
O sentimento segue aquilo que amamos. O problema, portanto, não é sentir, mas amar as coisas certas.
Olavo de Carvalho
Há dois profissionais que deveriam ser bem remunerados: o professor e o médico. O professor, porque educa; o médico, porque salva. O professor forma o médico, e o médico salva o resto. O médico parece um intermediário entre Deus e a criatura. Sem médico, você pode morrer de uma cólica, de um pigarro, de uma dor de cotovelo. No entanto, quem ganha dinheiro é político e jogador de futebol. Político, porque pega no dinheiro do povo e compra o próprio povo. Jogador de futebol, porque o povo troca o pão pelo circo. Para ser político, basta querer, nem precisa ser bom da bola. Para ser jogador de futebol é preciso saber lidar com a bola, nem precisa ter juízo. Médico em greve é consequência de incompatibilidade entre trabalho qualificado e exaustivo, extrema responsabilidade e ninharia salarial. Não é brincadeira um médico ganhar o que ganha para trabalhar 24 horas por dia, e um jogador ensacar uma fortuma para correr atrás de bola duas vezes por semana. A categoria vai ficando revoltada, meu Deus. Jogador toma salva de palmas e fogos de artifício. O médico, quando salva, o paciente quer mais esquecer. Ninguém quer ir a médico, quer ir ao jogo. Por isso, os esculápios se sentem esculachados. Terminam tirando o jaleco e cruzando os braços. Desobedecem o Juramento de Hipócrates de Cós. Depois, esses Planos de Saúde arrecadam, arrecadam e sofrem de má vontade. Querem tratar médico como balconista de loja. Vá ver que tem nababo surfando sobre a grana, e o médico sem plano pras mangas.
O trio de radialistas que aparece na foto é composto por três tagarelas do rádio vitoriense. Da esquerda para a direita de quem vê, são eles: Breno Ramos, Samuca Voice e Francisco Lima. Breno atende pela metonímia 'A Pérola Negra do Rádio', Samuca é o versátil, e Francisco Lima é o disc jóquei dos recadinhos amorosos. Mas, o presente que recebi de Breno Ramos não é coisa só de rádio, é negócio pra cinema. Duas edições de sua coletânea de Sucessos do Rádio, intitulada "Saudade Antiga". Na foto, a edição nº 4. A foto deve ser da Rua do Bom Jesus, lá em Recife. Dá só uma sacada no cardápio musical que o menino de Campo Grande pescou para nós.
O ser humano é cativo do bom tratamento.
Isso sou eu, em Recife, no dia em que fui dar uma aula inaugural a uns alunos de Engenharia na Universidade Federal de Pernambuco. Fiquei ancho com a recepção. Foi a primeira vez que senti uma incontrolável vaidade intelectual. Os estudantes ficaram atentos, eu discursando sobre O Milênio do Saber. Ai de quem não souber; será portador de deficiência. A motivação foi recíproca, em mão dupla, os alunos me motivaram. Fui falar uma coisa, falei uma miríade. Parecia o homem da cobra. Senti, pelos corredores da Universidade, a circunspecção de uma procissão de lentes. No campus, a aragem do porvir. Principalmente, minha morte. Depois, fomos a um restaurante numa avenida movimentada da cidade. De frente para a calçada, vi um Recife encimentado sobre o Recife que vi quando menino. Aqui e acolá, um fragmento do Recife de Gilberto Freyre se balançando na Vivenda de Santo Antônio de Apipucos, de João Cabral de Melo Neto com sua invenção de vidas severinas, de Manuel Bandeira e sua cabeçorra vigiando a Rua da União.
Esculhambação no bairro do Cajá
Um amigo das antigas me procura desesperado.
Nem envolta nas vestes de Madre Teresa, Jaqueline parece uma santa. Madre Teresa era mais serena. Jaqueline é meio atarantada, coitada. Nem se lembra de que já chamou a deputada Eurides Brito de "cara de pau", quando Eurides teve o mandato cassado, em 2009, porque recebeu dinheiro de Durval Barbosa. Atacada de amnésia, Jaque recebeu também. Engraçado é que recebeu do próprio Durval. Tem jeito?
Diferença entre orações causais e explicativas
Aprendi a gostar da segunda-feira quando comecei a respeitar o domingo. Vê-lo como dia de reflexão e repouso. E dentro do plano de refletir, obviamente, há o de esvaziar a mente, ficar um pouco sem pensar na vida, deixando fluir pelo corpo uma boa música, ver um filme leve, uma história de amor, talvez. Não Saia Rodada, mas ouvir um clássico, tomar um solo de violino, um piano. Conheço amigos que pegam a estrada e vão tomar birinaite na praia para descansar. Funciona? Outros vão ao pagode, remexer o esqueleto para relaxar o quadril.
Convidado para uma palestra, em determinado momento me facultaram a palavra. A palestra era sobre Corrupção. O tema não é a minha paixão, mas palestra é sempre bom, é lucro certo. Uma de minhas leitoras acabou de fazer um comentário sobre a educação antigamente e hoje. E este deve ser o motivo de expor o que comentei na palestra e mais alguma coisa.