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Lembro-me de uma história que ela conta do tempo em que era criança. Minha mãe morou numa rua onde passava enterro. Não passava enterro todo dia, porque não havia tanto mortal que desse para produzir um defunto a cada 24 horas. Mas, sentadinha na calçada, ou debruçada na janela, tirava o dedinho da boca e dizia, inocentemente, em tom de lamúria: - Passa o enterro de todo mundo, só não passa o de mãe. Essa lembrança deve ter o quê? Uns para lá de 70 anos.
A psicanalista Rita Maria Kehl diz, em uma palestra sobre "Aceleração e Depressão", que nós vivemos num mundo onde a resposta instantânea à multiplicidade de estímulos está nos tirando a possibilidade de enredar a teia de nossa existência, confeccioná-la. Estamos ficando sem passado e perdendo, por isso, uma perspectiva de futuro. Estamos sem consistência, o que nos afunda num vazio imenso, que gera desânimo, falta de alegria, desinteresse e depressão. Isso é de morte!
Desanimado abraço!
Sosígenes Bittencourt
Sosígenes Bittencourt
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