Sunday, October 19, 2008

Paixão e loucura


Foto: Eloá e Nayara felizes

O homem é um ser, por natureza, carente de explicação. Indaga o mundo ao seu redor, até a morte. Agora, imagine confuso em relação a si mesmo, ou seja, sem explicação sobre o que lhe está acontecendo. O rapaz que, em Santo André, protagonizou a recente tragédia, atirando na cabeça de sua namorada e de sua amiga, depois de mantê-las seqüestradas durante mais de 100 horas, era prisioneiro de si mesmo. Não conseguia se libertar de uma paixão que o torturava, não entendia o que estava acontecendo dentro de si mesmo. Tanto que atirou na namorada, o objeto da paixão, e atirou também em sua amiga, que não tinha nada a ver com o caso. A polícia, por sua vez, não pode ser totalmente reponsabilizada porque se viu envolvida num tema que cientificamente desconhece: a paixão. Sentir paixão é comum, entendê-la é matéria de estudo, controlá-la é questão de tratamento. O psiquiatra e psicanalista paulista Rubens Coura concedeu entrevista à ISTO É, em 2002, defendendo a tese de que “paixão é doença”. E explica: “A paixão termina em muito ódio, rancor e muitas vezes em morte”.
Quando Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, atirou na cabeça de Eloá Cristina Pimentel, de 15, poderia ter poupado a vida de sua amiga, Nayara Rodrigues da Silva, também de 15. Observe-se que a polícia jamais poderia imaginar que ele tentaria contra a vida de Nayara, tanto que a mandou de volta ao cativeiro, atendendo ao pedido do criminoso. Em resumo, Lindemberg estava louco, e a polícia não entende de loucura. Nesse momento, por exemplo, há mulheres dormindo ao lado do seu futuro assassino.
Sosígenes Bittencourt

4 comments:

Unknown said...

Essa tragédia poderia ser evitada,os atiradores de elite eram pra ter feito alguma coisa.

Sosígenes Bittencourt said...

E fizeram, devolvendo a amiga de Eloá, na tentativa de salvá-las. Mas, a polícia não é formada em Psiquiatria. Não podia imaginar que o doido atirasse em Nayara. Os pais choram, mas a menina namorava com o seu futuro assassino desde os 13 anos. Ela estava fazendo carinho no seu carrasco, semeando uma paixão num desequilibrado.

Anonymous said...

Nesse acontecido infelizmente inesquecível, fico triste por todos eles do seqüestro (Eloá, Nayara e Lindemberg) três jovens com tudo pela frente e que agora estarão marcados para sempre com esta lamentável história de “amor” fatal.
Lindemberg: jovem 22 anos, mas que terá de pagar pelos seus atos, me pergunto como este rapaz irá viver daqui em diante.
Nayara: adolescente um ser em formação, penso no tamanho do trauma que esta menina vai ter que suportar, torço sinceramente pra que ela o supere. Pais, amigos, colegas, psicólogos ou psiquiatras devem todos ajudá-la pra amenizar ou superar este fatídico acontecido.
Eloá: Também jovem e com tudo pela frente, na batalha interna desse rapaz desequilibrado, foi a mais atingida e que não teve volta. Que Deus te ponha em um bom lugar Eloá, torci por você mas não conseguir comemorar a sua vitória. Vamos torcer pra que algo parecido não volte a ocorrer novamente. PAZ, PAZ, BRASIL

Sosígenes Bittencourt said...

Eloá estava acariciando o seu homicida de estimação e não sabia. Semeando uma paixão que resultaria na sua morte. Era a semeadura do fim. Isso está acontecendo agora em qualquer lugar. Há mulheres convivendo, traçando planos, dormindo ao lado do seu futuro assassino.