Wednesday, July 27, 2016

DOCE DE BANANA E PAU DE CANELA

De manhãzinha, minha mãe manifesta o desejo de confeccionar um doce de banana. O doce é temperado com pau de canela. Aí, eu me apronto e vou comprá-lo no mercadinho do bairro. Tomo banho, boto perfume, costume antigo. Empertigado, decidido, vou desfilando pelas calçadas, narrando, em solilóquio, tudo que faço.
- Bom dia. Tem pau de canela?
O funcionário vai na frente e eu vou atrás, percorrendo o corredor de gôndolas.
- Quanto é o saquinho?
- Oitenta centavos, professor.
- Dê-me dois. (Relembrando que não se inicia frase com pronome oblíquo)
Dirijo-me ao balcão de frios e pergunto a um determinado cidadão: - O nome disso é pau de canela ou canela em pau?
Risadagem geral.
No momento da manufatura desta narração, o doce já está pronto, e a casa incendiada do aroma da guloseima, poética de ternura.
Feliz de quem pode desfrutar do tempo para escrever ou saborear uma leitura no mundo tão amargo e sem ternura que estamos vivendo.
Adocicado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, July 25, 2016

PITACO ESPORTIVO

Sport 2, Cruzeiro 1
Um time pode sair da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro, mas sem tanta surpresa e entusiasmo. O Sport, simplesmente, se amostrou na semana que passou. Enfiou 4 a 2 no Grêmio de Porto Alegre, em Recife, e 2 a 1 no Cruzeiro, em Minas Gerais, com direito a um rosário de dribles de Everton Felipe, passes mirabolantes de Diego Souza, golzinho de curva, filigranado por Rogério, e defesas espíritas perpetradas pelo quarentão Magrão. A equipe já pode descansar na Meca dos rubro-negros, e a torcida gritar sua identidade sonora: Cazá! Cazá! Cazá! – como diria o ficcionista Ariano Suassuna.
Sosígenes Bittencourt   

Saturday, July 23, 2016

RECORDAR É VIVER

FINAL DE SEMANA E HIPOCONDRIA
Vitória de Santo Antão-PE, 04 de julho de 2009
Chegou o final de semana. Esse deve ser o pior momento para os hipocondríacos, aqueles que têm mania de doença e, consequentemente, medo de usufruir os prazeres da mesa. Pois bem. Sempre me lembro, nessas ocasiões, do cardiologista carioca Dr. Luiz Roberto Londres. Porque muitos dos apavorados com as doenças são vítimas do terror da Medicina. Dr. Luiz Roberto condena, por exemplo, o que chama de medicalização da vida e a falta de um maior contato do médico com o paciente. Diz que "na maioria dos casos, os equipamentos não são tão eficazes quanto um médico bem treinado, que enxergue o paciente como um ser humano integral."
E como tem gente que não come um biscoito pra dormir, com medo de morrer de um infarto, veja a crítica que faz o cardiologista quanto às consequências desse pânico. "O resultado disso é que, na ânsia de viver mais, estamos perdendo o prazer de tomar um bom vinho, apreciar um prato de carne, matar a vontade de comer um doce. É um verdadeiro terrorismo médico."
Destemido abraço!
Sosígenes Bittencourt

MEDO DE VIAJAR DE AVIÃO E OUTROS MEDOS

Estava folheando revistas, de madrugada, e dei de cara com o termo científico que designa o medo de viajar de avião. Você acredita? Duvido que você soubesse que medo de viajar de avião chamava-sePTESIOFOBIA. Anota e põe na carteira para se amostrar por aí.

Numa das viagens que fiz, vindo de Fortaleza, estava ao lado da asa, minha colega só falava na Eternidade e o avião balançava mais do que um barquinho de papel numa bacia d’água. E quem danado ia à cabine? Como a viagem era curta, entornei duas latinhas de cerveja e guardei a vontade de ir ao WC para o aeroporto dos Guararapes.

Mas, medo é medo. O pior é a fobia, que é o medo patológico. Você vê chifre em cabeça de cachorro e teme o que não lhe faria o menor mal. Eu tinha um tio que tinha um medo irracional de gatos. Tomava todas, adorava “gatinhas”, enfrentava um homem, mas temia um gatinho enroscado no sofá. Depois que descobri o termo que designa este pânico, também nunca mais esqueci: AILUROFOBIA. E o mais pitoresco é o medo de ter medo, a tal da FOBOFOBIA. Tem jeito? Quem vive lendo, de madrugada, descobre cada coisa danada.
O meu pai era capaz de arrodear um quarteirão para driblar uma rã. Se minha mãe vir uma barata, é capaz de derrubar o prédio para matá-la. Quer dizer, você não tem medo de arriscar a vida para matar aquilo que não significa nenhum risco de morte.

Toda vez que falo de medo de avião, lembro-me de Ariano Suassuna. Perguntado sobre o que achava quando um avião caía, respondeu: - "Eu não fico impressionado quando um avião cai, eu fico impressionado como é que ele sobe."
Em suma, a humanidade deveria ter medo da depredação do meio ambiente, do desemprego e da pobreza, que transmitem doença e geram violência, isso sim.

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, July 19, 2016

ANIVERSÁRIO

Faz 61 anos que fui dado à luz.
Desde então, INSPIRO o ar
e me INSPIRO com a luz.

 Sosígenes Bittencourt

VEREADOR EDMO NEVES

CONVENÇÃO MARCADA: GRUPO DO PROFESSOR EDMO DEVE ENFRENTAR CANDIDATOS TRADICIONAIS DA POLÍTICA VITORIENSE

O Partido da Mobilização Nacional (PMN) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) marcaram para o dia 29 de julho, às 17h33, a convenção unificada que irá escolher os candidatos a prefeito (a), vice, e vereadores. O nome do Professor Edmo Neves e do comerciante Zé da Juliana são aprovados pelos diretórios municipal e estadual à disputa para a Prefeitura de Vitória de Santo Antão.  De acordo com analistas, diante do cenário atual, essa candidatura desponta a polarizar com a chapa herdeira do coronel tradicional da política, enquanto outros grupos brigam internamente por um candidato ou focam em se auto-afirmar como sendo a terceira via.

A convenção vai acontecer na quadra do Alto do Reservatório, onde funciona o Centro Acadêmico da UFPE e tem a presença garantida do Senador Armando Monteiro Neto, do Deputado Federal Jorge Côrte Real e de outras lideranças do PTB e do PMN que apoiam o nome do Professor Edmo e de Zé da Juliana, como única opção possível de fazer uma gestão propositiva e voltada para o trabalho pelo desenvolvimento sustentável.

Além de contar com o apoio de grande parte da população de Vitória que demonstram a confiança no Projeto Político do Professor e de Zé, pré-candidatos a vereador de todas as regiões da cidade e personalidades importantes da cidade também prometem estar na convenção como os diretores da UFPE, José Eduardo Cardoso e René Duarte, o empresário Jailton Albuquerque, o consultor em Gestão Municipal, Elias Martins, os médicos Hélio Andrade e Fernando Verçosa, a cantora Joelma Mota, o farmacêutico Hélio Freitas, o Engenheiro Agrônomo Glauco Caldas, o Professor Darlindo Ferreira, Missionária Carliane Duarte e o advogado José Fernando Moura.


A coligação é formada pelo PMN, PTB diante do cenário positivo e das propostas apresentadas nas reuniões do Plano de Governo Participativo, outros partidos também estão se aproximando.

Monday, July 18, 2016

VEREADOR EDMO NEVES

Professor de Telejornalismo lança livro com história da TV Asa Branca

A publicação vai ser lançada no fim do mês e relembra também fatos importantes
que marcaram a história do interior de Pernambuco

Vai ser lançado no próximo dia 31 o livro ABTV – Fazendo História do jornalista Luís Boaventura. A publicação "ABTV - Fazendo História", mostra a emissora desde o dia 1ª de agosto de 1991 até os tempos atuais, bem como os funcionários, o trabalho de levar as notícias locais para os telejornais nacionais, além de como é feito o ABTV.
“Diferentemente das histórias que a emissora contou e que se encontram preservadas em um centro de documentação em fitas U-Matic, BetaCam, VHS, em DVD e, mais recentemente, em HDs, a história da própria emissora não está registrada. Ela foi conservada nas lembranças dos diversos funcionários que fizeram parte do processo de consolidação da TV Asa Branca no mercado jornalístico do interior e eu fui atrás dessas histórias”, explicou Boaventura.
Essa é a primeira publicação a registrar a evolução da emissora do interior de Pernambuco. Além de relatar a evolução do canal de TV, Boaventura também faz um relato ano a ano, de 1991 a 2016, dos principais fatos que a emissora cobriu. “Fatos que fazem parte da história de Pernambuco e foram registrados pela Asa Branca como a tragédia da hemodiálise, denúncia de trabalho infantil na Feira da Sulanca, tremores de terra e as enchentes”, exemplifica o autor. 
Também foi feita uma busca para encontrar os repórteres que passaram pela Asa Branca e cobriram esses fatos destacados e fizeram comentários sobre o processo de construção da notícia e a repercussão na época. Alguns, inclusive, dos primeiros anos da TV, como Ana Paula Freire que hoje mora no interior de São Paulo e Sérgio Farias, que está no Rio Grande do Norte.

O prefácio é do repórter especial da TV Globo, Francisco José, que trabalha há 40 anos na emissora e conhece muito bem a região onde a TV Asa Branca está inserida, já tendo mostrando ao Brasil as belezas do Vale do Catimbau, a alegria do São João de Caruaru e denunciado o escândalo da mandioca.
Este é o primeiro livro de Boaventura, que trabalhou na TV Asa Branca, TV Clube/PE, TV Globo Nordeste e atualmente é professor de telejornalismo do Centro Universitário Maurício de Nassau – Uninassau. O lançamento vai ser no Shopping Caruaru, no dia 31 de julho, às 16h, véspera dos 25 anos da emissora.


Thursday, July 14, 2016

RECORDAR É VIVER

O LEÃO COROADO E AS EXPLICAÇÕES DE ZÉ MARQUESVitória de Santo Antão - PE, 25 de julho de 2005

 Vez por outra, estou despachando na Pizzaria Chaplin, dou de frente com José Marques de Senna, cujo sobrenome, insiste em observar: é “Senna” com dois “nn”. É uma daquelas figuras injuriadas com a perda da memória nacional. Ou seja, a falta de ensino sobre nossos heróis, tradições e monumentos. Acha fundamental para a preservação de nossa identidade. Entre uma fatia de pizza e outra, discorre, fluentemente, sobre nosso universo histórico. Aliás, relembrar, é por aqui mesmo, haja vista o que Dilson Lira tem de poesia, salva no disco rígido da memória. Mas, são poucos, esses campeões - dos quais Melchisedec faz parte, octogenário e escrevendo livro - meio ignorados pelas autoridades e juventude local. Parece que a bola da vez é a do Trio Elétrico e as danças do tipo Na Boquinha da Garrafa. E poderíamos citar outros, indignados com essa indiferença, como o poeta e ex-metalúrgico Egídio Timóteo Correia, que faz versos mandando cuidar das ruas. E quando chega agosto, aí é que falam sobre Vitória e seus feitos. Pois é tempo de escalar o Monte das Tabocas e comemorar a carreira que os rebelados pernambucanos deram na pirataria batava, justo aqui, a 48 quilômetros da Ribeira Marinha dos Arrecifes (atual cidade do Recife), à Hora do Ângelus, no dia 03 de agosto de 1645. Mas, para não perder o fio da meada, conta Zé Marques que o Leão Coroado é o capitão José de Barros Lima, cuja cabeleira, esculpida no busto, não tinha aquela dimensão. Diz que o prefeito, na época, era Eurico Valois – pronuncie-se “valuá” – e estava celebrando o centenário da Revolução de 1817. A obra é do escultor Antônio Bibiano Silva, nascido em Vitória, em 1889. A expressão “Leão Coroado” é uma homenagem ao Leão do Norte. Diz que, quando o coronel de polícia deu-lhe ordem de prisão, a mando do Governo Português, José de Barros Lima enterrou-lhe a espada na virilha, matando-o logo em seguida. 
(Saudoso abraço!)
Sosígenes Bittencourt 

Tuesday, July 12, 2016

UM CERTO MÊS DE JULHO

Em julho de 2014, exatamente há dois anos, mês em que faço aniversário, perdi 3 seres humanos do mesmo ofício. Porque ninguém se diploma na arte de escrever. Escrever é destino, é-se escritor desde menino.
No dia do meu aniversário, 19 de julho de 2014, dia em que comemorei 59 anos que morreram, ou seja, que afundaram na escuridão do passado para nunca mais voltar, faleceu o escritor Rubem Alves, um dos defensores da ideia de que o aniversário não comemora anos de vida, comemora anos que morreram. Daí, o apagar as luzes e soprar uma velinha no escuro.
Isso, depois de haver contabilizado a morte, já no dia 18, do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, uma inteligência notável pelo bom aproveitamento na faina de ler e escrever, e um palestrante das ruas e mesas de bar, característica de quem nasceu para criar personagens e viver como um ator no palco da existência.
E como se não bastasse, logo em seguida, no dia 24, a morte encena a peça de conduzir o escritor Ariano Suassuna à morada eterna. Ariano falecido é um morto que nos permite sonhar, um morto que fala sem emitir palavras, de tanto que comemorou a vida, fazendo da existência uma narrativa, transformando os dias numa palestra.
Enfim, Esses cidadãos não tinham problema com a morte, tinham compromisso com a vida. E se perpetuaram através de suas obras. Deram-se o direito de morrer sem jamais serem esquecidos, concedendo o legado de suas inteligências “urbe et orbe” – à cidade e o mundo.
Inesquecível abraço!
Sosígenes Bittencourt

Friday, July 08, 2016

EU VI O MAR

Embora estivesse a negócio, eu vi o mar. O automóvel contornava a orla marítima de Boa Viagem, e senti a vibração coronariana e pulmonar e renal de estar a passear. Tudo mudava. Os negócios a resolver submetidos à vontade de nadar, uma espécie de ovação aos versos de Fernando Pessoa: Navegar é preciso, viver não é preciso. 
E aí, eu me lembrei de que o mar me faz pensar em Deus, o que me encoraja a viver e, talvez, me encoraje a morrer. E me acorreram duas outras orações de espetacular inspiração: As árvores são os braços que sustentam o céu, e o mar é o espelho líquido do infinito.
Passavam as árvores, como criaturas acenando, e o sol derramava sua luz aloirada sobre o ondear do oceano.
Boa tarde, Recife, o meu coração ia cantando e relembrando velhos carnavais, clarins, velhos são joões, rojões e arraias, monumentos antigos, sargaço e quintais.
Veio o vento e suspendeu o vestido da banhista displicente que nunca saberá o quanto fiquei contente. 
A vida é assim mesmo, uma vez vivos no mundo, não tem mais jeito, o jeito que tem é viver.
Oceânico abraço!

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, July 05, 2016

WESLEY DOAÇÃO

Nem todo Wesley é Safadão como se imagina. Depois de tanta arenga político-econômica por causa da bagatela de 575 mil reais, Wesley resolveu doar a mixaria aos pobres.
Dá até impressão de que Caruaru precisa mais de Safadão do que de safadeza político-eleitoral. Aliás, há quem acredite em mutreta na doação, exatamente por causa de contrato de show para São João em tempo de campanha para eleição.
Tem jeito?

Sosígenes Bittencourt

NASCIMENTO DE AGOSTO

Eu ontem, eu vi agosto nascendo. Agosto frio, brandamente açoitado pelo vento. Mês da procura de alguém para nos esquentar, pois não há melhor agasalho do que o abraço da pessoa amada. 
Um agosto, eu namorei uma mulher morena, que me promovia a sensação de me aquecer no tição de sua pele. 
Ninguém é capaz de viver tão sozinho, temos de ter alguém para nos fazer carinho. 
Um dia, o poeta Alfred de Vigny ressaltou:
Que me importa o dia,
Que me importa o mundo,
Eu direi que eles são belos
Quando os teus olhos o disserem.
Caloroso abraço!
Sosígenes Bittencourt


Wednesday, June 29, 2016

SÃO PEDRO

São Pedro, segundo a tradição, teria morrido em cerca de 67 d.C., e foi um dos doze Apóstolos de Jesus.
O seu nome original não era Pedro, mas Simão. Cristo apelidou-o de Petros - Pedro, nome grego, masculino, derivado da palavra "petra", que significa "pedra" ou "rocha".
Jesus ter-lhe-ia dito: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e o poder da morte não poderá mais vencê-la.
Pedro tem uma importância central na teologia católico-romana. É considerado o príncipe dos apóstolos e o fundador, junto com São Paulo, da Igreja de Roma (a Santa Sé), sendo-lhe reconhecido ainda o título de primeiro Papa.

PAPA quer dizer: Pedro ApóstoloPríncipe dos Apóstolos.
Sosígenes Bittencourt

Thursday, June 23, 2016

SÃO JOÃO - NO TEMPO DE EU MENINO

Das três maiores festas anuais, o São João é a mais singela e tradicional. O Ano Novo nos trespassa de tristeza, porque sugere a contagem do tempo e amontoa os mortos. Abrimos álbum de retrato e botamos pra choramingar. O Carnaval é uma festa perigosa, de extravasar frustrações. O pessoal só falta correr nu pela rua. 
São João é uma festa mais pacata, que relembra nossas tradições mais atávicas, nossas raízes culturais. Lembro-me do São João das ruas sem calçamento. O mundo parecia um terreiro só. As mulheres cruzavam as pernas, enfiavam as saias entre as coxas, para ralar omilho e o coco, enquanto os homens plantavam o machado nos toros de madeira para fazer as fogueiras. À tardinha, a panela virava uma lagoa de caldo amarelo onde fervia o maná das comezainas juninas. A meninada ensaiava o jeito de ser homem e mulher. De chapéu de palha, bigode a carvão e camisa quadriculada, era quando podíamos chegar mais perto das meninas sem levar carão nem experimentar a sensação de pecado. O coração se alegrava quando sonhávamos com a liberdade de adultos que teríamos um dia. Batia uma gostosíssima impressão de que estávamos bem próximos de fazer o que não podíamos fazer. Os ensaios de quadrilha relembravam a tristeza do último dia. Pois um ano durava uma eternidade, as horas eram calmas, podíamos acompanhar a réstia do sol e contar estrelas. Pamonha, canjica e pé de moleque eram tarefas de dona de casa prendada, de quem o marido se gabava. Tudo era simples e barato, ninguém enricava com a festa. A novidade era a radiola portátil, e os conjuntos eram pobres de tecnologia, mas os instrumentos ricos de som e harmonia, manuseados com habilidade e gosto, na execução do repertório da festa do milho. Quando São Pedro se ia, ficava um aroma de saudade na fumaça das derradeiras fogueiras e no espocar dos últimos fogos.
Sosígenes Bittencourt

Wednesday, June 22, 2016

VEREADOR EDMO NEVES

Professor da UFPE coordena Plano de Governo do PMN, em Vitória
O diretório municipal de Vitória de Santo Antão do Partido da Mobilização Nacional (PMN) iniciou essa semana a redação do seu Plano de Governo. Esse trabalho está sendo coordenado pelo Professor Darlindo Ferreira, do Centro Acadêmico da Universidade Federal de Pernambuco, em Vitória de Santo Antão. Ferreira é doutor em Psicologia pela UFES e estuda práticas institucionais.
A intenção é chegar a um Plano de Governo que atenda as necessidades reais dos vitorienses. Para isso estão sendo feitas reuniões temáticas com especialistas de cada área, além das pessoas envolvidas diretamente com aquele problema. “Essa é uma demonstração de algo que falta muito aqui em nossa cidade, chama-se: aprendizado da democracia. Só se faz democracia com escuta, com diálogo. Aquilo que vem de cima para baixo não pode ser democracia”, comentou Ferreira.
 “Acertamos muito mais do que erramos quando ouvimos as pessoas e por isso essa iniciativa chega para quebrar o costume de anos anteriores em que empresas de fora que trabalham com marketing foram contratadas para elaborar esses documentos. Documentos estes que na maioria das vezes são ações propostas ações eleitoreiras” destaca o presidente do diretório municipal do PMN, Professor Edmo Neves.
Além dos encontros, os mais de 600 requerimentos já apresentados pelo Professor Edmo na Câmara, atendendo aos pedidos da população; e as demandas que chegam por meio do formulário disponibilizado em sua página pessoal, na internet, também mostram as necessidades que precisam ser priorizadas.
E Ferreira trouxe com ele uma proposta para a cidade. “Precisamos pensar numa coisa chamada Governança, que é a máquina pública pensando sobre ela mesma. Algumas cidades tem adotado a ideia e eu estou fomentando isso com a equipe. Uma Usina de Projetos: uma espécie de cérebro do governo onde tá totalmente antenado com todos os projetos. A gente tem que implementar as coisas e ao mesmo tempo na Governança propor formas de avaliação”, considerou o coordenador.



Monday, June 20, 2016

EU, GRAÇA, E A GRAÇA

Toda vez que chega o meio do ano, nós botamos pra pensar em setembro. Sobretudo, Graça Arruda, lá na Espanha. Ela enguiça o Oceano, inundada de saudade, e vem olhar pra gente, de um jeito todo familiar.
Eu me lembro de Graça bem novinha, de saia plissada marrom, cabelão, toda afogueada, com a fantasia do Colégio Municipal 3 de Agosto na Praça do Jacaré. Professores de História carolas chamam-na de Praça da Restauração. Nem morto, dá para esquecer. Cruz credo!
Graça é uma graça na moldura do nome. Fácil de sorrir. Só me lembra o dramaturgo inglês William Shakespeare quando aprendeu que “o sorriso é a maneira mais barata de melhorar a aparência.” E a gente termina sorrindo por contágio, no milagre bioquímico da memória emocional.
Não fosse a internet, a gente partiria deste mundo e não se veria. Mas, agraciados por sermos do tempo da caneta-tinteiro e da nanotecnologia, terminamos por nos abraçar.
Neste sábado de junho, aqui onde nos conhecemos, está fazendo um sol frio, com um cheirinho de madeira queimando no ar. É tempo de São João, tempo de ovacionar o milho e dançar. Tempo de relembrar o tempo da gente menino. E você é o personagem que contracena comigo no palco desta manhã.
Mas, fique no sossego da esperança e da graça de nos encontrar, eu e demais amigos, para fazer a roda da vida girar. 
Reminiscente abraço!
Sosígenes Bitttencourt

Thursday, June 16, 2016

TODO EXTREMO É VENENOSO

Ninguém tem tanto juízo para lidar com o poder que os governantes do mundo têm.
O homem não nasceu para ser tão pobre que chegue a desconfiar da existência de Deus, nem tão poderoso que chegue a pensar que é Deus. 
Sosígenes Bittencourt

Sunday, June 12, 2016

O NAMORO É ESSENCIAL

Todos temos de ter um objeto de namoro. 
Às vezes, um animal; às vezes, um livro. 
Todos temos necessidade de namorar. 
Às vezes, um trabalho; às vezes, a VIDA.
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, June 07, 2016

CONVERSANDO LOROTA

Um dia, eu estava conversando lorota numa roda de mulheres faladeiras quando uma delas se saiu com uma conversa meio fútil, mas interessante ao mesmo tempo. É que eu perguntei por uma menina que conheci, meio namoradeira, moradora do bairro, e a língua de trapo pegou um ar desgraçado. A mulher virou-se numa chibata moral.
Disse que morou vizinha à família da escrachada; que o pai dela tinha uma venda de esquina, dessas de balcão de madeira, que vendia, de caramelo a candeeiro, de aguardente de cabeça a remédio pra dor de barriga, e falava mais do que o homem da cobra.
O defeito do pai da camarada é que batia com o nó dos dedos no balcão da venda e dizia que o dinheiro que tinha, nem Deus acabava. Ora, pelo que a linguaruda sabia, Deus tira a vida do homem, que dirá sua mercadoria. E largava o pau no condenado.
A gente se afastava da faladeira, porque, de tão entusiasmada, saltando de um pé só, uma veia pulada no pescoço, gritava e cuspia que nem uma doida.
Bem... para encurtar a conversa, contou que, de “repentemente”, foram surgindo mercadinhos por todo canto, como se fosse uma praga divina.
Os mercadinhos tinham preço, sortimento na moda, o cliente pegava nas compras com a mão, revirava, cheirava, apalpava e levava numa cestinha para pagar no caixa. Ninguém perdia tempo nem tinha conversa mole: - Muito obrigado, tenha um bom dia!
Quando se perguntava na rua: - Tu ainda estás comprando na venda de seu Fulano? - o interrogado respondia: - Deus me defenda!
Daí, o dono da venda quebrou, a filharada se dispersou, e me sobrou a menina que a faladeira só não a chamou de santa, porque Deus é Pai. Eu namorei com ela, comprei leite de vaca para o menino dela, mas nunca a vi tão avacalhada nem tanto adjetivo ruim como os que aquela marocas lhe imputou. Tem jeito?

Linguarudo abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, June 06, 2016

ESTE MÊS DE JUNHO

Este mês de junho é, sem dúvida, o mês mais excitante e debochado do ano. Só se fala em namoro, beijo, a Espada de Apolo refletida no Espelho de Vênus. O mundo levanta a saia, desabotoa-se, caem os panos. É o mês do “frisson”, do friozinho na barriga. Diz que há 484 tipos de beijo; que o animal racional dá 24 mil beijos durante a vida; que uns beijam com a cabeça inclinada para a direita, porque ficaram envergados na cápsula uterina; que a saliva do homem injeta testosterona na boca da mulher para ela ficar querendo se entregar. Vinícius de Moraes inventou que “a hora do ‘sim’ é o descuido do ‘não’". As noites cheiram a lenha queimando, guloseimas de milho. O som é de estampido, sanfona gemendo, arrasta-pé. A visão é de Luiz Gonzaga entrando no céu com gibão e tudo. Tempo de olhares desconfiados, mãos bobas, a musculatura pegando fogo e as vísceras abdominais resfriadas. Raro o mortal que não cometeu uma safadeza carnal nesse clima. Às vezes, com quem nunca viu; às vezes, com sua prima. Descobriram até que casados gostam de boca cheirosinha a pasta de dente, e que solteiros são chegados a um cheirinho de álcool. Vôte! Tempo de mexerico, hipocrisia. Tem gente que mete o pau naquilo que mais adora. Diz que a língua tem toneladas de terminações nervosas, por isso beijar engatilha o desejo e faz bem à saúde. A beijoterapia ensina que a ocitocina faz um elemento ficar gostando do outro. Mas, diz que o beijo movimenta 29 músculos e permuta 250 bactérias, o que pode servir para espalhar a Gripe Suína. Deus nos defenda! Por isso, o jornalista italiano Dino Segre, popularmente conhecido como Pitigrilli, enredou que “o beijo é uma troca de bactérias em campo úmido.” Enfim, o beijo é um bicho danado. Ninguém é o mesmo depois de um beijo. 
Ensalivado abraço! 
Sosígenes Bittencourt