Thursday, November 24, 2011

FRAGMENTOS

* Eu sonhei que estava morto e continuava estudando.

*Solidão intelectual é ter o que dizer e não ter a quem dizer.
*A minha juventude já não é na lanternagem, é na mecânica das ideias.
*A paixão é a desobediência do desejo.
*Ninguém quer admitir que tem uma parcela de culpa e, por isso, um saldo de padecimento.
*Tem gente indo a pé, porque tem parlamentar voando com o seu dinheiro.
*Não há melhor agasalho que o abraço da pessoa amada.
*Se o salário correr, a inflação pega; se ficar, a inflação come.
*Minha vida é suspender o véu dos preconceitos para enxergar o interior das mulheres.
*Quem tem tudo na vida é O CARA, quem não tem nada na vida é O DESCARADO.
*Meninas grávidas nos verdes anos são como frutas amadurecidas no carbureto.

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, November 22, 2011

Ladrão soft

O ladrão soft já não vai à agência bancária,
assalta de sua própria residência.
O ladrão soft é todo ético,
não quer o dinheiro do cliente,
quer o dinheiro do banco.
O ladrão soft é todo filosófico,
acha que o cliente é o assaltado,
e o banco, o assaltante.
O ladrão soft é todo prudente,
não quer pegar em arma, trocar tiro com a polícia,
arriscar a vida nem por em risco a vida alheia,
por isso fica em casa, protegendo a família.
O ladrão soft é todo religioso,
acredita que roubar é pecado,
mas tem fé no ditado: ladrão que rouba ladrão
tem cem anos de perdão.
O ladrão soft é calorento e cheio de frescura,
não quer transpirar, correndo pela avenida,
prefere o ar-condicionado do escritório,
para roubar, refrigerado.
O ladrão soft é todo tecnológico, cibernético,
clona seu cheque sem abrir o portão,
sabe seu saldo sem ir ao banco,
transfere dinheiro pela compensação.
O ladrão soft é um ser social,
vai a aniversário, casamento, batizado,
só não vai ao delegado, para não ser grampeado.
O ladrão soft é todo especial.
Para ele, foi fundado o Direito Digital.
O ladrão soft tem estilo, anda todo emperiquitado.
Paletó, gravata. Todo enxerido, solta bravata.
O ladrão soft é todo educado:
- Vocês poderiam me passar os pertences, por favor?
E depois do rapa:
- Deus vos dê em dobro o que eu vos tenho roubado.
Sobressaltado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Saturday, November 19, 2011

Fala, Vitória

Mestre Zé Guedes
Hoje, creio que pouquíssimas pessoas sabem que quem construiu os jazigos da primeira entrada do Cemitério São Sebastião foi meu bisavô, José Guedes da Costa. E não só, ele também esculpiu os frontispícios do Cemitério e do Mercado de Farinha.

José Guedes era pai de minha avó materna, Natércia Guedes Pereira. Ele morava em frente ao cemitério, onde hoje deve ser uma Casa Funerária que oferece espaço para velar os mortos. Conta, minha mãe, que levava bolacha com café para ele lanchar no canteiro da construção.

José Guedes não tinha formatura em nada e burilava suas obras com a ponta da colher de pedreiro. No braço, estava o caminho entre a intuição e a arte. Foi assim que cinzelou o brasão do Mercado de Farinha, ainda hoje do mesmo jeitinho, porque ninguém saberia refazer a arquitetura tal e qual o Mestre Zé Guedes, com a mesma desenvoltura, a mesma técnica.

Foi no tempo do fogo-fátuo. Minha mãe ficava pastorando o cemitério, escondidinha, para ver as línguas de fogo que saíam das covas. Eu ainda me lembro dessa história que contavam quando era menino lá na Feira das Panelas. A luz era da Pirapama, as ruas ensombradas, e o medo, de caveira, de assombração.
Monumental abraço!
Sosígenes Bittencourt

Friday, November 18, 2011

Fala, Vitória

DANILO FONTES E PESQUISA

Menino exemplar é Danilo Augusto Ferreira Fontes, estudante e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco, filho de dona Eliana. Deve ser fruto de uma composição triádica infalível: educação doméstica, escolar e bom uso da inteligência.
Quem me contou a história foi sua própria genitora - obviamente envaidecida com a conquista de seu rebento - lá na pracinha do Forum, onde pegamos o ônibus do Instituto Federal de Pernambuco em Vitória de Santo Antão. Dona Eliana faz o PROEJA no IFPE, e Danilo apresentou trabalho de MESTRADO na UFPE.
O foco central da laboriosa pesquisa do estudioso aluno é o tratamento da AIDS, cuja proposta é uma maior eficácia terapêutica com redução de custos. O medicamento proposto por Danilo faz bem a todo mundo e ao mundo todo, tanto clínica como financeiramente. Resulta de trabalho orientado pelo prof. Pedro Rolim Neto, apresentado em agosto por Danilo Fontes, assessorado por equipe no Laboratório de Tecnologia dos Medicamentos. Trata-se de alívio, na via crucis do tratamento, pela junção dos fármacos Zidovudina, Lamivudina e Efavirenz em um só comprimido, reduzindo a dose, de três, para duas vezes ao dia. Só para ilustrar, minha mãe toma um remédio que tem de bater no liquidificador, 3 vezes ao dia, e submeter-se a deglutir um copo de repugnante sabor.
Os medicamentos, que antes apareciam em 3 comprimidos diferentes, são antirretrovirais que inibem a reprodução do vírus e retardam a imunodeficiência. Debruça-se sobre a ciência a sabedoria.
Para você ter uma ideia da importância da invenção, haverá economia em matéria-prima e transporte, num país que já tem 730 mil pacientes contaminados, com 200 mil sendo acudidos pelo SUS, cuja despesa sangra 1 bilhão dos cofres públicos por ano.
Que Danilo Fontes seja a fonte de novas sabedorias.
Científico abraço!
Sosígenes Bittencourt

Dr. Francisco Habermann

Dr. Francisco Habermann é nefrologista e docente da Faculdade de Medicina de Botucatu desde 1970. Dedicado e impressionado com doenças cardiovasculares e renais crônicas, desenvolve campanha para que seja oficializada a "Semana da Hipertensão". Entrevistado, no Canal REDEVIDA, por Dom Antônio, falou sobre o que se deveria fazer para obter boa qualidade de vida. Primeiro, deu uma orientação muito simples, porém extremamente benéfica à saúde: tomar um copo d'água em jejum. Depois, como regra geral, observou que deveríamos "comer a metade, andar o dobro e rir o triplo." E ainda nos aconselhou, como fundo musical, ouvirmos Música Clássica, sugerindo "As 4 Estações", do padre ruivo Antônio Vivaldi.

Dr. Habermann demonstra ser um profissional que, além de amar o ofício escolhido, possui o dom de reabastecer os seus pacientes de FÉ. Simplesmente, espetacular!

Salutar abraço!

Sosígenes Bittencourt

Fragmentos (retrospectiva)

(Há 24 anos)

*Deus deu ao homem a água, e o homem deu ao homem a conta d’água.
*No Dia de Finados, choramos por nossos mortos e por nós mesmos um dia.
*Na orla marítima, em tempo de fio-dental, o binóculo procurava um biquíni.
*O que mais aconselharia à polícia era não botar a mão no preso com o ódio do contracheque.
*Agiota até no amor, só dá um beijo por dois.
*Só nas Provas de Recuperação é que se conhece o pai do aluno irrecuperável. (Novembro - 1987)

(Há 23 anos)

*120 dias de licença-maternidade são mais do que o suficiente para a mulher retornar grávida ao trabalho.
*O preço do tira-gosto tira o gosto de beber.
*No dia das eleições, é proibido vender bebida alcoólica e fugir da cachaça de votar.
*Urge que se crie o Pronto Socorro do tempo, para socorrer as vítimas do Horário de Verão.
*Mais um avião cai na Cordilheira dos Andes. Impõe-se um conselho: não andes pela Cordilheira.
(Novembro - 1988)
Sosígenes Bittencourt

Wednesday, November 16, 2011

Quadro de Frases

Se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo.

Voltaire

Tuesday, November 15, 2011

Eu sonhei que estava em Recife

Eu sonhei que estava no Recife Antigo, na década de 80, às tantas da madrugada. Parava na esquina, puxava um Hollywood do bolso e acendia. Depois de soltar uma baforada, ficava pensando: por aqui já passou muita gente que já morreu.
Ali, antigamente, tinha um bocado de cabaré. Era bom demais. Rua da Moeda, Vigário Tenório, Torre Malakoff... O Oceano Atlântico ficava ali na frente, ventilando, cheiroso, fazendo uma zoadinha. Tinha o Tonny Drink’s, o Capitólio, Night and Day... As meninas eram esguias, vestidinho curtinho, tamanquinho e rabo de cavalo. A boite estava aromática, ervas pelo chão, uma bola prateada girando à luz negra. A gente pagava 5 mil réis e tinha direito a uma dose de Ron Montilla com um limão escanchado na beira do copo. Recebia, também, um saco de pipoca milho em flor. Aí, veio uma camarada branquinha, sentou-se ao meu lado, apoiou o queixo sobre as mãos enclavinhadas e perguntou: - Tudo bem?
E eu, todo amostrado: Melhorou muito!
Pegou na minha mão, deu um cheiro na minha bochecha e me tirou pra dançar. A gente dançava solto, uns ritmos quentes, americanos. Quando ela ria, o rosto ficava todo iluminado, parecia que eu estava sonhando. Eu era maneiro, o sangue desintoxicado, todo novo. Nunca me esqueço desse sonho que já sonhei tantas vezes. Nunca me esqueço de que, quando fomos dormir, ela escovou os dentes. É a vida. Nem tudo a gente pode contar. O sexo ficou para a cama, e os segredos do amor, para o coração.
Onírico abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, November 14, 2011

Quadro de Frases

Estão confundindo a minha lucidez com minha loucura.

Glauber Rocha

Sunday, November 13, 2011

Véspera de feriado

Hoje é uma segunda-feira, véspera de feriado. O que eu mais desejaria no Dia da Proclamação da República era que fosse proclamada outra república. Porque república vem de ‘res’+ ‘publica’, duas palavrinhas que significam ‘coisa pública’. E a maior inimiga da república é a corrupção, que quer dizer ‘transferência do que é público para o privado’. Li, outro dia, uma advertência para o homem público: Não faça na vida pública o que você faz na privada. Portanto, é momento de se pensar em República e Corrupção na pátria de Zé Carioca.
Mas, você sabe como é o brasileiro: véspera de feriado é feriado também. A macacada arruma as trouxas e bota pra molhar o bico. A menos que esteja dodói. Porque tem um bocado de gente com o cangaço na cama. Diz que é vírus. Deve ser por causa dessa variação de temperatura. Nunca se viu novembro assim. Esquenta e esfria, esfria e esquenta. De repente, faz um calor de fritar; depois, um frio de tilintar. O organismo perde autodefesa, dana-se a adoecer. Se bem que, no mundo, tem gente pra tudo. Há quem beba cachaça até pra dor de cotovelo.
Relaxado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Saturday, November 12, 2011

FRAGMENTOS

*Tensão na Rocinha não afasta turismo.
Turismo na Rocinha não afasta tensão.
*O técnico do Sport sonhou na Primeira Divisão.
Eu também sonhei...
*Carlos Lupi não é vontade de Dilma, é capricho do PDT.
*Quem exige amor, nunca é correspondido. Ninguém ama na marra.
*O aposentado anda com medo de que o aposentem do recebimento.
*No Brasil, a Esquerda e a Direita já não se matam pelo poder,
entram em conchavo.
*O controle remoto é recente, mas a sabedoria é remota.
*A galinha é uma inflação, inflada pela ração irracional que lhe dão.
*Uma vidente me disse que eu enricaria na velhice. Então, ainda estou muito jovem.
*Um dia, minha mãe descobriu que eu não mentia, fazia poesia.
*Quer saber o que são fragmentos? Estilhace um copo no chão.
Fragmentado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Fala, Vitória


ENTREVISTA NO AMÉLIA COELHO

Convite que me deixou muito contente foi o formulado pela profª. Selma, para conceder entrevista aos alunos do Curso Fundamental na Escola Amélia Coelho. Coisa decente de gente que leva a vida a sério. Educada, chegou-me ao portão e logo me seduziu, pela simplicidade do comportamento e carinho dispensado. Não titubiei, negócio fechado. O evento deu-se na sexta-feira, eu passeando de carro pra lá e pra cá. Só você vendo. A escola tem ares de coisa cuidada por mãe de verdade. Os alunos parecem filhos. O muro limpo, a entrada varrida, a biblioteca climatizada. As professoras sorridentes, denotando vocação para a educação e o ensino. Ensinar é transmitir conhecimentos, educar é burilar o caráter do indivíduo. Resultado: a entrevista virou uma palestra. Fiquei tão alegre com o que vi, tão motivado com o evento, que resolvi motivar os alunos. Falei mais sobre a vida e o universo em que estávamos vivendo do que a vida que levei. Sobretudo a importância da fé na caminhada da existência. Todavia, uma vez perguntado, falei sobre o meu trabalho de difusão cultural na cidade, minha inspiração literária e o meu entusiasmo pela educação. E terminei deixando-lhes um resumo de minha ampla visão profissional: Ensinar é, para mim, uma forma de conviver. Minha escola é o mundo.
Entusiasmado abraço!
Sosígenes Bittencourt

Friday, November 11, 2011

Teledramaturgia no Trabalho

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, errou a profissão. Sua vocação para teledramaturgia poderia estar nas novelas da Globo. Arriscaria menos a reputação e ganharia um bom dinheiro.

Carlos Lupi deve ser resultado de compromisso político-partidário entre PT e PDT. Mas, se fazendo de desentendido, quando é acusado de conivência com irregularidades da pasta, Carlos fica puto da vida e dana-se a espernear. De tão atabalhoado, destila asneiras, relembrando assuntos que Dilma quer mais esquecer. Por exemplo, quando Carlos detona que só sai do Ministério à bala, na realidade não desafia Dilma - isso é tergiversação - contudo relembra uma esquerda perseguida, guerrilha, tortura, Ditadura Militar, uma série de baboseiras históricas que o momento político detestaria relembrar. Depois, quando convidado a rogar desculpas, Carlos se retrata e revela seu amor por Dilma. Outra tergiversação. Não é nada disso. Não há amor entre Carlos Lupi e Dilma Roussef, há acordo político-partidário. As palavras ideologia, esquerda, direita já não fazem parte do vocabulário político de nosso tempo, a palavra é “acordo”, cujo antônimo é "arenga". Ninguém dá o sangue nem mata por ideologia, na realidade cumpre compromissos. Por isso, Dilma deve estar muito injuriada com esses expedientes de Carlos, que parece não ouvir o pedido de “psiu” da presidente. Embora não querendo chamá-lo de desequilibrado, mas o ministro do Trabalho, que fala mais do que o homem da cobra, termina sendo demitido por falta de “equilíbrio” parlamentar.

Desastrado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Thursday, November 10, 2011

Foto


OFEGANTE AFEGÃ

O retrato desta afegã está simplesmente cinematográfico! Flagrante de 1984, o clássico pertence à coleção de fotografias do fotógrafo estadunidense Steve McCurry, que acaba de ganhar um prêmio, exibindo 100 fotos em São Paulo. Chega dá vontade de ver o resto.

A menina parece um animal acuado, cujos olhos devem ressaltar o pânico que conduz n’alma. De tão fotojornalística, tão textual, já foi capa da National Geographic. De tão expectante, parece ofegar.

Ofegante abraço!

Sosígenes Bittencourt

Wednesday, November 09, 2011

No Dia da Audição

No Dia da Audição, é bom apurar os ouvidos. Já dizia o dramaturgo Nelson Rodrigues: O pior cego é o surdo. Deve ter querido dizer: o pior cego é aquele que não ouve o que se diz.

O povo costuma dizer que, se conselho fosse bom, não se dava, se vendia. Cá com meus botões, eu já acho que quem não ouve conselho, raras vezes acerta. Por exemplo, quanto conselho se dá para não se usar grampo, palito de fósforo, tampa de caneta e outros bregueços pérfurocontundentes, para cutucar os ouvidos. Agora mesmo, anda-se aconselhando não implantar fone de ouvido, no pavilhão auricular, como prótese sonora. Afinal, é bom preservar os ouvidos, porque são dois e uma boca, o que nos aconselha ouvir mais do que falar.

Voltaire dizia que tudo que entra pelo ouvido, vai direto ao coração, o que me levou a deduzir que o coração é a grande metáfora do amor. Porque o coração é o termômetro do sentimento, a mente é que ama. Portanto, não sejas mal-ouvido, ouve conselho, sobretudo os conselhos daqueles que te amam.

Mavioso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Monday, November 07, 2011

Se a moda pega

A impressão é de que os alunos da USP querem se distrair. Vamos por princípio. Escola não é lugar de distração, escola é lugar de concentração. A Universidade é uma escola, não é parque de diversão. Depois, os alunos da USP que querem estudar, obviamente, não querem conviver com barulho, pessoas se drogando, nem cavalaria dentro das dependências da Universidade. Esse grupo de alunos que reivindica o direito de fumar maconha no campus universitário deve estar querendo atropelar o direito da maioria, ou seja, querem direitos especiais. Outro detalhe, conviver com drogado é uma coisa, conviver com pessoas se drogando é outra coisa. Eu não quero um animal se drogando na sala de minha residência. Ninguém pode me obrigar a aceitar um alcoólatra enchendo o latão de pinga junto de mim. Esses estudantes querem ficar de papo pro ar, dentro da Universidade, pitando marijuana, inalando crack, como se fosse direito a distração. Daqui a pouco, será direito fumar maconha na igreja, na sala de espera, no elevador, no velório, etc, etc. O que se pode esperar de uma pessoa que está se drogando? O imprevisível. O drogado não modifica o mundo, quem se modifica é ele. E você pode não querer ser visto por alguém que está vendo o mundo diferente. De repente, o cara pode pensar que você é o Cão do Terceiro Livro, que você é doido, que você é um fantasma, e aí? Imagine se a moda pega e todos têm o direito de fazer o que quiser nas escolas. Uma procissão de alunos adentrando a Faculdade, de maconha no bico. Todo mundo louco, se desabotoando, podendo imitar o coito em pé, embolando pelo chão, como as mulheres do deus Dionísio. Observe bem o que esses alunos que invadiram a Reitoria fizeram. Quebraram móveis, riscaram as paredes, lambuzaram tudo, como se estivessem em seu chiqueiro. Desconhecem que aquilo é bem público. Como é que querem ter direitos, atropelando direitos. Na Universidade tem aluno decente, tomado banho, trocado de roupa, exame de vista, livro debaixo do braço, querendo estudar e fazer o futuro. Gente que sente prazer em estudar. Porque estudar não dói, estudar é um movimento sublime d'alma, é fator de real amadurecimento da sociedade, de convivência saudável, semeadura da Democracia. O mundo espera tudo daqueles que estudam, confia naqueles que se formam, e não espera boa coisa daqueles que se drogam.

Equivocado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Filmando o destino

Oxalá esteja na câmera do cinegrafista a imagem do seu algoz.
Pode-se imaginar que Gelson Domingos da Silva, de 46 anos, foi vítima de “aberratio ictus”, ou seja, morto fatalmente por um tiro direcionado a um policial. Quer dizer, erro quanto ao alvo. Contudo, não custa desconfiar de que o traficante tenha atirado no cinegrafista, na favela de Antares, Zona Oeste da Cidade outrora Maravilhosa. Relembremos Tim Lopes, torturado e incendiado porque bisbilhotava atividades de narcotraficantes no Rio. Esses funcionários do tráfico, que perderam o amor à vida, não sentem patavinas em relação à vida dos outros. Aliás, eles não matam porque usam drogas, matam para traficá-las. A revolta é com a contrariedade e julgam que matam em legítima defesa. Alguns são viciados e outros detestam. A questão é que droga virou mercadoria e tráfico virou meio de vida. Coisa de Terceiro Mundo, apregoada à falta de emprego, misturada com falta de educação. Gelson estava trabalhando, era um cara batalhador, não tinha nada a ver com o pato. A família confessa que Gelson saiu de casa, naquela manhã, rezando. Parece obra do destino, picardia dos deuses. Porque quem entende de estratégia de operacionalidade são aqueles policiais troncudos, pesadões, que sabem se safar de tiro, embolando pelo chão e se acocorando nas esquinas. É bom tomarem como exemplo. Cinegrafista, dia de domingo, no Rio, é pra se refrescar na orla marítima de Copacabana, empunhando chopp, namorando a vida, não para desafiar a morte. Porque esse negócio de tráfico, de nóia, não tem quem acabe, principalmente porque ninguém quer acabar.
Requiescat in pace!
Sosígenes Bittencourt

Saturday, November 05, 2011

Quadro de Frases

Faça amor, mas não faça ninguém.

Quem não nasce não sofre.

Quem não nasce não chora.

Quem não nasce não morre.

Moacyr Franco

Crise financeira e ilusões

Quando eu ouço falar em crise financeira, só penso numa série de palestras que tratam de 3 ilusões extremamente eufóricas, mas que exigem limites: a paixão, o dinheiro e o poder. Observe o ensaio sobre as palestras, resumido por Renato Janine Ribeiro:

"Vamos falar de pelo menos três ilusões: uma foi a dos valores vazios, que a crise depreciou, ao preço de inúmeras falências; outra é a do amor-paixão, que nos faz atribuir todas as perfeições a uma pessoa que, obviamente, não pode ser tanta coisa assim; e a ilusão do poder, que nos engana sobre os outros: quem manda sente vaidade, quem o cerca o bajula. Ora, nosso mundo não consegue um entusiasmo que não seja eufórico. Mas um entusiasmo assim é ilusório. É possível viver sem ilusões? Penso que não é mais esta a questão, e sim: É necessário viver com menos ilusões."

Mas, sobre a questão financeira, em rápidas pinceladas, Renato fala sobre "como que menos é mais e como que mais é menos". E vira-se para a plateia, assegurando que muitos dos que ali estão, estariam gastando muito mais do que o necessário para sobreviver. Depois, que era preciso certas perdas, certos prejuízos, para uma retomada de vida mais consistente, onde o menos seria mais, depois que o mais passou a ser menos. Isso não só serve para a Europa, que vive uma crise, considerada por Delfim Neto como antiga, mas para as pessoas de um modo geral.
Econômico abraço!
Sosígenes Bittencourt

Friday, November 04, 2011

Sport 4, Boa Esporte 1

Não foi uma boa o que aconteceu com o Boa, mas foi uma boa o que aconteceu com o Sport. O que não é uma boa é pensar que o Sport, por causa dessa goleada, irá para o Grupo dos 4. Não. Ele irá para o Grupo dos 4, se fizer o que não fez durante o Campeonato: Gol! O Sport estava com fastio desde que meteu 4 gols no Vitória da Bahia. Contra o Náutico, por exemplo, foi um time apático. Aliás, o Sport não é um time, é um bando de jogadores. E bandoleiros. O que a diretoria não entendeu é que os bandoleiros não quiseram jogar com PC Gusmão. Esperou demais para mandá-lo embora. Jogador de futebol tem essa safadeza. Agora, dizer que o Sport irá para o Grupo dos 4, por causa desta proeza, é precoce. Vai depender de boa vontade. Elenco tem, mas é preciso garra e arrumação tática. O grupo precisa ser um time, não um bando de jogadores. Por que foi que resolveram jogar, ontem, depois que a vaca já está indo pro brejo, e não o fizeram antes? Júnior Viçosa sabe, ou não sabe fazer gol? Com a resposta a Diretoria do Sport.

Rubro e Negro abraço!

Sosígenes Bittencourt

Wednesday, November 02, 2011

Passa o Dia de Finados

Passa o Dia de Finados. Finda o Dia de Finados.
E ninguém vê finados. Porque finados findaram,
não têm hora, dia, tempo, mais nada...

Passa o Dia de Finados
tão rápido quanto fora a vida dos finados.

Ninguém desejaria que os finados voltassem
ao mundo para findar outra vez.
Já nos basta morrer uma vez.
Porque só os finados estão livres da morte.
Sobretudo, do medo da morte.

Seria suprema malvadeza do destino nos impor
mais de um fim, embora morra nossa infância,
nossa adolescência, nossa mocidade
e sigamos vivos, vivos até o fim derradeiro.

Passa o Dia de Finados.
E perpassam os finados que conhecemos.
Parece até que os vemos.
De preferência, sorrindo. O mesmo jeito,
a mesma voz, os trejeitos, o figurino.
Nós é que ficamos tão diferentes. Talvez,
nem soubéssemos conversar com os finados,
como antigamente.

Sosígenes Bittencourt

Quadro de Frases



Minha sepultura será o ar insondável.

Jorge Luis Borges

Tuesday, November 01, 2011

Dia de Finados

No Dia de Finados, choramos por nossos mortos e por nós mesmos um dia.
Sosígenes Bittencourt

Eu fui como tu és, e tu serás como eu sou.
Inscrição tumular

Sunday, October 30, 2011

Cauby aos 80 anos

Apesar da carinha de mulher, Cauby Peixoto é uma das vozes masculinas mais bonitas do Brasil. Para você ter uma ideia, já foi considerado o Elvis Presley brasileiro. O seu estilo é chamado de estilo “dândi”, voz grave e aveludada, cabeleira e figurino exóticos. De família de músicos, Cauby é um carioca, do signo de aquário, dado à luz em fevereiro de 1931. Risonho e descontraído, como se estivesse na aurora da existência, nem liga para as suas 80 primaveras, dizendo que conserva a voz não tomando nada gelado, sem vícios e nunca se aperreando. Indagado sobre o segredo de não se aperrear, confessa que é porque convive com pessoas calmas. Naturalmente, é uma permuta de compreensão e paciência, porque quem é calmo também acalma. E se alguém duvida do exposto, é só comprovar, ouvindo sua voz. Um verdadeiro espetáculo!

Exemplar abraço!

Sosígenes Bittencourt

Friday, October 28, 2011

FRAGMENTOS

*Não há nada mais eterno do que o passado, pela impossibilidade de modificá-lo.
*Vejo poesia em tudo. Por isso, ando pela calçada.
*Somos excelência em ciência e tecnologia, mas pobres em sabedoria.
*Há amores acidentais e amizades essenciais.
*Ando à procura de um "talvez", e talvez você seja o meu "onde".
*Não há maior distração do que ser humano.
*Ninguém pensa nem age para ter paixão, mas pensa e age porque tem paixão.
*Vivo estudando. Quando não tenho o que fazer, estudo.
*Leio desde quando não sabia ler e escrevo desde quando não sabia escrever.
*Todo homem crê no limite de sua fé e descrê no limite de sua descrença.
*Forte não é quem bate, mas quem defende.
Rico não é quem tem, mas quem ajuda.
Inteligente não é quem humilha, mas quem ensina.
Sosígenes Bittencourt

Lixo ianque, luxo brasileiro

Nada contra o sangue de nossos irmãos. Somos um país católico. Por Jesus, como somos. Mas, reaproveitar lençóis de lixo hospitalar norte-americano é muita seboseira. Primeiro, é preciso saber o que diabo veio fazer lençol ensanguentado dos Estados Unidos em Suape, indo parar em Santa Cruz do Capibaribe e Campina Grande. Qual o vampiro que trouxe, por que trouxe, o Drácula que obteve e como obteve para revender? A Receita Federal pegou 2 contêineres com 46 toneladas de nojeira hospitalar em Suape. Tinha até seringa usada, sabe-se lá em que nádega utilizada. Imagine se o material não fosse proibido de entrar nesta joça e não fedesse como fede. Na Paraíba, tem casal de namorados fazendo nenen sobre o lixo em motéis de luxo. Gente ligada à saúde diz que esses panos têm de ser esterilizados, não podem ser simplesmente ensaboados e estendidos no arame. Não é só sabão Jabacó e água sanitária pra tirar o grude. Funcionários camuflados, da Folha de São Paulo, compraram 4 kg de lençóis, a 10 mil réis o kg, em uma loja de tecidos e retalhos na pátria da máquina de costura. Os empregados da loja alegaram “problemas no sistema” para não expedir nota fiscal. Tudo conversa fiada. Depois, botaram o rabinho entre as pernas, bateram as portas e se picaram. Tão bonzinho que era o comércio de Santa Cruz do Capibaribe, agora “americanalhado” desse jeito. Parece mais a Transilvânia do sanguessuga do cinema. Um povo tão criativo e trabalhador. Vá ver que tem gente ambiciosa, metida nesse negócio de vender lixo pra luxar.
Sanitário abraço!
Sosígenes Bittencourt

Quadro de Frases



A moral não ensina a ser feliz,

mas a ser digno da felicidade.

Emanuel Kant

Tuesday, October 25, 2011

Lenga-lenga no Orkut sobre uso de drogas

O ser humano que conhecemos é um ente que deseja. Os brucutus comiam porque sentiam fome. Nós sentimos fome, desejamos comer chocolate. O desejo não busca o prazer, busca um objeto. Tanto que há desejos que buscam o que não dá prazer. Todo ser humano é suscetível de viciar-se. Conhecemos gente que mete o pau em quem bebe e fuma, mas come feito bicho. Vício é todo hábito que faz mal. Há também diferença entre USUÁRIO e DEPENDENTE. O usuário usa, o dependente depende. O usuário usa quando quer, o dependente não consegue parar de usar. O usuário guarda uma garrafa de vinho para beber no sábado com a namorada. O dependente troca os carinhos da namorada pelo vinho. Enfim, se a droga existe e o viciado tem como adquiri-la, não tem como evitar a negociação. É caso sem remédio. Só há duas saídas: ou você tira a droga de circulação, ou pune o viciado pelos ERROS que eventualmente COMETER. Não se combate droga mimando usuário nem enclausurando inocente, com pena nem ódio de quem usa. Drogado não tem que ser acariciado nem castigado. Não se combate droga, criminalizando o uso. Se usar droga fosse crime, porque é vício e faz mal, você não poderia ingerir fritura nem transar com pessoas de grupo de risco. Copiou?
Ébrio abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, October 24, 2011

Entre pipocas

Acontecimento digno de registro ocorreu em João Pessoa (PB), na semana passada. Marlene Alves da Cruz passou mal na quinta-feira, foi socorrida e morreu do coração no dia seguinte. O inusitado é que, nesse ínterim, pediu para ser sepultada num caixão cheio de pipocas. O motivo era porque dona Marlene, embora às 43 primaveras, não gostava de flores. A guloseima manufaturada era-lhe mais atraente do que a obra da natureza.

Aqui, em Vitória de Santo Antão (PE), o falecido pastor Lidônio Fragoso de Almeida, que realizava cultos na Igreja Evangélica Congregacional, sempre recitava para os fiéis:

O homem faz um navio

faz uma fortaleza

mas não faz um limão

que é obra da natureza.

Requiescat in pace

Sosígenes Bittencourt

Fala, Vitória


DROGAS COM CLIENTES EM PIZZARIA

A polícia arrastou 6 clientes de uma pizzaria, em Vitória de Santo Antão, tentando saborear droga. Aventaram a hipótese de penalidade à proprietária.

Vamos esclarecer. Se a Polícia for fechar ambiente onde tem marmanjo com maconha debaixo do capacete e menina com crack ensacado na vagina, nem a Igreja fica aberta. Por isso, a blitz só é realizada com denúncia. Se houvesse baculejo, a céu aberto e de rotina, a cidade estaria um deserto. A questão também é a seguinte: Quem foi que proibiu usar droga? Quem foi que proibiu tomar veneno? Você já viu alguém preso, porque tomou um porre de Baygon? O que ninguém quer encarar é que DROGA virou mercadoria e TRÁFICO virou negócio. E que, quando um quer vender e o outro quer comprar, só não há negociação se não houver dinheiro. É feito mulher quando quer dar e homem quer receber. Só Deus evita. O resto é hipocrisia, tá ligado?

Equivocado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Brasil 1, Costa Rica 3

A Costa Rica é um dos piores times que o mundo já viu jogar, e a Seleção Brasileira, que conseguiu ser desclassificada por ela, é inclassificável. Não há adjetivo para apelidar semelhante desordem. Não é uma Seleção, é um bando de jogadores. Prova da ruindade é ter empatado em 0 a 0, com Cuba, para a eterna felicidade dos cubanos e o rejuvenescimento de Fidel Castro. E tem detalhe, os costa-riquenhos perderam um pênalti, e tivemos Lucas Zen expulso, porque deu um karatê no adversário.

Apesar da torcida mexicana estar torcendo pelos brasileiros, o juiz mexicano Ricardo Arellano, um baita acanalhado, apitou contra a canarinha o tempo inteiro. No final, a conversa é sempre essa: Agora, é levantar a cabeça e pensar na próxima partida.

Que partida, perna de pau?

Decepcionado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Saturday, October 22, 2011

Olho por olho

É assassinando que se é assassinado. Iludido quem mata e espera receber carinho. Kadafi deve ter sido vítima da Lei do Talião: dente por dente, olho por olho.

Segundo reflexão do espírita e benfeitor Chico Xavier, poder-se-ia dizer que Kadafi não poderia fazer um novo começo, mas poderia fazer um novo fim. O ditador líbio não submeteu, platonicamente, a maldade d'alma à razão, a ilusão de poder à inteligência. Quando matou, pelo poder, foi covarde; quando enfrentou os descendentes do genocídio, foi imprudente.

Há quem diga que Kadafi era um democrata, amigo do povo e lutava para derrubar ditadores e ditaduras. A questão é que, de tanto lutar contra ditadores e se perpetuar no poder, virou ditador também. Aí, o povo aprendeu que não se deve tolerar ditadores, o remédio é matá-los. O feitiço virou por cima do feiticeiro.

Mas, Kadafi não foi morto às escondidas, torturado em masmorra, sem o direito de dar um pio. Pelo contrário, foi morto a céu aberto, no meio do povo, pelo povo, com direito a pedir clemência. Quer dizer, morreu de maneira digna, lutando, ouvindo as razões do ódio dos seus inimigos.
Irracional abraço!

Sosígenes Bittencourt

Friday, October 21, 2011

Morte de Palmeira Filho



(3 anos da morte de Palmeira Filho)


Conheci Palmeira Filho aqui em Vitória, sendo-lhe anfitrião e cicerone - nesta cidade cheia de contrastes, às vezes irritante, mas sedutora - não sei precisar há quantas décadas. Palmeira era um homem simples, brasileiro como nós, submetido às agruras financeiras do cotidiano, apaixonado pela vida, portador dessa alegria com que driblamos os problemas nacionais. Embora transitasse normalmente pelas calçadas, Palmeira tinha o dom de falar para as multidões. O microfone da rádio era a extensão da sua voz, lenitivo para sua dor, fuga para os seus aperreios existenciais. Maceteado na arte de conquistar o ouvinte em Freqüência Modulada ou Amplitude Modulada, modulava sua voz na conveniência da hora, desde um reclame a um recado amoroso numa caixinha de pedidos.
Um dia, eu o encontrei já meio combalido, cansado dos problemas do dia a dia, empunhando um copo de bebida e um cotoco de cigarro entre os dedos. Transpirava e tinha as mãos frias. Como vislumbrei sérias complicações de saúde e desânimo existencial, aconselhei procurar uma igreja. Estava na hora de parar de afogar problemas, tentar resolver tudo sozinho ou confiando nos homens. Suas questões transcendiam o lado visível, precisava de auxílio maior, socorro de outra esfera, arrimo da fé. E porque ouvisse meu conselho, viveu ainda por mais de uma década.
Imagino Palmeira no mundo invisível, como descreveu em poema, Manuel Bandeira, Irene Preta sempre de bom humor.
- Palmeira!... Palmeira!...
E Palmeira, se virando: - Ôi, Sosígenes, agora eu estou nas graças de Deus. Penso que está na hora de você procurar uma igreja.
Ali, ele me olha, baixa a cabeça e sai andando. O seu gingado ainda é o mesmo, seu tom de voz.
Imagino a célebre inscrição tumular: “Eu fui como tu és, e tu serás como eu sou. Pensa nisto, e vai com Deus.”
E numa despedida tipo da terra, em lugar desconhecido: - Até mais, Palmeira, a gente se vê.
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, October 18, 2011

O cientista Elsimar Coutinho

Todo cara que vai tagarelar na mídia torna-se polêmico. Dr. Elsimar Coutinho é um deles. Ele fala tudo que lhe dá na telha. E quem não quer ouvi-lo? O professor, médico e cientista baiano fala sobre sexo o tempo todo. E sai-se com cada uma danada. Em suas entrevistas, diz que limão é bom para acidez. Vê só... Ele defende a administração de pouco ácido para combater muito ácido. Quer dizer, umas gotinhas de limão seriam benéficas para um estômago incendiado por uma bomba de sódio, flagelado pelo excesso de ácido clorídrico. Conta que, antigamente, as pessoas tinham esse hábito. Isso, antes do Omeprazol e da Ranitidina. Depois, acusa o Omeprazol de provocar impotência porque reduz a produção de hormônios responsáveis pela tesão e a alegria de viver. Diz que a maior besteira foi terem retirado o Citotec do mercado. Só porque o Citotec era um medicamento para úlcera gástrica, e as pessoas estavam utilizando o remédio para fazer aborto. Realmente, o que é que tem a ver uma coisa com outra? Aí, diz que a Santa Inquisição passou séculos matando pessoas, e a Igreja quer condenar aborto. Fala sobre ciúme e memória como ligados a hormônios do sexo e defende reposição hormonal. Enfim, os verbos que mais conjuga são Progesterona e Testosterona. Uma de suas reflexões merece explicação: "O homem é mulher dependente". E cita Woody Allen: "A masturbação é o único tipo de sexo que você pratica com a pessoa que você mais ama."

Enfim, Dr. Elsimar Coutinho é fiel à ciência, cujas descobertas não têm a ver com a ética. A Bioética é que trata do uso da descoberta.
Polêmico abraço!

Sosígenes Bittencourt

Monday, October 17, 2011

Educação verdadeira


Educação verdadeira faz enxergar limites. Você torna-se mais consciente de sua ignorância, socraticamente sabendo que nada sabe. Porque o saber leva você a um contato maior com o que ignora, é como se fosse uma bola que se inflasse perante a ignorância. Quanto maior, mais amplo o contato com o desconhecido. Por isso, pessoas que sabem menos são mais arrogantes, enquanto o sábio, quanto mais sábio, mais propenso à humildade. Humildade, não no sentido de timidez, mas no sentido de reconhecimento de limites.

Mas, sobretudo, a educação faz você sentir-se feliz com a busca da verdade e o contato com o saber. Einstein dizia, com muita propriedade: A alegria de ver e entender é o mais perfeito dom da natureza.
Sábio abraço!
Sosígenes Bittencourt

Saturday, October 15, 2011

Para o Dia do Comerciário

Feriado, dia de segunda-feira, é faca de dois gumes. Tanto faz você se dar bem, como se dar mal. Quem odeia segunda-feira, pode sair para comemorar, ir a um barzinho, tomar uns birinaites e cair na cama para curtir a ressaca. Besteira. A terça-feira vira uma segunda pior do que se o "comerciário" estivesse trabalhando. Quem opta por ficar em casa, excitando o parceiro para reacender velhos desejos, tira melhor proveito. Essa história é assim. Quando se é namorado, a excitação vem em decorrência do desejo. Quando se é casado, e o desejo foi embora, o conselho é se excitar para reacender o desejo. Funciona.

Há uma outra história que eu me lembro quando é feriado, porque penso que a melhor opção é namorar. E namorar pode ser com a esposa. Por que não? A história é a seguinte. Diz que os casais orientais começam com uma grande amizade para terminar num grande amor. Já os ocidentais começam com uma grande paixão para terminar numa separação. Deve ser o vexame. Não há paciência para confeccionar uma boa e duradoura relação. O negócio é, antropofagicamente, um comer o outro na força da concupiscência.

Mas, voltando à história do Dia do Comerciário, o bom mesmo é fazer desse dia um bom negócio, transformando-se de comerciário, que vende o que é dos outros, num bom comerciante daquilo que lhe pertence. Afinal, o amor faz parte da felicidade democrática por ser um bem que pertence a todos, sem distinção de classe ou status social.

Proveitoso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Tuesday, October 11, 2011

Comendo paima

Agora, inventaram essa expressão “comendo paima”. Coisa como “engolindo corda”, cuja vítima é o cacimbão.
Mas, pegando carona na moda, esse é um tempo propício para otário cair em cantada de político sabido, raposa velha em influenciar candidatura. O poderoso passa a mão na cabecinha do inocente, alisa o narcisismo do embevecido, e diz: “Você, hoje, tem voto pra ser vereador na cidade”. Aí, o influenciado vai dormir sadio e acorda candidato a vereador. Filia-se a partido que nem sabe traduzir a sigla. Depois de filiado, até a maneira de andar muda de cadência. Afaga menino, diz que o vizinho está jovem, a vida vai melhorar, o mundo não vai se acabar e que bom mesmo só Jesus. Toma pinga no balcão da venda, mete o pau na inflação, ri para os inimigos de estimação, vai às igrejas, ao estádio de futebol, vela defunto e chora em sepultamento. Sempre pensando que toda pessoa que conhece é um eleitor em potencial. Confunde popularidade com eleitorado. Ora... se o cara vende mangalho e ninguém lhe deve um pimentão, quem fez favor a quem? Ninguém. Depois, tem detalhe. Aquele que tem um dinheirinho, porque trabalhou e amealhou, não tem, necessariamente, gabarito para administrar uma cidade. “Ah! fulano é um homem próspero, enricou do nada. É um homem honesto e trabalhador, daria um bom prefeito.” Conversa mole pra boi dormir. Conhecemos incontáveis casos de políticos imaturos, eleitos por eleitores piores ainda. Portanto, meu vaidoso amigo, cuidado com a vivacidade dos sedutores, dos craques em inventar candidatura, não alimente tanta ilusão. Lembra-me o Eclesiastes: Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
Dr. João Cleofas de Oliveira costumava dizer: O amor na política é mais forte do que no amor.
Prudente abraço!
Sosígenes Bittencourt

Dia da Criança

O importante não é fazer uma criança sorrir no Dia da Criança,

é não permitir que ela chore pelo resto dos dias.

Sosígenes Bittencourt

Monday, October 10, 2011

As razões de Reguffe

Machado de Assis dizia que "Toda cidade tem de ter um louco para chamar as pessoas à razão". Duvido que não estejam chamando o deputado José Antônio Reguffe de doido ou amostrado. Só que, até que prove o contrário, não é o que parece. A renúncia a todas as mordomias de deputado foi amarrada em caráter irrevogável. Quer dizer, nem que ele queira, não poderá voltar atrás. Reguffe teve, pelo PDT do Distrito Federal, a bagatela de 266.465 sufrágios - votação para abilhudo nenhum botar defeito. Agora, no lugar de ficar sedento pelas benesses do cargo, renunciou a uma porrada de injustificadas mordomias, concedidas com o dinheiro do povo. Abriu mão dos 14° e 15° Salários, reduziu verba de gabinete, verba indenizatória, cota de passagens aéreas, auxílio-moradia, poupando, sozinho, dois milhões e trezentos mil reais dos cofres públicos durante os 4 anos de mandato que irá exercer. E ainda expôs os motivos, externou suas razões: "A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade, custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores." O exemplo do deputado sugere uma mudança de postura, de mentalidade do eleitor. Se o eleitor não entender e não mudar, problema da caterva rude e subserviente que elege seus algozes.

Exemplar abraço!

Sosígenes Bittencourt

Saturday, October 08, 2011

Morte de Benge

Fazia tempo que eu não via os meus velhos pais chorando. Eu não queria contar essa história. O ser humano é um móbile frágil. É insustentável, a leveza do ser. Mas, já estávamos desconfiados de que Benge não resistiria. Era uma infecção. Estava descolorido, não andava, nos olhava com um olhar de despedida. De ontem para hoje, já não veio para a sala, não fez companhia ao meu pai. Os recantos da casa parecem circunspectos, há um silêncio diferente, as flores do jardim não se movem, ora parecem acenar um adeus, lentamente... Tanto que eu disse a minha mãe: - Mãe, não pegue bicho pra criar, animal é feito gente. A senhora vai sofrer.
Será um domingo triste. A sisudez da morte nos circunda. A cada momento, lembramos alguma coisa de Benge, suas travessuras, seus carinhos, seus gestos quando minha mãe viajava, a noite todinha ao lado do meu pai. Banhamos de lágrimas os seus pertences, apanhando pela casa. Adeus, meu camarada. Você nos ensinou a amar os animais, com o seu carinho. Você é gente, bicho. Nunca nos fez mal, sua timidez nos encantava, desculpa as vezes que fomos arrogantes e incompreensivos contigo. Deus te dê o paraíso.
Lutuoso abraço!
Sosígenes Bittencourt

Thursday, October 06, 2011

O cãozinho dodói


O cãozinho doente dói na gente. O cãozinho é feito gente. Porque todo mundo morre e nunca se acostuma com a morte.
O poodle é bichano tão sabido que não fala porque não foi à escola. Quando sua dona viajou, o poodle pegou o seu chinelinho e ficou empurrando por debaixo da porta. Todo mofino, nem sei se pode-se dizer que era saudade. Predicativamente amoroso, dorme sob a cama, puxa o lençol.
O cãozinho anda dodói que dói. Diz que é hepatite.
- Na casa tem rato? - pergunta o doutor de bichos.
- Não, mas eu vi um subindo pela parede. O senhor sabe a função do rato, doutor?
- Pergunte a Deus?
Às vezes, seres racionais, pessoas de verdade, envenenam seu semelhante por vontade. O rato nada sabe de sua letalidade.
Mas, o poodle doente dói na gente. Lembro-me da advertência: Se você vai criar um bicho, saiba que aquilo é feito gente. Um dia morre e é um velório normal. A gente morre de velho e não se acostuma com a morte. Carregamos um obituário no cérebro, a fisionomia de nossos mortos na memória, seus rostos pálidos, frios e suarentos dos derradeiros momentos.
- Você se lembra de fulano, sicrana?
- Lembro. Parecia que estava dormindo.
Mas, o poodle fica nos olhando, anda capengando pela casa, somos uma espécie de seu deus. Houve um tempo em que os homens eram assim, agiam pelo instinto, não havia concepção de mitos nem desejos. Os homens eram uma espécie de demônios. Menos mal, hoje parecem o diabo em figura de gente.
Mas, o poodle parece que está com hepatite. Deus o livre da leptospirose. Foi alguma extravagância que ele fez, apesar de que não bebe. Um cidadão deduziu que o homem é o mais burro dos animais. E explica, todo contente com sua invenção: - Você já viu um cavalo com um cigarro no bico? Um jumento tomando cachaça?
Risos!
O poodle, tomara que não tenha que relatar sua morte. As pessoas choram, e a função do escritor é alegrar as pessoas. Oremos pelo bichano.
Veterinário abraço!
Sosígenes Bittencourt

Tuesday, October 04, 2011

A Grécia é uma graça


A Grécia é uma graça. A Grécia não é um mito, mas capricha pra tragédia grega. A Grécia precisa “primeiro viver para depois filosofar”, seguir, ipsis litteris, o conselho latino “primum vivere, deinde filosophari”. Mas, a Grécia nem consegue viver nem filosofar. De mãos estendidas, pede socorro financeiro ao mundo, sacrificando seus filhos, aos pés de mandatários incompetentes e impiedosos. Parece o destino, ou obra do acaso, mas termina sendo efeito da safadeza dos homens, da olímpica arrogância dos mortais. Aos gregos governados, quem inventou a pobreza foram os governantes, ou seja, os detentores do poder, os egoístas, os malfeitores. Por isso, não querem se submeter a sacrifícios, pois não creem em mitos de qualquer esfera. Antes, se revoltam, tomam as rédeas do destino e implantam a desordem, na base da pedra, tisnando o chão com o seu sangue. A vontade faz aflorar a coragem, a faculdade acorda sua virtude. Sócrates, que morreu pelas leis de sua cidade e para não abjurar suas convicções, revira-se na tumba. Não há mais filósofos na Grécia como no longínquo período dos Cínicos. O cinismo puro virou atrocidade, autoritarismo, uma risadagem obscura sobre a miséria humana, é a contrafação da postura filosófica que ia ao mercado procurar saber o que não era necessário para viver. Oh! socrático-platônicos, que ensinastes o despojo e o culto à virtude como caminhos para a felicidade, ensinai! ensinai! A Grécia precisa da Grécia. A Grécia é uma graça. A Grécia anda uma desgraça. Parece uma tragédia grega.
Trágico abraço!
Sosígenes Bittencourt

Monday, October 03, 2011

O lado bom da vida

Esta é uma das rosas que recebi por e-mail, remetido por dona Conceição Azevedo, leitora do meu blog. Chamada de Rosa da Sinceridade, escolhi como a mais bela. Sincero era Jesus, que agia como pregava. Dona Conceição é apaixonada pelo lado bom da vida. Prova de que podemos ser felizes, sentindo prazer sem culpa e suportando os sofrimentos da existência sem desespero.

Estético abraço!

Sosígenes Bittencourt