Monday, February 11, 2013
Sunday, February 10, 2013
Minha fantasia
Minha fantasia é barata, porque é natural. Não precisa de patrocínio ou investimento, a natureza já se encarregou de me fantasiar. Embora, sem neto ainda, sou o avô das meninas, sobretudo das solteironas casadoiras e separadas esperançosas. A música que canto nos ambientes por onde passo é a modinha de finado Capiba, MODELOS DE VERÃO.
Quanta mulher bonita
tem aqui neste salão
parece até desfile de modelos de verão
até as viuvinhas do artista James Dean
vieram incorporadas
hoje a noite está pra mim!
Eu daqui não saio,
eu não vou embora,
tanta mulher bonita
e minha mãe sem nora.
Sosígenes Bittencourt
Saturday, February 09, 2013
Ainda sobre Vassourinhas
A letra que inspirou Vassourinhas foi uma canção de roda:
Se esta rua fosse minha,
eu mandava ladrilhar
com pedrinhas de brilhante
para o meu amor passar.
Deram uma acelerada no ritmo e nasceu o frevo
Vassourinhas. Joana Batista deve ter cantarolado essa canção no pé do ouvido de
Matias da Rocha.
Contam que o frevo foi vendido ao Clube Misto
Vassourinhas por três mil réis em 1910. Diz que ficou assim:
Se esta rua fosse minha,
eu mandava ladrilhar
com pedrinhas de brilhante
pra Vassourinhas passar.
O frevo me eriça as cerdas do coração. Quando jovem, fui
passista de rua; hoje, sou passista do ar.
Até alemães, dinamarqueses enlouquecem quando desembarcam
em Recife, à execução do frevo. Um dia, eu vi um deles, branco que nem um
defunto, chupando os beiços de uma "neguinha", como se chupa um caju.
Sosígenes
Bittencourt
Friday, February 08, 2013
Fora do ar
Uma empregada aqui de casa dizia que ia receber um dinheiro na Caixa Econômica “Fuderal”. Quer dizer, errava na ortografia, mas acertava no sentido.
Vê só. Agência da Caixa, 10 horas, sistema fora do ar. Aposentados pendurados no pescoço de seus estimados procuradores, doidos com os seus curadores e o resto. Um idoso pergunta: - O que é que está acontecendo?
Alguém responde: - Nada, meu senhor. Deveria está acontecendo alguma coisa, mas não está acontecendo nada.
A faxineira passa no meio, com uma vassoura e um balde, e tenta explicar: - É que deu “pânico” no sistema.
Não sei, mas acho que tentou se referir a uma “pane” no sistema. Eu conheço “fora do ar”, quando o sujeito está embriagado.
Uma senhora, já aperreada, faz a pergunta: - E, agora, como é que eu vou pagar minhas contas? A menina me disse que o caixa está INDISPONÍVEL.
- Bem, madame, a senhora diz ao cobrador que está INDISPONÍVEL também.
Talvez se justifique o seguinte conselho, parafraseando a propaganda: Corra da Caixa, você também!
Sosígenes Bittencourt
Wednesday, February 06, 2013
Porque é Carnaval
PORQUE É
CARNAVAL
Dilson Lira
Vê por aí,
os tolos passando, as mãos agitando,
a rir-se de quê?
São meros palhaços,
à vida iludindo,
de tudo fugindo,
nem sabem por quê?
Vê por aí,
em doidas espirais,
mulheres e homens se esbarram a pular,
à febre do passo,
e cada vez mais...
Vê por aí,
o dinheiro, a caudal,
se a fome, a nudez,
a doença chegar,
é gasto à vontade,
porque é Carnaval.
Dilson Lira
Vê por aí,
os tolos passando, as mãos agitando,
a rir-se de quê?
São meros palhaços,
à vida iludindo,
de tudo fugindo,
nem sabem por quê?
Vê por aí,
em doidas espirais,
mulheres e homens se esbarram a pular,
à febre do passo,
e cada vez mais...
Vê por aí,
o dinheiro, a caudal,
se a fome, a nudez,
a doença chegar,
é gasto à vontade,
porque é Carnaval.
Tuesday, February 05, 2013
Frevo e Vassourinhas
Não é possível se falar em Frevo, sem se referir a
Pernambuco, Vassourinhas e Felinho. Porque não há dúvida de que o frevo nasceu
entre Olinda e Recife, e é o único ritmo genuinamente nacional.
Não existe frevo nem nada parecido em lugar nenhum
do mundo. Até a palavra frevo vem do verbo "ferver", oriunda da
pronúncia troncha, como "frevura", referindo-se às atividades
canavieiras, como nos engenhos de açúcar.
Diz que Vassourinhas, considerado
o Hino do Carnaval Pernambucano, foi composto por Matias da Rocha e Joana
Batista Ramos, para o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, lá pelo início do
século passado, mil novecentos e alguma coisa. Porém, há quem tenha fuxicado
que viu Joana cantando os versos de Vassourinhas para Matias, já em 1889. Sei
não.
Felinho, Félix Lins de Albuquerque (1895-1980),
conhecido popularmente como O Homem dos 11 Instrumentos, nascido ali em Bonito,
inventou 8 Variações para sax-alto, no meio de Vassourinhas, em 1941. O frevo foi gravado, com a
novidade, em junho de 1956, pela orquestra de Nelson Ferreira, para incendiar a
Terra dos Altos Coqueiros.
Infelizmente, já não se toca Vassourinhas como antigamente. Tenho uma cópia da
execução original, para dizer que deram uma vassourada no Hino do Carnaval
Pernambucano.
Fervoroso abraço!
Sosígenes Bittencourt
Diz que Vassourinhas, considerado o Hino do Carnaval Pernambucano, foi composto por Matias da Rocha e Joana Batista Ramos, para o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, lá pelo início do século passado, mil novecentos e alguma coisa. Porém, há quem tenha fuxicado que viu Joana cantando os versos de Vassourinhas para Matias, já em 1889. Sei não.
Sunday, February 03, 2013
A mente e Deus
A mente não é um lugar no cérebro, ela é trabalho, ela é movimento em busca de um objeto faltante, sempre e a todo instante. O recém-nascido não tem nada na mente e começa sua busca, simbolicamente, na primeira mamada. Deus está neste campo de busca. Ele é um objeto faltante e eterna procura. Esta verdade é infusa. O homem nasce com ela, morre com ela. Daí, a perfeita concepção das Virtudes Teologais ou virtudes infusas: Fé, Esperança e Caridade. Não há nenhum tirano que não as tenha possuído.
Sosígenes Bittencourt
De trás de minha casa
De trás de minha casa, de um alpendre, eu vejo os telhados das casas vizinhas, a rua lá embaixo, a serra lá longe, o céu escampo.
À tarde, quando é verão, as nuvens relembram minha infância. Eu ficava vendo as nuvens formar carneirinhos, às vezes um monstro. Um dia, eu vi um bule direitinho.
De trás de minha casa, eu ouço o palavreado de minha cidade, o cheiro de pão francês, ruído de caminhão, latido de cachorro. Agora, deu pra passar helicóptero, besourando, com aquela cauda de gafanhoto. Quando é amarelo e preto, eu só penso que é a polícia catando vendedor de marijuana.
Havia uma fábrica que passava a vida funcionando. Faziam biscoito. O cheiro de morango, de chocolate e frutas cítricas era tão forte que a gente acordava, de madrugada, para beber água de quartinha. Hoje, só escombros, as lagartixas se despencam dos muros, frágeis de inanição.
De trás de minha casa, vemos homens que jogam dominó para esquecer o tempo, passar as horas. Como se fosse perigoso pensar na vida. Quem bota pra pensar na vida, geralmente pensa na morte. Melhor ser um gato, um peixe, um passarinho.
Sosígenes Bittencourt
Friday, February 01, 2013
Thursday, January 31, 2013
Fruta com leite e o hábito de chupar
Antigamente, dizia-se que manga com leite fazia mal, causava embaraço. Hoje, a menina da padaria pergunta: - O suco é com leite, ou sem leite?
Um sorvete de abacate com leite é um espetáculo! Antigamente, se você pedisse abacate com leite, mandavam internar você antes da aventura estomacal.
Aliás, ainda sobre leite, nós sabemos que o leite mais saudável e necessário ao ser humano é o leite de peito. Salientando que não se come peito com leite. Chupa-se o peito e bebe-se o leite. No entanto, de sabor insuportabilíssimo para os adultos. Nenezinho chora pra chupar.
Sosígenes Bittencourt
Wednesday, January 30, 2013
Distração e Destruição em Santa Maria
Não há catástrofe na natureza. Um Tsunami é um fenômeno, faz parte da natureza. O Vulcão não se sabe vulcão.
Catástrofe é episódio que envolve o ser humano. Quem desmata a montanha e se aloja no local, esperando a tromba d’água, está confeccionando uma catástrofe.
Tragédia é castigo imerecido. Quem morre debaixo de um furacão, não merecia. Isto é tragédia.
No episódio de Santa Maria, houve catástrofe, porque houve a mão do homem. Houve tragédia, porque havia pessoas desinformadas. Mas, houve crime, porque houve negligência, imperícia e imprudência. Houve crime, porque havia absoluta previsão de consequência.
Porém, um dado merece particular atenção, o aspecto vitimológico da catástrofe, o nível de conhecimento dos estudantes universitários que morreram no local. Estudantes de química, física, matemática e biologia não perceberem que estavam à beira de uma catástrofe; dentro de um ambiente hermeticamente fechado, com teto inflamável, diante de um conjunto que fazia show pirotécnico em suas apresentações.
Não cabe aqui discurso de caráter moral, xenofóbico, ou intolerância religiosa. Seria insensibilidade, falta de empatia, tripudiar sobre a dor humana. É momento de se solidarizar com as famílias enlutadas, punir os culpados e erguer os olhos, com a lição da perda, para o futuro.
Sosígenes Bittencourt
Tuesday, January 29, 2013
Seres Interdependentes
Nós não somos totalmente dependentes, nem totalmente independentes, nós somos seres interdependentes. Vivemos um pendurado no outro. É ilusório pensar que viveremos nos amando e esse amor nos basta. Não há amor a si mesmo que dispense o amor do outro, que se baste a si mesmo.
Sosígenes Bittencourt
Monday, January 28, 2013
Solidões
Uma mulher: - Professor, eu estou pensando em passar um
tempo sozinha.
Eu: - Posso saber o motivo, madame?
A mulher: - Depois da última decepção que eu tive, eu
pretendo passar dois anos sem querer ninguém.
Eu: - Coincidência. Eu também estou pensando em passar uns
dois anos na solidão.
A mulher: - Eu sempre me senti solitária.
Eu: - Se você está solitária, eu estou namorando a solidão.
A mulher: - É como se a gente não valesse nada.
Eu: - Façamos o seguinte: vamos passar dois anos na
solidão, eu e você? Ninguém bole com ninguém.
A mulher: - Mas, isso não vai dar certo, professor. Eu sou
muito fácil de gostar.
Eu: - Talvez, aconteça o que dizia o escritor alemão Rainer
Maria Rilke (1875-1926): Amor são duas solidões que se protegem.
Sosígenes Bittencourt
Saturday, January 26, 2013
Ônibus e Rodoviária
Ônibus, para mim, é poesia. Ônibus da Borborema só me
lembra namoro da década de 60, chiclete Ping-Pong, filme de caubói, disco de
vinil, picolé de mangaba, as meninas do Colégio Municipal e a estreia da
minissaia.
Rodoviária me inspira, me faz pensar no tempo e no destino.
Atualmente, na era da pressa e do metrô, um assalariado não pode viajar em
ônibus da Borborema para trabalhar, é um castigo sem remissão de pecado.
Rodoviária é patrimônio cultural, ônibus é relíquia, peça
de museu, não tem mais nada a ver com luta pela sobrevivência.
Conservemos as rodoviárias e os ônibus para aulas de
literatura, para matar a saudade dos que se aprontam para a derradeira viagem.
Sosígenes Bittencourt
Friday, January 25, 2013
Sandy - Revelações e Deduções
Quem quiser namorar Sandy, pode tirar o
cavalinho da chuva. Entrevistada pela revista Contigo, Sandy diz que não tem
pudores com o marido. Diz que só pousa nua para ele e só faz com ele. Portanto,
paciência, não se aborreça nem fique ensandecido, ela jamais fará amor contigo.
Quem não deve estar gostando desta
revelação sem pudor é Xororó. Deve estar brabo que só.
Não sei o que pensaria o seu marido, Lucas,
com essas fuxicadas malucas?
Sosígenes Bittencourt
Morte de Valmor Chagas
Valmor Chagas, protagonista da solidão,
tomba
no palco da vida,
baixa a cortina sobre a peça existencial.
O suicídio foi-lhe
o ato final de um personagem real.
Às vezes, o homem opta por sair do sonho da vida
para mergulhar na realidade da morte.
Às vezes, o homem opta por sair do sonho da vida
para mergulhar na realidade da morte.
Sosígenes Bittencourt
Wednesday, January 23, 2013
Maroni, Migliorini e baixaria
Migliorini é aquela boyzinha de Santa Catarina que
leiloou a virgindade, arrematada por um japonês, indo parar na capa da Playboy.
Oscar Maroni é um empresário de casa noturna e versado em
assuntos boêmios e encontros genitais.
Migliorini está arretada, porque Maroni fuxicou que teve
contatos íntimos com ela e que, no momento da “contenda” sexual, ela ofereceu a
película himenal por 150 mil reais.
Maroni jura que é verdade, e Migliorini jura que é
mentira.
Indignada, Migliorini vai meter um processo em Maroni,
acusando-o de Calúnia, Difamação e Injúria.
Indignado, Maroni vai meter um processo em Migliorini,
acusando-a de mentirosa e pedindo sua retratação. Ele quer que ela fale a
verdade e diga que dormiu com ele.
Migliorini bate com os pés e diz que não dormiu, não
dormiu, não dormiu.
Se fosse um “pega pra capar” entre moradores de ponta de
rua, dir-se-ia que era baixaria.
Sosígenes Bittencourt
Sunday, January 20, 2013
A Felicidade
A
felicidade não é um grande evento que acontecerá um dia,
a felicidade é feita
de pequenas felicidades,
a felicidade é todo dia.
Feliz de quem pode ser feliz sem hora marcada.
Feliz de quem pode ser feliz sem hora marcada.
Ninguém
trabalha, de madrugada, para ser feliz ao entardecer;
ninguém trabalha ao
anoitecer, para ser feliz de madrugada.
Programar a felicidade é uma forma de
desprezar o instante presente.
Como
posso confiar na felicidade que virá, se não estou feliz agora?
Sosígenes
Bittencourt
Saturday, January 19, 2013
A Mídia
A
mídia tem compromisso com o lucro, não com a verdade. É um tipo de prostituição
assexuada.
A
mídia sexualiza a adolescência e escandaliza com a consequência. Ou seja, lucra
dos dois lados.
Sosígenes Bittencourt
Friday, January 18, 2013
Leitura da Natureza
As
borboletas pousam sobre a flor, e as moscas pousam sobre a lama.
Mas, a lama é
para as moscas aquilo que a flor é para as borboletas.
Sosígenes
Bittencourt
Choque Intergeracional
A questão é que os mais velhos têm convicções baseadas em
crenças, ensinadas pelos seus antepassados, por sua geração. Sentem dificuldade
de adaptação a ideias novas. Ou seja, têm ideias baseadas em estruturas que
envelheceram. Daí, o choque intergeracional. Ser jovem é caminhar com uma
ideia, renovando-lhe a estrutura.
Para os jovens, eu diria que ideias consideradas
ultrapassadas não podem ser desprezadas, devendo ser reestruturadas, porque há
verdades que se impõem e precisam, necessariamente, serem observadas. Não se
deve brincar com experiência. Experiência é risco, sacrifício, constatação,
impõe-se pela vivência. Os velhos viveram, os jovens vão viver. Quem tem mais
experiência?
Sosígenes Bittencourt
Thursday, January 17, 2013
Defesa das Rosas
Não arranquemos as rosas
com gesto brusco, com ásperas mãos.
Deixemos que a rosa viva sua vida
monótona, trescalante, perfumosa.
Não assustemos os botões da rosa
com voz alta, com passada ruidosa.
Deles, podem nascer rosas assustadas,
esquecidas de sua beleza.
Não levemos perigo às rosas,
não as exterminemos.
Deve o amor macio róseo acabar no mundo?
Protejamos as rosas
com ablução refrescante, com dúlcido olhar.
Não as desnudemos de suas pétalas
que elas não têm culpa do mundo trágico.
Indefesas, só anseiam pela paz
de um leito de terra fresca, ventos amenos.
São cheias de sentimentos, as rosas.
Sosígenes Bittencourt
com gesto brusco, com ásperas mãos.
Deixemos que a rosa viva sua vida
monótona, trescalante, perfumosa.
Não assustemos os botões da rosa
com voz alta, com passada ruidosa.
Deles, podem nascer rosas assustadas,
esquecidas de sua beleza.
Não levemos perigo às rosas,
não as exterminemos.
Deve o amor macio róseo acabar no mundo?
Protejamos as rosas
com ablução refrescante, com dúlcido olhar.
Não as desnudemos de suas pétalas
que elas não têm culpa do mundo trágico.
Indefesas, só anseiam pela paz
de um leito de terra fresca, ventos amenos.
São cheias de sentimentos, as rosas.
Sosígenes Bittencourt
Tuesday, January 15, 2013
Efeitos do Frevo
O
frevo me arrepia as cerdas do coração. Lembra-me o tempo de eu menino.
Abstraído, vou andando pela calçada, com medo de me perder na multidão. Fui
passista de rua; hoje, sou passista do ar.
Sosígenes Bittencourt
O frevo nosso de cada dia
Frevo
é uma música que nasceu entre Olinda e Recife e que não sofreu influência de
nenhum lugar do mundo. Ele é o único ritmo genuinamente nacional. É muita
cocada prum baiano só.
Sosígenes
Bittencourt
Monday, January 14, 2013
Língua e Competência Social
Uma aula prática de Língua Portuguesa é sempre bem-vinda!
Saber falar e escrever corretamente é uma competência social. Aliás, é bom
salientar que o difícil não é escrever CORRETAMENTE, o difícil é escrever BEM.
Escrever bem é arte, é obra para escritor, poeta...
Sosígenes Bittencourt
Saturday, January 12, 2013
Carnaval de Orquestra, Carnaval de Trio
Todo ano, surge essa
discussão. Obviamente que, se a invenção de Dodô
e Osmar não houvesse se espalhado
por outras regiões, não haveria essa celeuma entre os ritmos regionais. Mas,
marketing é marketing. A mídia apoiou e a praga se disseminou. O que não
aconteceu com o frevo pernambucano,
que não se difundiu e, portanto, ficou um espetáculo doméstico, de nossas
tradições e de nossas plagas. Evidentemente que, se o Trio pegou o universo
adolescente, passou a fazer parte de sua história. Resta, apenas, preservar o
Carnaval tradicional, com execução de nossas músicas, do ritmo mais genuinamente
nacional - segundo Gilberto
Freyre - que é o "frevo".
Afinal, não devemos sepultar nossas tradições, nossa cultura, em nome de
produtos importados. Vale ressaltar, no entanto, que essa convivência deve ser
pacífica, não resvalar para aquele posicionamento radical e binário: ou isso,
ou aquilo. O respeito deve imperar, em nome do humanismo. O radicalismo
exacerbado é o prelúdio do fundamentalismo intolerante. E se o Carnaval de Trio
passar - tenham certeza - surgirá coisa mais estranha aos admiradores dos
velhos Carnavais, o Carnaval das orquestras de frevo. Sempre haverá esse
choque, entre gerações, difícil de administrar, tendo como único caminho a
tolerância e o diálogo. É como aquela velha polêmica: o que é melhor, The Fevers, ou Calcinha Preta? O que sabemos é que
The Fevers parece ser eterno. Ainda hoje, toca. Não sabemos, evidentemente, se
o forró eletrônico permanecerá, ao longo de tantas
décadas, a tocar. O que promove certa reação é que a música está se traduzindo
em ensurdecedores batuques, sem
variantes, sem literatura, como se a arte estivesse em crise, ou o verdadeiro
artista, aquele reconhecidamente inspirado, estivesse em extinção. Essa
melancólica constatação merece especial abordagem, pois os sublimes valores do
ser humano devem ser preservados, o que sempre o distinguirá dos demais seres vivos do planeta.
Sosígenes Bittencourt
Friday, January 11, 2013
BBB - desligue a TV
Trabalhando na mesma Rede de Televisão, Jô Soares sugeriu que desligasse a TV durante o BBB. Ou seja, embora contratado pela Rede Globo, o talk show disse o que quis e ainda invocou a "Liberdade de Expressão", questionado pelos tuiteiros, quando viram sua postagem: "BBB = Desligue a TV". E explicou: "Eu não estou incentivando ninguém a desligar a TV, desliga quem quer."
Cá com meus botões, eu acho que Jô Soares, acostumado a entrevistar celebridades e de bobo só ter a cara de brincalhão, achincalhou com o Big Brother Brasil. Já se disse que é brincando que se leva a vida a sério.
Mas, para não me deter sobre o que eu considero a Big Bobagem Brasil, vamos rever
algumas frases do nosso intelectual das madrugadas.
Com vocês, Jô
Soares:
*Se existe tanta crise é porque deve ser um bom
negócio.
*Em uma coisa os bêbados e os geógrafos têm razão: a
Terra gira.
*Não há nada de errado com a velhice que a morte não
resolva.
*É bem melhor pensar sem falar do que falar sem
pensar.
*A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a
impunidade é uma coisa muito nossa.
*A comissão faz o ladrão.
*Junta médica é uma reunião que os médicos fazem nos
últimos momentos de nossa vida para dividir a culpa.
*No
Brasil, quando o feriado é religioso, até ateu comemora.
Sosígenes Bittencourt
*Não há nada de errado com a velhice que a morte não
resolva.
*A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a
impunidade é uma coisa muito nossa.
*Junta médica é uma reunião que os médicos fazem nos
últimos momentos de nossa vida para dividir a culpa.
*No Brasil, quando o feriado é religioso, até ateu comemora.
*No Brasil, quando o feriado é religioso, até ateu comemora.
Thursday, January 10, 2013
Glória vai matar Jéssica
Glória Perez não tem o que fazer, vai matar Jéssica na novela Salve
Jorge. Aliás, cadê a vírgula do Vocativo? Já que se trata de Chamamento, o
certo seria: Salve, Jorge!
Não sei como Carolina Dieckman aceitou fazer um papel tão desgraçado.
Desde que a novela foi para o ar, a menina só leva tapa na cara, chora e vai
terminar sendo envenenada por Claudia Raia, a endemoniada da Lívia.
Novela, cinema e teatro são artes que envolvem o espectador. Você
participa, quase atua na peça, como se fosse personagem. Mexe-se na poltrona,
acorda de madrugada.
Glória Perez não matou Jéssica ainda, porque precisa de audiência, não
consegue dar o Ibope de Avenida Brasil. Considera que a culpa é da baixa
sintonia do Jornal Nacional. Conversa mole. É que o público ainda está
namorando Débora Falabella, muito embora seja Murilo Benício quem está tirando
uma casquinha.
Enfim, por enquanto, não tem São Jorge que evite o envenenamento de Jéssica.
Glória Perez deveria, pelo menos, fazer Jéssica meter a mão na cara de Lívia. O
Mal não pode triunfar de forma tão impune contra o Bem.
Sosígenes Bittencourt
Wednesday, January 09, 2013
Big Bobagem Brasil
Cada um tem as emoções compatíveis com o que vê. Eu, pelo
menos, não consigo ver nada na Big Bobagem Brasil.
Quando, no Carnaval, um Trio Elétrico saiu cantando
"puta que pariu", havia uma multidão acompanhando. Naturalmente,
tinham um péssimo conceito de suas genitoras. E, talvez, tivessem razão.
Sosígenes Bittencourt
Tuesday, January 08, 2013
Aceleração e Depressão
A ACELERAÇÃO de nosso tempo está
gerando DEPRESSÃO. De tantos e tão múltiplos estímulos que temos de responder,
a todo instante, não guardamos memória do passado. Sem passado, não há
perspectiva de futuro. O que nos faz projetar o futuro é a experiência. O
Deprimido é aquele para quem o tempo não passa, porque perdeu a capacidade de
se concentrar naquilo que faz e viver aquilo que faz. O Deprimido sofre de
perda de interesse pela vida. O psicanalista, filósofo e sociólogo alemão Erich
Fromm (1900-1980) aconselhou: O passo mais importante para você se concentrar é
aprender a estar sozinho.
O primeiro socorro a um deprimido
deve ser convencê-lo de que depressão passa, convencê-lo de que o tempo passa.
A pessoa com quem você sempre irá
conviver é consigo mesmo.
Sosígenes Bittencourt
Sunday, January 06, 2013
O Presente, o Passado e o Futuro
O presente é tão
breve que nunca estamos nele, pois, aos falarmos, já passamos por ele. O que
nos dá a confortável sensação de que estamos vivendo o momento presente é a
sensação de duração. O tempo que nos dá esta sensação é o Gerúndio. Acordando,
comendo, trabalhando, amando, vivendo.
O passado é o único
tempo do qual temos certeza, porque sabemos contar e ninguém o resgata. Ninguém
nunca ouviu falar em modificar o passado. O passado é eterno porque nunca terá
fim.
O futuro é um tempo
que nunca existiu, o futuro é uma projeção das experiências do passado. Por
isso, nele, cabem todas as fantasias, todos os desejos, todas as expectativas.
Sosígenes
Bittencourt
Saturday, January 05, 2013
Morte de Dilson Lira
Agora, Dilson, és detentor de um segredo só a ti revelado.
Um dia, fostes como nós somos.
Um dia, seremos como tu és.
Sosígenes Bittencourt
Friday, January 04, 2013
Impressão
Da janela, vejo umas
meninas bonitinhas que passam.
De tão bonitinhas,
nem parecem passar.
Fica sempre alguma
coisa bonitinha no ar.
Sosígenes Bittencourt
Wednesday, January 02, 2013
Fragmentos
Saudade
é o único sentimento que não morre quando se mata.
É matando a saudade e
morrendo de saudade.
Sosígenes Bittencourt
Tuesday, January 01, 2013
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