Wednesday, November 05, 2008

Fragmentos

Sou do tempo em que menino obedecia na marra. Se chegasse com um confeito na mão, teria que dar explicação. O cabra ia de castigo, ficava sentado numa cadeira até receber ordem para sair. E se bancasse o afoito, ia pra mãozada. O pior que me ocorreu foi ter levado umas lapadas com um cinturão do exército. Fiquei com tanta raiva de militar que nem brigadeiro como em aniversário.
Sou do tempo em que se beijava de boca fechada e ficar nu era pecado. Hoje, menino não pede para sair, comunica que vai pra rua. Aliás, quando comunica. Sou do tempo em que menina brincava de boneca, hoje brinca de fazer nenen de verdade. Certa vez, já graúdo, dei uns tragos num cigarro e chupei chiclete para disfarçar. Levei uns tabefes porque estava fedendo a cigarro com chiclete. Ninguém escapava. Boletim de colégio era assinado no fundo da cozinha. Nota vermelha gerava castigo. Hoje, tem menino matriculado no bar da esquina. Meu avô paterno dizia que menino não tem juízo. Imagine se sai da sepultura e anda por aí, para ver menino pitando 'cannabis sativa' e enchendo a caveira de cachaça.
Sosígenes Bittencourt