Monday, October 24, 2011

Entre pipocas

Acontecimento digno de registro ocorreu em João Pessoa (PB), na semana passada. Marlene Alves da Cruz passou mal na quinta-feira, foi socorrida e morreu do coração no dia seguinte. O inusitado é que, nesse ínterim, pediu para ser sepultada num caixão cheio de pipocas. O motivo era porque dona Marlene, embora às 43 primaveras, não gostava de flores. A guloseima manufaturada era-lhe mais atraente do que a obra da natureza.

Aqui, em Vitória de Santo Antão (PE), o falecido pastor Lidônio Fragoso de Almeida, que realizava cultos na Igreja Evangélica Congregacional, sempre recitava para os fiéis:

O homem faz um navio

faz uma fortaleza

mas não faz um limão

que é obra da natureza.

Requiescat in pace

Sosígenes Bittencourt

Fala, Vitória


DROGAS COM CLIENTES EM PIZZARIA

A polícia arrastou 6 clientes de uma pizzaria, em Vitória de Santo Antão, tentando saborear droga. Aventaram a hipótese de penalidade à proprietária.

Vamos esclarecer. Se a Polícia for fechar ambiente onde tem marmanjo com maconha debaixo do capacete e menina com crack ensacado na vagina, nem a Igreja fica aberta. Por isso, a blitz só é realizada com denúncia. Se houvesse baculejo, a céu aberto e de rotina, a cidade estaria um deserto. A questão também é a seguinte: Quem foi que proibiu usar droga? Quem foi que proibiu tomar veneno? Você já viu alguém preso, porque tomou um porre de Baygon? O que ninguém quer encarar é que DROGA virou mercadoria e TRÁFICO virou negócio. E que, quando um quer vender e o outro quer comprar, só não há negociação se não houver dinheiro. É feito mulher quando quer dar e homem quer receber. Só Deus evita. O resto é hipocrisia, tá ligado?

Equivocado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Brasil 1, Costa Rica 3

A Costa Rica é um dos piores times que o mundo já viu jogar, e a Seleção Brasileira, que conseguiu ser desclassificada por ela, é inclassificável. Não há adjetivo para apelidar semelhante desordem. Não é uma Seleção, é um bando de jogadores. Prova da ruindade é ter empatado em 0 a 0, com Cuba, para a eterna felicidade dos cubanos e o rejuvenescimento de Fidel Castro. E tem detalhe, os costa-riquenhos perderam um pênalti, e tivemos Lucas Zen expulso, porque deu um karatê no adversário.

Apesar da torcida mexicana estar torcendo pelos brasileiros, o juiz mexicano Ricardo Arellano, um baita acanalhado, apitou contra a canarinha o tempo inteiro. No final, a conversa é sempre essa: Agora, é levantar a cabeça e pensar na próxima partida.

Que partida, perna de pau?

Decepcionado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Saturday, October 22, 2011

Olho por olho

É assassinando que se é assassinado. Iludido quem mata e espera receber carinho. Kadafi deve ter sido vítima da Lei do Talião: dente por dente, olho por olho.

Segundo reflexão do espírita e benfeitor Chico Xavier, poder-se-ia dizer que Kadafi não poderia fazer um novo começo, mas poderia fazer um novo fim. O ditador líbio não submeteu, platonicamente, a maldade d'alma à razão, a ilusão de poder à inteligência. Quando matou, pelo poder, foi covarde; quando enfrentou os descendentes do genocídio, foi imprudente.

Há quem diga que Kadafi era um democrata, amigo do povo e lutava para derrubar ditadores e ditaduras. A questão é que, de tanto lutar contra ditadores e se perpetuar no poder, virou ditador também. Aí, o povo aprendeu que não se deve tolerar ditadores, o remédio é matá-los. O feitiço virou por cima do feiticeiro.

Mas, Kadafi não foi morto às escondidas, torturado em masmorra, sem o direito de dar um pio. Pelo contrário, foi morto a céu aberto, no meio do povo, pelo povo, com direito a pedir clemência. Quer dizer, morreu de maneira digna, lutando, ouvindo as razões do ódio dos seus inimigos.
Irracional abraço!

Sosígenes Bittencourt

Friday, October 21, 2011

Morte de Palmeira Filho



(3 anos da morte de Palmeira Filho)


Conheci Palmeira Filho aqui em Vitória, sendo-lhe anfitrião e cicerone - nesta cidade cheia de contrastes, às vezes irritante, mas sedutora - não sei precisar há quantas décadas. Palmeira era um homem simples, brasileiro como nós, submetido às agruras financeiras do cotidiano, apaixonado pela vida, portador dessa alegria com que driblamos os problemas nacionais. Embora transitasse normalmente pelas calçadas, Palmeira tinha o dom de falar para as multidões. O microfone da rádio era a extensão da sua voz, lenitivo para sua dor, fuga para os seus aperreios existenciais. Maceteado na arte de conquistar o ouvinte em Freqüência Modulada ou Amplitude Modulada, modulava sua voz na conveniência da hora, desde um reclame a um recado amoroso numa caixinha de pedidos.
Um dia, eu o encontrei já meio combalido, cansado dos problemas do dia a dia, empunhando um copo de bebida e um cotoco de cigarro entre os dedos. Transpirava e tinha as mãos frias. Como vislumbrei sérias complicações de saúde e desânimo existencial, aconselhei procurar uma igreja. Estava na hora de parar de afogar problemas, tentar resolver tudo sozinho ou confiando nos homens. Suas questões transcendiam o lado visível, precisava de auxílio maior, socorro de outra esfera, arrimo da fé. E porque ouvisse meu conselho, viveu ainda por mais de uma década.
Imagino Palmeira no mundo invisível, como descreveu em poema, Manuel Bandeira, Irene Preta sempre de bom humor.
- Palmeira!... Palmeira!...
E Palmeira, se virando: - Ôi, Sosígenes, agora eu estou nas graças de Deus. Penso que está na hora de você procurar uma igreja.
Ali, ele me olha, baixa a cabeça e sai andando. O seu gingado ainda é o mesmo, seu tom de voz.
Imagino a célebre inscrição tumular: “Eu fui como tu és, e tu serás como eu sou. Pensa nisto, e vai com Deus.”
E numa despedida tipo da terra, em lugar desconhecido: - Até mais, Palmeira, a gente se vê.
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, October 18, 2011

O cientista Elsimar Coutinho

Todo cara que vai tagarelar na mídia torna-se polêmico. Dr. Elsimar Coutinho é um deles. Ele fala tudo que lhe dá na telha. E quem não quer ouvi-lo? O professor, médico e cientista baiano fala sobre sexo o tempo todo. E sai-se com cada uma danada. Em suas entrevistas, diz que limão é bom para acidez. Vê só... Ele defende a administração de pouco ácido para combater muito ácido. Quer dizer, umas gotinhas de limão seriam benéficas para um estômago incendiado por uma bomba de sódio, flagelado pelo excesso de ácido clorídrico. Conta que, antigamente, as pessoas tinham esse hábito. Isso, antes do Omeprazol e da Ranitidina. Depois, acusa o Omeprazol de provocar impotência porque reduz a produção de hormônios responsáveis pela tesão e a alegria de viver. Diz que a maior besteira foi terem retirado o Citotec do mercado. Só porque o Citotec era um medicamento para úlcera gástrica, e as pessoas estavam utilizando o remédio para fazer aborto. Realmente, o que é que tem a ver uma coisa com outra? Aí, diz que a Santa Inquisição passou séculos matando pessoas, e a Igreja quer condenar aborto. Fala sobre ciúme e memória como ligados a hormônios do sexo e defende reposição hormonal. Enfim, os verbos que mais conjuga são Progesterona e Testosterona. Uma de suas reflexões merece explicação: "O homem é mulher dependente". E cita Woody Allen: "A masturbação é o único tipo de sexo que você pratica com a pessoa que você mais ama."

Enfim, Dr. Elsimar Coutinho é fiel à ciência, cujas descobertas não têm a ver com a ética. A Bioética é que trata do uso da descoberta.
Polêmico abraço!

Sosígenes Bittencourt

Monday, October 17, 2011

Educação verdadeira


Educação verdadeira faz enxergar limites. Você torna-se mais consciente de sua ignorância, socraticamente sabendo que nada sabe. Porque o saber leva você a um contato maior com o que ignora, é como se fosse uma bola que se inflasse perante a ignorância. Quanto maior, mais amplo o contato com o desconhecido. Por isso, pessoas que sabem menos são mais arrogantes, enquanto o sábio, quanto mais sábio, mais propenso à humildade. Humildade, não no sentido de timidez, mas no sentido de reconhecimento de limites.

Mas, sobretudo, a educação faz você sentir-se feliz com a busca da verdade e o contato com o saber. Einstein dizia, com muita propriedade: A alegria de ver e entender é o mais perfeito dom da natureza.
Sábio abraço!
Sosígenes Bittencourt

Saturday, October 15, 2011

Para o Dia do Comerciário

Feriado, dia de segunda-feira, é faca de dois gumes. Tanto faz você se dar bem, como se dar mal. Quem odeia segunda-feira, pode sair para comemorar, ir a um barzinho, tomar uns birinaites e cair na cama para curtir a ressaca. Besteira. A terça-feira vira uma segunda pior do que se o "comerciário" estivesse trabalhando. Quem opta por ficar em casa, excitando o parceiro para reacender velhos desejos, tira melhor proveito. Essa história é assim. Quando se é namorado, a excitação vem em decorrência do desejo. Quando se é casado, e o desejo foi embora, o conselho é se excitar para reacender o desejo. Funciona.

Há uma outra história que eu me lembro quando é feriado, porque penso que a melhor opção é namorar. E namorar pode ser com a esposa. Por que não? A história é a seguinte. Diz que os casais orientais começam com uma grande amizade para terminar num grande amor. Já os ocidentais começam com uma grande paixão para terminar numa separação. Deve ser o vexame. Não há paciência para confeccionar uma boa e duradoura relação. O negócio é, antropofagicamente, um comer o outro na força da concupiscência.

Mas, voltando à história do Dia do Comerciário, o bom mesmo é fazer desse dia um bom negócio, transformando-se de comerciário, que vende o que é dos outros, num bom comerciante daquilo que lhe pertence. Afinal, o amor faz parte da felicidade democrática por ser um bem que pertence a todos, sem distinção de classe ou status social.

Proveitoso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, October 11, 2011

Comendo paima

Agora, inventaram essa expressão “comendo paima”. Coisa como “engolindo corda”, cuja vítima é o cacimbão.
Mas, pegando carona na moda, esse é um tempo propício para otário cair em cantada de político sabido, raposa velha em influenciar candidatura. O poderoso passa a mão na cabecinha do inocente, alisa o narcisismo do embevecido, e diz: “Você, hoje, tem voto pra ser vereador na cidade”. Aí, o influenciado vai dormir sadio e acorda candidato a vereador. Filia-se a partido que nem sabe traduzir a sigla. Depois de filiado, até a maneira de andar muda de cadência. Afaga menino, diz que o vizinho está jovem, a vida vai melhorar, o mundo não vai se acabar e que bom mesmo só Jesus. Toma pinga no balcão da venda, mete o pau na inflação, ri para os inimigos de estimação, vai às igrejas, ao estádio de futebol, vela defunto e chora em sepultamento. Sempre pensando que toda pessoa que conhece é um eleitor em potencial. Confunde popularidade com eleitorado. Ora... se o cara vende mangalho e ninguém lhe deve um pimentão, quem fez favor a quem? Ninguém. Depois, tem detalhe. Aquele que tem um dinheirinho, porque trabalhou e amealhou, não tem, necessariamente, gabarito para administrar uma cidade. “Ah! fulano é um homem próspero, enricou do nada. É um homem honesto e trabalhador, daria um bom prefeito.” Conversa mole pra boi dormir. Conhecemos incontáveis casos de políticos imaturos, eleitos por eleitores piores ainda. Portanto, meu vaidoso amigo, cuidado com a vivacidade dos sedutores, dos craques em inventar candidatura, não alimente tanta ilusão. Lembra-me o Eclesiastes: Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
Dr. João Cleofas de Oliveira costumava dizer: O amor na política é mais forte do que no amor.
Prudente abraço!
Sosígenes Bittencourt

Dia da Criança

O importante não é fazer uma criança sorrir no Dia da Criança,

é não permitir que ela chore pelo resto dos dias.

Sosígenes Bittencourt

Monday, October 10, 2011

As razões de Reguffe

Machado de Assis dizia que "Toda cidade tem de ter um louco para chamar as pessoas à razão". Duvido que não estejam chamando o deputado José Antônio Reguffe de doido ou amostrado. Só que, até que prove o contrário, não é o que parece. A renúncia a todas as mordomias de deputado foi amarrada em caráter irrevogável. Quer dizer, nem que ele queira, não poderá voltar atrás. Reguffe teve, pelo PDT do Distrito Federal, a bagatela de 266.465 sufrágios - votação para abilhudo nenhum botar defeito. Agora, no lugar de ficar sedento pelas benesses do cargo, renunciou a uma porrada de injustificadas mordomias, concedidas com o dinheiro do povo. Abriu mão dos 14° e 15° Salários, reduziu verba de gabinete, verba indenizatória, cota de passagens aéreas, auxílio-moradia, poupando, sozinho, dois milhões e trezentos mil reais dos cofres públicos durante os 4 anos de mandato que irá exercer. E ainda expôs os motivos, externou suas razões: "A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade, custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores." O exemplo do deputado sugere uma mudança de postura, de mentalidade do eleitor. Se o eleitor não entender e não mudar, problema da caterva rude e subserviente que elege seus algozes.

Exemplar abraço!

Sosígenes Bittencourt

Saturday, October 08, 2011

Morte de Benge

Fazia tempo que eu não via os meus velhos pais chorando. Eu não queria contar essa história. O ser humano é um móbile frágil. É insustentável, a leveza do ser. Mas, já estávamos desconfiados de que Benge não resistiria. Era uma infecção. Estava descolorido, não andava, nos olhava com um olhar de despedida. De ontem para hoje, já não veio para a sala, não fez companhia ao meu pai. Os recantos da casa parecem circunspectos, há um silêncio diferente, as flores do jardim não se movem, ora parecem acenar um adeus, lentamente... Tanto que eu disse a minha mãe: - Mãe, não pegue bicho pra criar, animal é feito gente. A senhora vai sofrer.
Será um domingo triste. A sisudez da morte nos circunda. A cada momento, lembramos alguma coisa de Benge, suas travessuras, seus carinhos, seus gestos quando minha mãe viajava, a noite todinha ao lado do meu pai. Banhamos de lágrimas os seus pertences, apanhando pela casa. Adeus, meu camarada. Você nos ensinou a amar os animais, com o seu carinho. Você é gente, bicho. Nunca nos fez mal, sua timidez nos encantava, desculpa as vezes que fomos arrogantes e incompreensivos contigo. Deus te dê o paraíso.
Lutuoso abraço!
Sosígenes Bittencourt

Thursday, October 06, 2011

O cãozinho dodói


O cãozinho doente dói na gente. O cãozinho é feito gente. Porque todo mundo morre e nunca se acostuma com a morte.
O poodle é bichano tão sabido que não fala porque não foi à escola. Quando sua dona viajou, o poodle pegou o seu chinelinho e ficou empurrando por debaixo da porta. Todo mofino, nem sei se pode-se dizer que era saudade. Predicativamente amoroso, dorme sob a cama, puxa o lençol.
O cãozinho anda dodói que dói. Diz que é hepatite.
- Na casa tem rato? - pergunta o doutor de bichos.
- Não, mas eu vi um subindo pela parede. O senhor sabe a função do rato, doutor?
- Pergunte a Deus?
Às vezes, seres racionais, pessoas de verdade, envenenam seu semelhante por vontade. O rato nada sabe de sua letalidade.
Mas, o poodle doente dói na gente. Lembro-me da advertência: Se você vai criar um bicho, saiba que aquilo é feito gente. Um dia morre e é um velório normal. A gente morre de velho e não se acostuma com a morte. Carregamos um obituário no cérebro, a fisionomia de nossos mortos na memória, seus rostos pálidos, frios e suarentos dos derradeiros momentos.
- Você se lembra de fulano, sicrana?
- Lembro. Parecia que estava dormindo.
Mas, o poodle fica nos olhando, anda capengando pela casa, somos uma espécie de seu deus. Houve um tempo em que os homens eram assim, agiam pelo instinto, não havia concepção de mitos nem desejos. Os homens eram uma espécie de demônios. Menos mal, hoje parecem o diabo em figura de gente.
Mas, o poodle parece que está com hepatite. Deus o livre da leptospirose. Foi alguma extravagância que ele fez, apesar de que não bebe. Um cidadão deduziu que o homem é o mais burro dos animais. E explica, todo contente com sua invenção: - Você já viu um cavalo com um cigarro no bico? Um jumento tomando cachaça?
Risos!
O poodle, tomara que não tenha que relatar sua morte. As pessoas choram, e a função do escritor é alegrar as pessoas. Oremos pelo bichano.
Veterinário abraço!
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, October 04, 2011

A Grécia é uma graça


A Grécia é uma graça. A Grécia não é um mito, mas capricha pra tragédia grega. A Grécia precisa “primeiro viver para depois filosofar”, seguir, ipsis litteris, o conselho latino “primum vivere, deinde filosophari”. Mas, a Grécia nem consegue viver nem filosofar. De mãos estendidas, pede socorro financeiro ao mundo, sacrificando seus filhos, aos pés de mandatários incompetentes e impiedosos. Parece o destino, ou obra do acaso, mas termina sendo efeito da safadeza dos homens, da olímpica arrogância dos mortais. Aos gregos governados, quem inventou a pobreza foram os governantes, ou seja, os detentores do poder, os egoístas, os malfeitores. Por isso, não querem se submeter a sacrifícios, pois não creem em mitos de qualquer esfera. Antes, se revoltam, tomam as rédeas do destino e implantam a desordem, na base da pedra, tisnando o chão com o seu sangue. A vontade faz aflorar a coragem, a faculdade acorda sua virtude. Sócrates, que morreu pelas leis de sua cidade e para não abjurar suas convicções, revira-se na tumba. Não há mais filósofos na Grécia como no longínquo período dos Cínicos. O cinismo puro virou atrocidade, autoritarismo, uma risadagem obscura sobre a miséria humana, é a contrafação da postura filosófica que ia ao mercado procurar saber o que não era necessário para viver. Oh! socrático-platônicos, que ensinastes o despojo e o culto à virtude como caminhos para a felicidade, ensinai! ensinai! A Grécia precisa da Grécia. A Grécia é uma graça. A Grécia anda uma desgraça. Parece uma tragédia grega.
Trágico abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, October 03, 2011

O lado bom da vida

Esta é uma das rosas que recebi por e-mail, remetido por dona Conceição Azevedo, leitora do meu blog. Chamada de Rosa da Sinceridade, escolhi como a mais bela. Sincero era Jesus, que agia como pregava. Dona Conceição é apaixonada pelo lado bom da vida. Prova de que podemos ser felizes, sentindo prazer sem culpa e suportando os sofrimentos da existência sem desespero.

Estético abraço!

Sosígenes Bittencourt

Sunday, October 02, 2011

Fala, Vitória

A última festa

Este é o portão da garagem da casa de minha genitora, professora aposentada, aos 76 anos de vida, enfrentando os achaques da velhice e naturalmente precisando de sossego. Sábado, à tardinha, o alvoroço era enorme por conta de festa que iria acontecer no Clube dos Motoristas O Cisne, quando 3 conjuntos se apresentariam, para lucro e distração de uns e insônia dos moradores do bairro. Um caminhão que carregava apetrechos para o local do evento, pilotado por um senhor completamente embriagado, veio de ré e enfiou-se no portão, danificando também o carro de minha sobrinha estacionado ao lado. Se o meu menino, de 14 anos, não tem saído da frente, hoje estaríamos contemplando seus retratos. O patetê já está nas mãos da Promotoria da Cidadania e nas Pequenas Causas. Não obstante, a festa rolou até às 7 horas da matina, sem Pai Nosso de penitência. O pessoal saiu na maior algazarra, bradando palavrões, esfregando as virilhas, urinando nas calçadas, deixando um vendaval de lixo no ar. Tubinho de loló, camisinha de vênus, copo descartável, caco de vidro, o diabo a quatro. Bendito era o Cabaré de minha mocidade. Nunca vi ninguém dar uma tapa num gato. Outro dia, deram um pau num adolescente na frente desta mesma garagem que a empregada passou meia hora esfrengando o sague coalhado da vítima. Por isso, acabaram com festa no Golden Gol e na AABB. A pergunta é a seguinte: Será que os promotores dessas festas gostariam desses expedientes na frente de suas residências? Esperamos que essa tenha sido a derradeira anarquia aqui no bairro.

Esperançoso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Saturday, October 01, 2011

Um estudioso que dança

- Professor, onde é que o senhor arruma tanta história pra contar?

- Não sou eu que arrumo, minha filha, é a vida que me mostra e, aí, eu saio contando.

- Mas, o senhor não é um dançarino?

- Não, minha influenciada, eu não sou um dançarino que estuda, eu sou um estudioso que dança.

- Mas, quando é que o senhor estuda?

- Quando você não me vê. Mas, vou providenciar um carro alegórico para desfilar e todos me acompanharem durante as horas e os dias em que estudo.

Peripatético abraço!
Sosígenes Bittencourt

Friday, September 30, 2011

Prudência é muito mais

Há quem pense que Prudência é cautela, cuidado, e até confunda com temor. Prudência é muito mais. Às vezes, Prudência é ser violento na medida e hora adequadas. Seria, no caso, o bom uso da ira. Nenhum sentimento é bom ou mau, mas o que se faz com o sentimento. Na mitologia grega, Prudência é Métis, uma das esposas de Zeus, deus do Céu e das tempestades, deus dos deuses. Quando Métis engravidou, a deusa Gaia profetizou que ela teria um filho que destronaria o pai. Zeus, então, arretado com aquela caduquice, convidou Métis para brincar de metamorfosear, ou seja, um transformar o outro no que quisesse. Contente com a ideia, Métis se prestou para a artimanha. Sabido, Zeus transformou Métis numa mosca e a engoliu. Passados alguns dias, Zeus teve uma dor de cabeça da gota. Apavorado com a dor que só aumentava, convidou Prometeu a abrir-lhe uma fenda no cocão, delicadamente, com um machadinho. Foi daí que nasceu Atena, deusa da sabedoria, exatamente por haver sido gerada na cabeça, sede da razão e da inteligência. Copiou? Pois bem, observe o que aconteceu, certa vez, numa cidade, cujos personagens, agora, são reais.

O bêbado e a prudente

Morava numa ruazinha de uma cidade interiorana, um casal, cujo marido dava porrada na mulher todos os dias. Tomava as cachaças safadas dele e baixava a ripa na genitora dos seus filhos. A mulher urrava, os meninos choravam, uma cena de dilacerar o coração. A vizinhança não aguentava mais, sobretudo as mulheres, e resolveram insuflar na vítima a ideia de exterminar o seu carrasco, aniquilar o seu algoz. Certo dia, o doido saiu de casa ameaçando-a de morte. Avisou que iria tomar uma carraspana e voltaria para matá-la. Aí, foi o momento assaz oportuno para se prever o que aconteceria. As vizinhas entupiram um bacamarte de pólvora e deram-lhe para receber o seu prometido assassino. Quando foi lá para as tantas, à boquinha da noite, lá vem o bêbado trôpego, espumando de ódio. Porque, além de massacrar a mulher, ele ainda morria de raiva da pobre coitada. Descarregava nela seus traumas, liberava seus demônios. Quando, porém, entrou em casa e disse que chegara para cumprir a ameaça, deu de cara com a mulher sentada na cozinha, com o bacamarte encostado na ponta da mesa e voltado para o seu peito.

- Mulher, eu não disse que vinha te matar!...

- Estava enganado, você vinha morrer.

E detonou no ébrio, que seus pedaços voaram na parede. O palco ficou lambuzado de sangue e carne triturada. Do quintal, as vizinhas já gritavam: - Atira nele, Fulana! Agora, minha filha! Vai, Fulana! Ele vai te matar, abestalhada!

Bummmmmmmm! Haviam colocado pólvora demais. Elas entraram na casa, pegaram na mão da mulher e a levaram para a Delegacia.

- Vamos, minha filha, dizer que você matou esse desgraçado!

Prudente abraço!

Sosígenes Bittencourt

Thursday, September 29, 2011

Fala, Vitória

Proibido Perturbar

Vocês sabem o que é isso, ou não? É um flagrante de uma das derradeiras anarquias que aconteceram no Clube dos Motoristas O Cisne. E, pasmem, é na via pública. Imagine o horário e os decibéis deste carro-falante. A velharada não dorme, não assiste televisão nem tem o direito de sonhar. Isso, há décadas. Os inventores das festas alugam o buraco, promovem a bagunça, ensacam a grana, deixam um rastro de lixo pelo caminho e dão o pira. Agora, depois que a Promotoria de Cidadania bota moral, manda interditar o cabaré, a macacada corre atrás da Justiça pra pedir clemência. Esse pessoal é muito cara de pau. Por que não promovem essas patifarias na frente de suas casas e nos chamam para a farra? Eu sou do tempo em que cabaré era opção. Você trocava de roupa, botava perfume e ia para a Zona de Baixo Meretrício namorar. Hoje, basta um abilhudo querer abiscoitar um tutuzinho, tem cabaré na sua rua e garota safada pra danar. Cabaré, gentalha, é escolha. Tem gente que enfia a Bíblia debaixo da pata e vai rezar. Tudo é opção. Estão confundindo liberdade com esculhambação. Por isso, tem novela mostrando as virilhas para a meninada e beijos de desentupir pia à Hora do Ângelus.

Muito bem, promotores e promotoras, deixem essa toca fechada. Vocês são executores das leis, seus escravos, não são donos da lei, são aqueles que transformam a "palavra" em "ação", a "lexis" em "praxis".

Agradecido abraço!

Sosígenes Bittencourt

Wednesday, September 28, 2011

Greve de Banco

Tem umas coisinhas com que eu implico. Por exemplo: Greve de Banco, para mim, é safadeza. Não da categoria dos bancários, mas da ambição dos banqueiros. Sobretudo, hoje, quando se sabe o lucro semestral dessas casas de dinheiro.

É muita safadeza. Eles enricam às custas dos clientes e da crucificação dos funcionários. O cara trabalha feito um burro de carga, é xingado pelas filas kilométricas que tem de enfrentar e não pode cochilar, senão paga diferença de caixa. Sacou?

Depois, a clientela analógica, que precisa ir ao caixa humano, toma uma cera desgraçada, além de ter o dinheiro surrupiado de sua conta. Bota um tostãozinho lá e volta seis meses depois. Tem tanto desconto de taxa que você fica com cara de tacho. Acho que descontam até o ar que o cliente respira. É uma verdadeira esculhambação.

Tirânico abraço!

Sosígenes Bittencourt