na base do estrondo porque é Dia do Padroeiro. É que Santo Antão do Egito, o eremita, Pai de Todos os Monges, é o padroeiro de Vitória de Santo Antão, lugar onde nasci por destino obviamente. Essa história vem do português Diogo de Braga, que veio de Santo Antão do Cabo Verde, em 1626, gostou, botou pra morar e construiu uma capelinha em homenagem a Santo Antão da Mata. Vê que história... O que eu nunca entendi é a razão de soltarem fogos para santo. Santo me lembra reclusão, oração, abstinência. Pois, exatamente, na data litúrgica do santo, 17 de janeiro, a macacada solta fogos, dança forró e enche o cangaço de cachaça em homenagem a um santo que optou por morar no deserto. Ou seja, os fogos – imagino, eu – talvez servissem para relembrar a Vitória dos pernambucanos, quando botaram os holandeses pra correr, no Monte das Tabocas, ou para promover o prefeito de plantão. Também duvido que o pessoal que esteja nas ruas saiba absolutamente nada dessa história: que Vitória se refere à batalha e que o Santo é o do Deserto. Aliás, se Santo Antão era um monge, o que tem a ver com uma troca de tiros no meio de um tabocal?
Pirotécnico abraço!
Sosígenes Bittencourt

Sunday, January 15, 2012

A paz do mundo

Eu tenho mania de pensar que a paz do mundo está no coração. Não há paz no mundo porque procura-se onde não está? Nas coisas mudas, naquilo que está do lado de fora. Nas coisas sem vida, meramente coisas. Por que teima, o homem, em procurar a paz lá onde não está?
Eu penso que a paz não será fundada por algum herói, nem por um regime político, nem pela ciência, a paz só será celebrada quando for extraída do coração.
Se tudo que pensamos repercute no coração, o coração é uma espécie de espelho daquilo que pensamos. Logo, é preciso entender o que faz bem ao coração, explorar o que é saudável ao coração. Isto será bom para o mundo.
Eu tenho mania de pensar que a paz do mundo está no coração.
Sosígenes Bittencourt

Friday, January 13, 2012

Falsa deficiente presa por fraude

Esta mulher, fantasiada de mendiga, imitava uma deficiente para pedir dinheiro no Espírito Santo. Preta, do cabelo pixaim, esfarrapada e embolando pelas ruas, ela ainda achava pouco para despertar a compaixão dos semelhantes. Aí, resolveu teatralizar, bancando a atriz. Virou uma falsa deficiente, arrastando a bunda, com as pernas entrançadas, pelo chão. Reincidente, montaram uma arapuca para pegá-la. Instalaram uma câmara que a filmou, ora como um réptil, ora como um homo erectus. Resultado: foi presa por explorar a boa-fé das pessoas. Não sabia que ludibriar dá cadeia. Sobretudo, não sabia que pobre não pode fazer essas coisas. Pobre já não vale nada, que dirá pobre enrolão. Não entende nada de preconceito. Não sabe que os que a condenam fazem coisa pior. Os políticos, por exemplo, se fantasiam de representantes do povo, fazem promessas, roubam a consciência da massa, para ensacar o dinheiro público. Depois, pegam o dinheiro do povo e compram o próprio povo novamente. Já viram algum preso por isso? E não é novidade que os representantes do povo representam eles mesmos, arengando entre si, mas se defendendo em bloco. Portanto, mendigos verdadeiros ou falsos esmolambados, cuidado ao pedir esmola, não mintam, provem que são miseráveis, sem falsidade.

Preconceituoso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Thursday, January 12, 2012

Ir a Tamandaré

Estão danado me chamando para ir a Tamandaré. Não me chamem tanto para ir a Tamandaré. Ninguém é o mesmo diante do mar. Principalmente, eu, que aprendi a nadar em São José da Coroa Grande. Lá pro lado de Ipojuca, Rio Formoso, Serinhaém e Barreiros. Um dia, devo ter visto, da janela do ônibus, uma menina de saia plissada na frente de um colégio em Rio Formoso. Eram 6 horas da noite. Nunca mais fui o mesmo.

Não me chamem tanto para ir a Tamandaré. Uma vez, eu pulei de um barco, em São José da Coroa Grande, o calção voou e eu afundei nuzinho no mar. Ninguém é o mesmo, com tanto medo, ouvindo o marulho, no pé do ouvido, do mar.

Eu conheço Itamaracá. Reginaldo, o Rossi, andava por lá. Já degustei polvo ao coco em Xaréu, já cochilei na Praia do Paiva, era um lual, a lua espreitando a gente por trás do coqueiral.

Estão danado me chamando para ir a Tamandaré. Posseidon me acuda, Netuno me conserve. Eu nasci no interior da zona da mata, lugar de ruelas, becos sem saída, ladeiras, cheiro de pneu queimando, mingau de Arrozina, cães, gatos e cachaça. Praia é lugar sem fim, começa na grinalda do mar e vai além do horizonte.

Não me chamem tanto para ir a Tamandaré. Eu termino indo a pé.

Oceânico abraço!

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, January 10, 2012

Gabriela Maldonado

Não sei o que acontece com quem canta Nessun Dorma, a ária do compositor Giacomo Puccini. Era assim com Luciano Pavarotti, é com Andrea Bocelli, foi assim com Gabriela Maldonado, a argentina que abiscoitou 200 mil reais, sagrando-se campeã da competição “Qual é o seu talento?”, do SBT. A cantora lírica parecia que ia se desprender do corpo e atirar-se rumo ao infinito. Sua alma enlevou-se, arrepiando jurados, plateia e telespectadores. Parecia que o tempo havia parado naquele instante. Aliás, “Nessun Dorma”, em italiano, quer dizer “ninguém durma”. Tem razão, não há quem consiga dormir em momento de tamanho êxtase. Depois, não há quem consiga esquecer.
Eterno abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, January 09, 2012

Quadro de Frases

Não existem fenômenos morais,

mas uma interpretação moral dos fenômenos.

Nietzsche

Saturday, January 07, 2012

Dia de "reses"

Vocês não sabem da graça. Estava na parada de ônibus, esperando o veículo para ir à praça, o mesmo banco, o mesmo jardim, quando me apareceu uma madame, até pouco mais ou menos, e saiu-se com essa:

- O senhor vai comemorar Dia de "reses", professor?

Ora, estupidificados ledores do signatário que vos redige, "reses", ao que me consta, é o plural de "rês", ou seja, o plural de todo quadrúpede que o bípede implume abate para degustar. Deve ter querido dizer Dia de Reis, e confundiu com dia de comer carne de bicho.

Avacalhado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Friday, January 06, 2012

Os Reis Magos potiguares

Estes são os 3 Reis Magos potiguares, banhados pela luz solar, no Rio Grande do Norte. Segundo o Hagiológio, que estuda a vida dos santos, são eles Belchior, Gaspar e Baltazar. Seguindo uma estrela itinerante, os orientais levaram incenso, ouro e mirra, para presentear o menino Jesus. É dia de dar capim aos quadrúpedes em troca de doces e desarmar a Árvore de Natal.
Sosígenes Bittencourt

Wednesday, January 04, 2012

Roubo de celular



O telefone chamado está fora de área ou desligado, seu idiota!

Há quem pense que cultura é o acervo artístico de um povo. Está correto. Contudo, hábitos também são dados culturais. Um hábito que já faz parte de nossa cultura é o furto. Quer ver? Quem foi que escapou de ter um celular furtado? E tanto faz parte de nossa cultura que, mesmo sabendo que o chip e o aparelho podem ser bloqueados, o sujeito pode levar tapa na cara, ir preso, ficar desmoralizado, a safadeza continua. Você não pode dar bobeira. Eu mesmo já tive celular subtraído no cabaré e na Universidade.
A pergunta é a seguinte: - O que é que um professor vai fazer numa Zona de Baixo Meretrício?
A resposta é a seguinte: - E o que é que um ladrão vai fazer numa Universidade?
Também já tive celular encantado na padaria mais chique da cidade. O pior é que, em volta, só havia mulher, um animal que ainda considero melhor do que o homem. O aroma era de perfume francês, e as madames, com as bochechas infladas de guloseimas. E ainda se diz que é menos arriscado ser furtado do que ser roubado. O roubo tem uma historinha de ameaça na base do pau de fogo e da faca peixeira.

Meu Deus me perdoe, mas é uma desgraça! Tóquio tem 35 milhões de habitantes, e a polícia vive de cara pra cima, sem ter o que fazer.
Miserável abraço!
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, January 03, 2012

No primeiro dia útil do ano

No primeiro dia útil do ano, um casal anoiteceu se beijando. Inútil lembrar-lhes o cotidiano. Esqueceram até que mudaram de ano... Sôfregos, se abraçavam, se beijando. O Brasil deve ser um dos países onde mais se beija no mundo. Falta-se ao trabalho para se beijar. Vai-se ao trabalho para se beijar. Beija-se ao pingo do sol, no deserto, à beira-mar, assim haja quem se preste para beijar. Beija-se até sem beijar, mergulhado em sonho, de tanto desejar.

No primeiro dia do ano, um casal anoiteceu se beijando. A lua ia rápida, atravessando as nuvens, o aroma era de mato, de terra, de rio, como sói acontecer no Brasil. O palco talvez sugerisse uma peça musical à la Villa-Lobos, eivada de tantos arroubos.

No primeiro dia do ano, não cabia desengano, no espaço que estreitava o casal que anoiteceu se beijando.

Amoroso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Sunday, January 01, 2012

Fragmentos

Faz 1 ano que fazia 1 ano que havia feito 1 ano.

Não há nada mais parecido com dezembro de 2011

que janeiro de 2012.

Sosígenes Bittencourt

Saturday, December 31, 2011

A esperança

No batente da garagem, há dias, há uma esperança. Apesar de imóvel, a esperança vive, a esperança não morre.
Eu fui dormir, pensando na esperança. Eu acordei, procurando a esperança.
Eu pensava que a esperança havia ido embora. Porém, a esperança permanecia ali, verde como a esperança.
Vieram algumas pessoas, falavam alto, nem se ligaram na esperança. Não sabem o que perderam em não usufruir da esperança.
A esperança é uma poesia, pousada, há dias, num batente aqui de casa. Ninguém se agonia, ninguém tem medo da esperança.
A esperança, se um dia vier a ir embora, estará aqui sua lembrança.
Sosígenes Bittencourt

Thursday, December 29, 2011

Pensando na vida

Sou do tempo em que havia tempo de acompanhar a réstia do sol e contar estrelas. Sou do tempo em que o coral dos grilos orquestrava a sonoplastia das estrelas. Minha avó Celina botava perfume e penteava os cabelos para ouvir o jogo do Sport Club do Recife pelo rádio.
Eu queria passar o final do ano em Boa Viagem. Diz que tem muita lâmpada colorida, fogos de artifício, Jingle Bells, tanta mulher bonitinha e cheirosa que o coração fica pinotando de alegria. O mar roncando surdo e o vento assanhando o cabelo. Ficar de cara pra cima, vendo os arranha-céus. Ali mora uma família. Mas, tenho medo de assaltante. Talvez, eles queiram nos matar.
Eu estava conversando lorota. Um vendedor de picolé me apareceu.
- Chupe um picolé para me ajudar, professor.
- Eu posso até lhe ajudar, não sou obrigado a chupar coisa alguma.
A outra, foi assim:
- Professor, eu quero um dinheiro para ir pra Caruaru.
- Se eu pudesse, eu iria pra Caruaru com você. Contudo, o que é que você vai fazer em Caruaru?
Todo final de ano, a gente bota pra pensar nos mortos. Às vezes, naqueles que vão nascer. Até os que nem estão no ventre. Em verdade, ficamos pensando no vir-a-ser. Quem danado sabe o que vai acontecer? Um dia, fomos espermatozóide e óvulo. Um dia, estaremos num jazigo.
A morte é uma instituição democrática, fundada pelo tempo. Ninguém tem o direito de reclamar. Todos têm o direito de receber. Nunca mais eu fui ao cemitério. Ali, ensurdecem os que viveram, amaram e odiaram como nós, que seremos ossos, sem servir de conselho. Ontem, eu vi passar um enterro. As pessoas nunca tomam a morte como exemplo. Vivem pensando na vida.

Nesses dias, chega o Carnaval. O tempo é breve. No meu tempo, a gente pintava a cara e abria a porta para ver o caboclinho. Brincava de bisnaga. Relembrar é alongar a vida. Relembrar é abrir o livro de nossa história.
Eu nem sei a quem desejar um Próspero Ano Novo. Porém, mesmo assim, não custa nada desejar que você seja feliz, mesmo que não goste desta crônica.
Conversado abraço.
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, December 27, 2011

Para refletir



Caso nossa maior necessidade fosse informação,
Deus nos teria enviado um educador.
Se nossa maior necessidade fosse tecnologia,
Deus teria nos enviado um cientista.
Se nossa necessidade fosse dinheiro,
Deus teria nos enviado um economista.
Mas, uma vez que nossa maior necessidade era o perdão,
Deus nos enviou o Salvador.
Max Lucado

Foto

Rosto de japonesa

Esta é uma foto postada num site erótico japonês. Longe de ser uma imagem pornográfica, sugere o mais inebriante erotismo. De tão sugestiva, serviria até para enfeitar uma mensagem natalina, pela expressão angelical da menina. Nela, cabem todos os pensamentos. O erotismo difere da pornografia porque permite pensar. A pornografia é a degradação do nu, o erotismo é a sugestão do prazer. Um verdadeiro espetáculo!

Erótico abraço!

Sosígenes Bittencourt

Monday, December 26, 2011

Quadro de Frases

Vivemos num mundo onde precisamos nos esconder para fazer amor,

enquanto a violência é praticada em plena luz do dia.

John Lennon

Sunday, December 25, 2011

Acreditar

Acreditar em Deus e na Imortalidade da Alma não faz mal a ninguém, é lucro certo. Fé não é acreditar em algo que você não vê, é acreditar em algo que você sabe. Eu não vejo o outro lado do mundo, mas sei que ele existe. É noite, mas creio na aurora. Sejamos otimistas, cultivemos bons pensamentos, boas ideias, para que os nossos sentimentos sejam bons. Amar o belo enche de beleza nosso coração. Sejamos sábios, buscando compreender o que somos para melhor percepção do que temos. Reciclemos o ódio e a inveja, posto que ódio e inveja são lixos mentais, sejamos garis de nossas emoções. Estudemos nossos desejos antes de buscar a concretização de nossos sonhos. Vamos juntos, a reciprocidade facilita a busca, funda a compreensão, educa para o amor. Pensemos no que pensamos, pois o sentido da vida está no que pensamos da vida.
Filosófico abraço!
Sosígenes Bittencourt

Thursday, December 22, 2011

Quadro de Frases

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam,

e a prova das coisas que se não vêem.

Hebreus 11:1

Wednesday, December 21, 2011

Hipocrisias natalinas

O patrão triplicou sua riqueza, e os empregados triplicaram suas dívidas. Apesar dos pesares, todos têm de mostrar os dentes no banquete de confraternização. Para isso, é preciso moderar na bebida, ficar vigilante quanto aos rancores. Uma palavra errada, você pode abraçar o sol desempregado. Não cometa aventuras gástricas, exagerando nos comes e bebes, ninguém o perdoará se você adoecer e faltar ao expediente. Cuidado com intimidade excessiva, enxerimento é fatal na danificação de sua imagem. Se soltarem fogos de artifício, não reclame da zoada nem da fumaça, lembre-se de que o foguetório é para a empresa, não para você. Se o presente que você comprou, cair nas mãos do inimigo secreto, não reclame do destino, isso é feio. Se pedirem para você dar uma palavrinha, não se demore nem fale “difícil”, porque empregado não sabe de nada, quem sabe de tudo é quem venceu na vida, você é um fracassado. Afinal, quem tem tudo na vida é O Cara, quem não tem nada é O Descarado.
E Feliz Natal!

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, December 20, 2011

Cuidado com Janeiro

Obviamente que eu não diria “cuidado com o Natal”, porque o nascimento de Jesus não tem nada a ver com isso. Porém, diria que é preciso segurar a emoção com o lado consumista da festividade, para em janeiro não estar com a mão na cabeça, por causa da farra financeira. Segundo alguns discursos evangélicos ou pastorais, Jesus é razão.

Não há riqueza maior no ser humano, força mais criativa do que a emoção, mas é preciso administrar seus excessos com a intermediação da razão. Napoleon Hill já o disse: “O entusiasmo é a maior força da alma.” Contudo, ‘entusiasmo’ deriva de “em + Teos”, ou seja, com Deus na alma, em estado de graça. Não adianta você cobrir-se do supérfluo, para depois carecer do essencial.

“Cuidado com Janeiro” significa “cuidado com as dívidas”. Outro dia, vi um economista dizendo que ninguém trabalha para pagar contas, trabalha para se manter. Quem recebe para pagar, não recebe, transfere. Ademais, é preciso confeccionar um colchão de segurança, para nas vacas magras ter como se socorrer. Não vá com tanta sede ao panetone, lembre-se do pão nosso de cada dia.

Prudente abraço!

Sosígenes Bittencourt

Monday, December 19, 2011

Pé de Pitanga

Debruçado sobre o muro aqui de casa, um pé de pitanga vigia a rua. Mulheres que vêm de bairros distantes passam, de braços dados, a admirá-lo.

- Êi, Maria, vê quanta pitanga!

As pitangas, suspensas no ar, parecem se balançar de vaidade, olhando para lá e para cá.

- Menina, e tem de toda cor!

Alguns pinguços também já as admiraram, lambendo os beiços, ébrios de desejo.

- Isso dá um tira-gosto arretado!

Sinto-me contente com tamanha dádiva. A eugenia uniflora, que dá em quintais, empertigada no canto do muro do meu terraço. Sei que a drupa globosa é comum na Mata Atlântica brasileira e na Ilha da Madeira em Portugal. Ao sol vesperal, parecem mimos caídos do céu, esses novelos de cálcio coloridos d'aquém e d'além mar.

Bem sei que alguns a futucam com um pau, no intuito de fazer um ponche, chupar minhas pitangas. Nem por isso vou "chorar as pitangas", me aperrear, ficar me lamuriando. Aliás, lembra-me a célebre reflexão do revolucionário francês Babeuf: Os frutos da terra pertencem a todos, e a terra, a ninguém.
Sou um homem feliz, porque, em meio à struggle for life (luta pela vida), tenho tempo de parar para observar minhas pitangas e produzir esta crônica.

Mimoso abraço!
Sosígenes Bittencourt

Sunday, December 18, 2011

A Praça da Matriz

Quem nunca elogia, fica sem credibilidade para criticar. A reforma na praça ficou, sobretudo, educativa. É uma obra que merece respeito. Afinal, foi feita para o povo, com o dinheiro do povo. Não foi feita para o prefeito nem com o seu dinheiro. Agora, cabe-lhe fazer a manutenção, e a população preservar.

Dentre outras providências, também concordo com a proibição de galeteria no local, para não emporcalhar o ambiente; limitar o número de mesas, para não juntar corriola de alcoólatras; não consentir que o Carnaval circule a praça, porque vão pisar nos jardins, atirar cotoco de cigarro para o ar, subir nos bancos, regar as plantas com mijo.

A praça está com cara de Primeiro Mundo, mas a população, de um modo geral, ainda é africanalhada. Não adianta tergiversar. Basta observar o que fizeram com a Praça da Restauração, onde a rafameia pita marijuana, toma o alheio e faz nenen a céu aberto.

Sincero abraço!

Sosígenes Bittencourt

Thursday, December 15, 2011

Quadro de Frases

Pobre gosta é de luxo, quem gosta de miséria é intelectual.

Joãosinho Trinta

Wednesday, December 14, 2011

Bebedeira em praça pública

Acho que nem os alcoólatras concordariam com a venda de bebidas alcoólicas em praça pública. A safadeza de se conceder boteco em praça foi que afugentou os idosos e as crianças desses espaços públicos sagrados. Promoveu poluição visual e sonora, o que me levou a construir uma frase em cima da célebre reflexão poética de Castro Alves. O poeta baiano disse: A praça é do povo, como o céu é do condor. Eu diria: A gandaia tomou a praça do povo, e a poluição, o céu do condor.
Na minha humilde concepção, privatizar espaço público é conceder apropriação indébita. Parece estelionato, obtenção ilícita de vantagem, em prejuízo alheio. São dois envolvidos, o politiqueiro e o paparicado.
Sabido é Júlio Lossio, o prefeito de Petrolina. Quando o Procurador Geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon, foi receber a medalha Senador Nilo Coelho, ele atravessou na frente e implorou a proibição de venda de bebidas alcoólicas nas praças públicas do município. Ora... nem os alcoólatras inveterados têm argumento para reprovar a medida. Tem bebarrão que adora sua família. Ele morre no fundo de um barraco, mas deseja que os seus parentes sejam felizes. Muitos morrem de tristeza, sufocados pelas garras do vício.
Governante sério não tem compromisso com alcoólatra, a não ser com o seu tratamento. Afinal, praça é espaço público, e espaço público é para todos. Se os bêbados invadem, os lúcidos perdem a oportunidade de usufruí-lo. Nenhum lúcido quer correr o risco de se sentar ao lado de um papudinho, acompanhado de sua mãe, esposa ou filhos.
Portanto, equivocado estará o político que pensar que sua popularidade depende de mimar vendedor de birita, corriola de cachaceiros, de promover cachorrada na via pública. Isto é imaturidade.
Confuso abraço!
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, December 13, 2011

FRAGMENTOS

O apaixonado imagina o objeto da paixão

e abraça-se com a imaginação.

Sosígenes Bittencourt

Sunday, December 11, 2011

O abismo da paixão

É difícil acreditar que Jadielson e Silvânia se atiraram no abismo, de mãos dadas, numa versão shakespeareana de Romeu e Julieta. É mais provável que Jadielson tenha arrastado Silvânia para morrer consigo, o que caracterizaria homicídio e suicídio no mesmo salto. Parece um caso típico de paixão. Dois apaixonados que não conseguiam se desvencilhar dos grilhões da loucura e seguirem em paz. O filósofo alemão Nietzsche dizia que “Há sempre um pouco de loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura.” No fundo, eles, talvez, tivessem razão. Não dava mais para viver. O detalhe é que Silvânia preferia viver sofrendo a perder a vida, e Jadielson não aguentava mais tanta agonia. Era paixão em mão dupla.
O que fora fazer Silvânia, já separada, na Serra das Russas, justamente com Jadielson, sabedora do desespero do ex-marido? É que o apaixonado é sempre um assujeitado, um submetido, ele não tem forças para a paixão. Estavam escravizados por um sentimento sem norte, sem direção, sem noção de causa e efeito. Juntos, se desentendiam; separados, sentiam saudade. Um era a droga do outro, bem descrito nos versos:
Meu vício é você! / Meu cigarro é você! / Eu te bebo, eu te fumo / Meu erro maior / Eu aceito, eu assumo / Por mais que eu não queira / Eu só quero você...
Um desejo, não pelo prazer, mas pelo objeto. Porque prazer que dói se resume em sofrimento. Jadielson e Silvânia morreram na Serra, dando sequência ao abismo em que se atiraram. Andavam abismados.

Desesperado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Thursday, December 08, 2011

Malvadezas natalinas

Cuidado com as malvadezas do período natalino. Não vá ficar de cara pra cima, pensando que a humanidade se transformará numa procissão de entes de luz. Fique ligado. O menino Jesus está na lapinha, mas a rua, cheia de Judas Iscariotes.
Foi o que aconteceu a uma estudante universitária, lá no semáforo em frente à Casa dos Pobres, no centro de Vitória de Santo Antão. Um monstro encostou na janela do carro, pediu que lhe passasse a chave do veículo e se mantivesse sentada. O demônio queria que a vítima dirigisse para ele. Foi quando, desesperada, ela abriu a porta e saiu correndo na direção do Colégio Antônio Dias Cardoso, enquanto ele dava partida, margeando o prédio do Fórum.
Aqui, no bairro do Cajá, três meninos passam o dia roubando, e a população só mancuricando. Todos comentam, conhecem os pivetes pelo nome, data de nascimento e árvore genealógica, mas ninguém se mete. Diz que tem um maiorzinho, um médio e um pixototinho. Quando se pergunta: - Você conhece os meninos que roubam aqui no bairro?
Logo se responde: - Claro. Eles moram ali e são filhos de seu fulano e dona fulana.
Nesses dias, aparece uma vítima de natureza árabe ou chinesa e larga um ‘mói’ de bala no cangaço de um deles. Não é brincadeira. Aconteceu com um galeguinho que cheirava cola de sapateiro e vivia roubando aqui no bairro. Ele mesmo comentava: - Eu penso que vão me matar.
Não era pensamento, era certeza. Contam que pegaram ele, dormindo num sofá velho, lá nos cafundós, e meteram ficha.
Portanto, cuidado aí, macacada. Não vá pensar que o clima é de paz e amor, e esquecer a guerra e o ódio que fazem parte da natureza humana. Quem penetra no recinto de sua residência, ou põe uma arma de fogo na sua cabeça, não está amando nem lhe dando boas-vindas, está em guerra com o mundo e odiando os seus semelhantes.
Vigilante abraço!
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, December 06, 2011

Palmadas na berlinda

As palmadas estão na berlinda. Antigamente, menino apanhava, mas não morria no pau. Nunca vi pai matando filho, nem estuprando, engravidando filha, como hoje. A radicalização da medida que proíbe palmada em criança deve advir da violência perpetrada contra menor, sobejamente divulgada no dia a dia da mídia nacional. Nos idos, menino levava palmada, adolescente tomava lapada de cinturão, mas não me lembro de nenhum infanticídio. Aliás, crimes, perpetrados há 40 anos na cidade, contam-se nos dedos. Talvez, porque a população fosse pequena e o jornalismo não desse a cobertura, em tempo real, como agora. Mas, baseando-se na rotina, o adulto de hoje não tem moral para bater em menino, não merece confiança. Qualquer um é suspeito. Tanto que virou esquizofrenia coletiva. Você não pode se acocorar para dar um caramelo a uma criança.

Na cidade de Pinheiros, no Maranhão, um preso foi decapitado pelos carrascos de estimação porque teve uma ninhada de filhos com a própria filha. Por outro lado, a mulherada arruma estuprador como padrasto e, depois de 5 anos, fica dizendo que não sabia. Essa medida deve ser um castigo para os adultos, para o seu péssimo comportamento. Há mais de meio século, na minha cidade, uma professora botou o filho do prefeito, na calçada da escola, com uma banca na cabeça, e o pai achou normal. Ainda deu-lhe um corretivo em casa. O resultado poderia ter sido desastroso, mas o menino deu pra gente. Hoje, uma professora dá uma nota baixa a um aluno e tem a cara arranhada e os braços fraturados. Significa dizer que os adultos perderam a força moral nos exemplos do cotidiano. São políticos sacanas, televisão pornográfica, consumismo desenfreado, supervalorização do TER sobre o SER, impunidade, tudo exibido exaustivamente aos olhos pidões da meninada. Depois, exige-se respeito. O adolescente de hoje é resultado do adulto de hoje, do mundo de hoje. A televisão, por exemplo, sexualiza a adolescência e escandaliza com a consequência. Quer dizer, lucra dos dois lados. São beijos de desentupir pia, virilhas se encontrando. Ninguém aguenta.


Em resumo, não existe palmada educativa. Nenhum ser humano será anjo, ou demônio, porque tomou, ou deixou de tomar palmadas. Entre um pai e um filho, há um abismo imenso, como entre um marido e uma esposa, um patrão e um empregado. Portanto, palmada pode, perfeitamente, ser considerada agressão física. Ora, se um homem não pode bater numa mulher pela disparidade física, por que um adulto poderia bater numa criança? Quando um homem bate numa mulher, sempre acha que tem razão. Quando um pai bate num filho, sempre acha que tem razão. Arvoram-se em juízes. Mas, será que as vítimas acham que merecem apanhar? Ou reagiriam, se pudessem? Não seria o caso de analisar as razões do ódio, já que o ódio jamais será extirpado do coração humano? Impõe-se uma indagação: por que será que os índios não batem em criança?
Polêmico abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, December 05, 2011

Foto

Parece um desenho, mas não é. Trata-se de uma montagem fotográfica da arte surrealista e poética do holandês Ruud Van Empel, que irá expor suas belíssimas montagens na Bienal de São Paulo, em 2012, na comemoração ao Ano da Holanda no Brasil. Sua obra é de mexer com a respiração. Um verdadeiro ESPETÁCULO!

Inspirado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Saturday, December 03, 2011

Eu tive uma namorada em Caruaru

Isso foi na década de 70. Eu era adolescente e achei de me engraçar de uma menina lá em Caruaru. Todo domingo, eu ia passear na pátria de Vitalino. Pulava da cama cedo, me enfatiotava todinho e ia pra BR, pegar ônibus. Os ônibus apostavam carreira. Tinha da São Geraldo - parece que da Jotude - e Caruaruense. Eu viajava com a cabeça na janela para ver a paisagem. A ventania ficava fazendo uma zoadinha no ouvido. Seguia pensando na vida, imaginando o futuro, no horário da esperança. Não sei por que, mas associo a aurora ao porvir. Já minha avó Celina dizia que a noite era a hora da saudade. Sei lá...
A princípio, eu ia assistir a filmes no Cine Santa Rosa e Irmãos Maciel. O Cine Santa Rosa ficava na pracinha, como quem ia para o Bairro do Salgado. Um dia, passou Dr. Jivago, com Omar Sharif e Julie Christie, um filme americano de 1965. O pessoal do meu tempo deve se lembrar. Eu comprava uma carteira de Continental, sentava na avenida e pedia uma cerveja Antártica Paulista. Pedia Brahma Chopp também. Parecia um hominho. Foi quando, passeando pela Feira de Caruaru, conheci uma vendedora de sandálias, alpercatas, um bocado de coisa de couro. Olhos pretos em moldura amendoada, pele morena afogueada, feito um cavalo alazão. Era todinha um chocolate. Nem parecia gente, parecia uma figura de livro, de romance, de literatura. Ou qualquer coisa que só aparece em sonho. Os cabelos batiam na cintura, e a boca tinha um eterno frescor de chiclete Ping-Pong. Eu ficava o dia todo peruando pra namorar com ela. Um dia, a gente namorou numa esquina lá na Caruá. E eu terminei dormindo na Princesa do Agreste, inalando aquele cheirinho de travesseiro de marcela que tem praquelas bandas. Chega dava sono. A morena era boazinha que era danada, toda silenciosa, andava devagar e ria baixinho. Os olhos é que eram tagarelas. Dava vontade de comer um pedaço, embora, naquele tempo, a gente namorasse de roupa, era proibido namorar nu. Eu ficava tão contente que botava pra contar história. Dava um pigarro e enfeitava a conversa. Meus colegas diziam que eu estava mentindo. Minha mãe também pensava que eu mentia. Um dia, descobriu que era poesia.
Adolescente abraço!
Sosígenes Bittencourt

Friday, December 02, 2011

FRAGMENTOS

Como bom jogador, Marcelinho Paraíba precisa aprender a driblar arapuca.

Sosígenes Bittencourt

Thursday, December 01, 2011

Justiça à margem da Lei

A Justiça é cega, mas os homens é que se negam a enxergar o Direito. Marcos Mariano da Silva, perante Themis, a deusa de olhos vendados, não tinha cor, credo nem classe social. Mas, os seus algozes o viam como ex-mecânico, homem sem posses, riqueza, desprovido de beleza. Marcos Mariano não tinha nada que chamasse a atenção dos causídicos, nada que os seduzisse, por isso foi vilipendiado. Porque não há desprezo maior do que você negar justiça a quem merece.
Marcos Mariano não passou 19 anos preso, como inocente, sem que a Justiça o soubesse. Porém, a Justiça só se faz pela ação do homem. E onde estava esse homem? Quem são esses pérfidos indiferentes? A Lei, enquanto teoria, é apenas uma flauta, alguém terá de soprá-la.
Embora cego, Marcos Mariano sabia a verdade, enxergava dentro, mas era um Tirésias esquecido. Como confiar naqueles que lhe negaram a liberdade? Como acreditar na Justiça nas mãos de quem a nega? Porque Marcos Mariano da Silva não foi tratado como marginal, a Justiça foi que agiu à margem da Lei. E de que adianta, agora, indenizá-lo, se ele está morto? Cegou dentro do presídio e morreu sem enxergar a liberdade. Morreu sem poder ver as noites e os dias. Como imaginar que o ex-mecânico Marcos Mariano foi torturado até a morte por aqueles que tinham o dever de lhe conceder o direito de viver?
Vilipendiado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, November 29, 2011

Um dia, eu fui bater em Mocotó

Um dia, eu fui bater em Mocotó. Mocotó fica na zona rural de Vitória de Santo Antão. Para chegar a Mocotó, vai por Natuba e tem a Ladeira do Comprido. Em Natuba, tem alface que só.
- Onde fica Mocotó? – pergunta-se ao matuto.
- Ali, logo ali. Vá indo, que o senhor chega lá. – estirando os beiços.
E tome a botar marcha, acelerar e debrear, suspirar, cantarolar, o vento assanhando o cabelo. Eu tinha cabelo naquela época. Mocotó já foi lugar de se contratar empregada doméstica. Isso foi no tempo em que empregada só prestava se fosse de sítio. Hoje, elas assistem a Malhação.
E lá ia, eu, pra Mocotó em meu Chevette bege, carregando duas camaradas assanhadas e uma garrafa de pinga. Sequer precisava, posto que, na barraca de Pedro Amaro, só era o que tinha. Até garrafa de Pitú com tampa forrada de cortiça, empoeirada na prateleira. Coisa rara. Diz que uma custa cem mil réis. Aí, botamos pra jogar sinuca e bebericar manguaça com linguiça. Sardinha também. Juntou foi gente.
- Dona fulana, vê quem tá na venda!
- Quem?
- Aquele professor lá da cidade.
Foi em Mocotó que eu vi uma velha de bigode. Um "mói” de gato espalhado pelo chão. Tinha bichano até debruçado na janela. Foi num arruado chamado Vila Marinho.
Mas, no pega-bebo de Pedro, entre uma tacada e outra, uma talagada e outra, uma piada, uma distração, uma risadagem danada. Isso foi durante a tarde todinha.
De repente, começou a anoitecer em Mocotó. Arrumamos os picuás e botamos pra voltar. O Chevette, ora acelerava, ora bufava. Parecia que era o carburador, o giclê entupido. Dava catabi na rodagem. O lençol da noite vinha forrando o dia. Tinha uns meninos pegando carona, encardidos, cheirosinhos a verdura, contentes que só pinto no lixo. Um deles manifestou: - Êita coisinha boinha, mô Deu.
E como não podia deixar de ser, paramos na primeira venda em Lagoa Redonda. As lambisgóias estavam danadas de enxeridas, falantes e esfomeadas.
- Me dá a saideira aí, seu fulano!
E o velho, solícito: - Pois não, meu jovem.
Também vinha pensando: esse mundo jamais fará reforma agrária.
Vesperal abraço!

Sosígenes Bittencourt

FRAGMENTOS

Estudante de Vestibular já está careca de saber
que não se passa em Vestibular sem saber.
Sosígenes Bittencourt

Sunday, November 27, 2011

A invenção de cotas raciais

Essa questão de cotas raciais é uma postura mais de natureza política do que outra coisa. Porque a grande causa do fracasso de negros em concursos públicos e nos vestibulares é a educação de má qualidade. Por quê. Sobretudo porque são pobres. Ora, se você cria cotas para os negros pobres, onde ficariam os brancos pobres? A questão me parece não ser relativa à cor, mas relativa à acessibilidade ao ensino de qualidade. E essa é uma responsabilidade do Estado. A artimanha política é criar sistema de cotas para negros para angariar simpatia da população negra, que é a maioria. Se você for indagar os próprios negros, eles acharão que esse sistema de cotas é uma forma de discriminação. Por exemplo, aquele negro que opta pelo sistema de cotas já denuncia sua incapacidade de disputar num outro tipo de sistema. Ademais, você para instituir um sistema de cotas terá que, obviamente, saber se aquele negro deve ter acesso a um ensino de qualidade, ou não. A pergunta é a seguinte: por que não se cria sistema de cotas para brancos? Há brancos pobres que não têm acesso a ensino competente. Portanto, o grande empecilho não deve ser encarado como a cor, mas como a deficiência no ensino público, que não oferece iguais condições de competitividade entre as classes sociais. O estado não investe, nesta área, como deveria. Por isso, os melhores professores vão para as escolas particulares e fogem das escolas públicas. O discurso é de que educação é prioridade, mas nunca foi, é falácia. É "tertulia flacida ad bovinum adormentarem", ou seja, conversa mole pra boi dormir.
Também seria bom frisar que igualdade, nos termos políticos em que se coloca, para galvanizar popularidade, é engodo, um mito, fundado pela Revolução Francesa. Ela nunca existirá. As pessoas, por si mesmas, estabelecem desigualdades. Porque, paralelamente, depende do empenho de cada um, de talento, de competência. Mesma condição não significa mesmo resultado.
Indiscriminado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Friday, November 25, 2011

Vila Nova 0, Sport 1

Êita, agonia danada! A equipezinha do Vila Nova veio com uma récua de reservas, mas doido para entrar para a história do futebol. Naturalmente, empurrados por um Papai Noel generoso, que deve ter-lhes prometido uma graninha, é claro. O goleiro do Vila Nova pegava bolas espíritas, mesmo com Marcelinho Paraíba fazendo miséria nos lançamentos e cobranças de escanteio. Aí, desabou um dilúvio. O céu ficou carrancudo, começou a lançar uma incógnita sobre o futuro. Eram muitos corações prestes a infartar. Contudo, em meio ao desespero, o destino parecendo enevoado e bruno, profundamente triste, lá vem Bruno, o Mineiro, conduzindo o triunfo na trajetória de sua carreira. Ninguém poderia adivinhar, até implicava. Nem desconfiava que o destino estava exatamente ali, traçado na cabeça de Bruno. E o Sport foi macho até debaixo d'água. Nem as piscinas, armadas pela chuva, impediram o Leão de subir de Divisão. O Sport soube navegar, equilibrar-se na areia movediça. Até que, entre o Leão e o Tigre, Luís Cetin terminou tomando um frango. Agora, é só comemorar o casá! casá! casá!

Essa vai para minha avó Celina - já residindo na Eternidade - que tomava banho e botava perfume, para ouvir os jogos do Sport pelo rádio.

Rubro-negro abraço!

Sosígenes Bittencourt