Tuesday, January 06, 2009

Aconteceu em Floripa

Vamos que se tenha olho grande no que é dos outros, mas surrupiar donativo de flagelado é o cúmulo da ambição. Ademais, quando se trata de quem deveria tomar conta das doações, fiscalizar, proteger os desabrigados, como seria o caso dos dez soldados e um sargento, envolvidos no furto. Se fosse o contrário, nordestinos saqueando donativos, logo surgiria o comentário: - Ah! aquilo é terra de índio brabo, de gente sem educação, de esfomeados, de meliantes. No entanto, foram sulistas surrupiando comida e agasalho fornecidos por nordestinos, para socorrer seus flagelados. E não foi só gente da farda. Um civil devolveu fralda geriátrica furtada. A falta de vergonha foi tão espalhafatosa, que o governo de Santa Catarina mandou suspender a doação de mantimentos em Blumenau. O pelotão vai ser perfilado para responder por crime militar e pode pegar até seis anos de clausura.
Por outro lado, vamos que se seja honesto, mas o senhor Daniel Manoel da Silva, 58 anos, bateu todos os recordes de honestidade. Medalha de Ouro em decência, seu Daniel, depois de perder quatro netos e um irmão, soterrados em conseqüência do bíblico dilúvio catarinense, devolveu 20 mil reais, encontrados num casaco de pele doado à família. Morando em casa de favor, depois de ter sua fábrica de cachaça artesanal e sua residência destruídas, além de seis vacas, afogadas na enxurrada, respondeu com a maior tranqüilidade: “Esse dinheiro não era para mim. Não é certo usar o que não é seu, claro que tinha que devolver.
Sosígenes Bittencourt