Thursday, July 15, 2010

Um cafezinho por um celular

Fui tomar um cafezinho na padaria, roubaram o meu celular. Foi no entra e sai de um minuto. Só enquanto dei as costas para passar uma aguinha nas mãos. Olhei em volta, todos debruçados sobre os seus pratos, fazendo refeição. Nem olharam para mim. E não era uma padaria qualquer. Nem foi numa ponta de rua. Coisa chic, no centro da cidade, frequentada por gente que aparenta ser tudo. Dos que levantam o vidro do carro para dizer que tem ar-condicionado; dos que apertam a barriga para dar escova no cabelo, ir ao baile. Estivesse bêbado num cabaré, diziam que a culpa foi da vítima. Como estava numa padaria, a culpa deve ter sido do cafezinho. Pobres de nós, infames ladrões. Mas, faz parte de nossa cultura. Cultura não é só o acervo de conhecimentos de um povo, suas instituições, seu progresso, maus hábitos também. O mau-caratismo é símbolo nacional. Não dar a vez aos idosos, pequenos furtos, caluniar. Imagine se lhes dão o poder. Daí, a célebre assertiva: "Queres conhecer o vilão? Ponha-lhe o poder na mão." Quer dizer, aquele que chama político de corrupto, corrupto seria se político fosse. E ainda põem a culpa no poder. O poder quem faz é o homem. Não é o poder que faz o homem. Na raiz, há um traço já característico de nossa cultura: a falta de educação. Isso se tornou corriqueiro depois da desconstrução da família nuclear. A mulher longe da cria, e a meninada solta. Portanto, a única diferença entre o cidadão que fura uma fila e o político que desvia verba é o status. Quem rouba um tostão também é ladrão, e não rouba um milhão porque chance não tem. É Fácil de compreender. Chamar político de corrupto é uma velha mania de ver defeito só no outro sem enxergar o próprio nariz.
Mal-educado abraço!
Sosígenes Bittencourt

4 comments:

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS said...

É a "lei de Gerson": querer levar vantagem em tudo.
Além da ausência materna no núcleo familiar, outro agravante é a falência do ensino nas salas de aula, onde professores não são mais respeitados. Tudo em nome da modernização do ensino e do respeito aos direitos da criança e do adolescente.
As palmadas fazem parte da educação familiar. E até isso querem proibir! Será que o Estado vai se responsabilizar pela educação e formação de nossos filhos?

Sosígenes Bittencourt said...

Ausência de palmadas corretivas redundam em espancamentos na via pública ou nos porões das delegacias. Ninguém quer ver isso. Melhor castigar em casa do que ver o filho castigado na rua.

Anonymous said...

A corrupção está em toda parte. Não só aquele que desvia o dinheiro público para interesse próprio, como aquele que vê uma infração e não a denuncia. Lamentável, mas é isso que vemos por aí afora. Numa breve síntese, poderia usar essa frase: “O brasileiro é a favor da pena de morte, mas não para si”.

Sosígenes Bittencourt said...

O brasileiro é a favor da Pena de Morte para os outros e do Topless na mulher dos outros. São dois padrões de moral, um para atacar e outro para se defender.