e abraça-se com a imaginação.
Sosígenes Bittencourt
É difícil acreditar que Jadielson e Silvânia se atiraram no abismo, de mãos dadas, numa versão shakespeareana de Romeu e Julieta. É mais provável que Jadielson tenha arrastado Silvânia para morrer consigo, o que caracterizaria homicídio e suicídio no mesmo salto. Parece um caso típico de paixão. Dois apaixonados que não conseguiam se desvencilhar dos grilhões da loucura e seguirem em paz. O filósofo alemão Nietzsche dizia que “Há sempre um pouco de loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura.” No fundo, eles, talvez, tivessem razão. Não dava mais para viver. O detalhe é que Silvânia preferia viver sofrendo a perder a vida, e Jadielson não aguentava mais tanta agonia. Era paixão em mão dupla.
Cuidado com as malvadezas do período natalino. Não vá ficar de cara pra cima, pensando que a humanidade se transformará numa procissão de entes de luz. Fique ligado. O menino Jesus está na lapinha, mas a rua, cheia de Judas Iscariotes.
As palmadas estão na berlinda. Antigamente, menino apanhava, mas não morria no pau. Nunca vi pai matando filho, nem estuprando, engravidando filha, como hoje. A radicalização da medida que proíbe palmada em criança deve advir da violência perpetrada contra menor, sobejamente divulgada no dia a dia da mídia nacional. Nos idos, menino levava palmada, adolescente tomava lapada de cinturão, mas não me lembro de nenhum infanticídio. Aliás, crimes, perpetrados há 40 anos na cidade, contam-se nos dedos. Talvez, porque a população fosse pequena e o jornalismo não desse a cobertura, em tempo real, como agora. Mas, baseando-se na rotina, o adulto de hoje não tem moral para bater em menino, não merece confiança. Qualquer um é suspeito. Tanto que virou esquizofrenia coletiva. Você não pode se acocorar para dar um caramelo a uma criança.
Parece um desenho, mas não é. Trata-se de uma montagem fotográfica da arte surrealista e poética do holandês Ruud Van Empel, que irá expor suas belíssimas montagens na Bienal de São Paulo, em 2012, na comemoração ao Ano da Holanda no Brasil. Sua obra é de mexer com a respiração. Um verdadeiro ESPETÁCULO!
A Justiça é cega, mas os homens é que se negam a enxergar o Direito. Marcos Mariano da Silva, perante Themis, a deusa de olhos vendados, não tinha cor, credo nem classe social. Mas, os seus algozes o viam como ex-mecânico, homem sem posses, riqueza, desprovido de beleza. Marcos Mariano não tinha nada que chamasse a atenção dos causídicos, nada que os seduzisse, por isso foi vilipendiado. Porque não há desprezo maior do que você negar justiça a quem merece.
Um dia, eu fui bater em Mocotó. Mocotó fica na zona rural de Vitória de Santo Antão. Para chegar a Mocotó, vai por Natuba e tem a Ladeira do Comprido. Em Natuba, tem alface que só.
Essa questão de cotas raciais é uma postura mais de natureza política do que outra coisa. Porque a grande causa do fracasso de negros em concursos públicos e nos vestibulares é a educação de má qualidade. Por quê. Sobretudo porque são pobres. Ora, se você cria cotas para os negros pobres, onde ficariam os brancos pobres? A questão me parece não ser relativa à cor, mas relativa à acessibilidade ao ensino de qualidade. E essa é uma responsabilidade do Estado. A artimanha política é criar sistema de cotas para negros para angariar simpatia da população negra, que é a maioria. Se você for indagar os próprios negros, eles acharão que esse sistema de cotas é uma forma de discriminação. Por exemplo, aquele negro que opta pelo sistema de cotas já denuncia sua incapacidade de disputar num outro tipo de sistema. Ademais, você para instituir um sistema de cotas terá que, obviamente, saber se aquele negro deve ter acesso a um ensino de qualidade, ou não. A pergunta é a seguinte: por que não se cria sistema de cotas para brancos? Há brancos pobres que não têm acesso a ensino competente. Portanto, o grande empecilho não deve ser encarado como a cor, mas como a deficiência no ensino público, que não oferece iguais condições de competitividade entre as classes sociais. O estado não investe, nesta área, como deveria. Por isso, os melhores professores vão para as escolas particulares e fogem das escolas públicas. O discurso é de que educação é prioridade, mas nunca foi, é falácia. É "tertulia flacida ad bovinum adormentarem", ou seja, conversa mole pra boi dormir.
Êita, agonia danada! A equipezinha do Vila Nova veio com uma récua de reservas, mas doido para entrar para a história do futebol. Naturalmente, empurrados por um Papai Noel generoso, que deve ter-lhes prometido uma graninha, é claro. O goleiro do Vila Nova pegava bolas espíritas, mesmo com Marcelinho Paraíba fazendo miséria nos lançamentos e cobranças de escanteio. Aí, desabou um dilúvio. O céu ficou carrancudo, começou a lançar uma incógnita sobre o futuro. Eram muitos corações prestes a infartar. Contudo, em meio ao desespero, o destino parecendo enevoado e bruno, profundamente triste, lá vem Bruno, o Mineiro, conduzindo o triunfo na trajetória de sua carreira. Ninguém poderia adivinhar, até implicava. Nem desconfiava que o destino estava exatamente ali, traçado na cabeça de Bruno. E o Sport foi macho até debaixo d'água. Nem as piscinas, armadas pela chuva, impediram o Leão de subir de Divisão. O Sport soube navegar, equilibrar-se na areia movediça. Até que, entre o Leão e o Tigre, Luís Cetin terminou tomando um frango. Agora, é só comemorar o casá! casá! casá!
O ladrão soft já não vai à agência bancária,
Mestre Zé Guedes
DANILO FONTES E PESQUISA
Dr. Francisco Habermann é nefrologista e docente da Faculdade de Medicina de Botucatu desde 1970. Dedicado e impressionado com doenças cardiovasculares e renais crônicas, desenvolve campanha para que seja oficializada a "Semana da Hipertensão". Entrevistado, no Canal REDEVIDA, por Dom Antônio, falou sobre o que se deveria fazer para obter boa qualidade de vida. Primeiro, deu uma orientação muito simples, porém extremamente benéfica à saúde: tomar um copo d'água em jejum. Depois, como regra geral, observou que deveríamos "comer a metade, andar o dobro e rir o triplo." E ainda nos aconselhou, como fundo musical, ouvirmos Música Clássica, sugerindo "As 4 Estações", do padre ruivo Antônio Vivaldi.
Eu sonhei que estava no Recife Antigo, na década de 80, às tantas da madrugada. Parava na esquina, puxava um Hollywood do bolso e acendia. Depois de soltar uma baforada, ficava pensando: por aqui já passou muita gente que já morreu.